Lorena não esperava me ver ali.
Não esperava e não queria, pra ser mais exato.
Ficou evidente na cara dela, por mais que ela tenha sido convincente em tentar esconder, com a expressão de mulher fina que ela sempre teve, mas no brilho do olho, eu captei.
E logo a Milla também sentiu que deu uma escorregada ao me levar ali.
— Milla, Alexandre... — ela proferiu os nomes, forçando um sorriso. — Que surpresa vocês dois aqui.
Ela sabia.
Eu vi na cara dela que ela sabia o que tinha acontecido lá na festa do Kalil.
Também, não seria de se espantar. Levamos quase três horas pra voltar pra capital e uma merda barulhenta feito aquela se espalhava rápido.
Sendo assim, a grande questão era: por que fingir que não sabia de nada?
Parte de mim já começava a entender o que tava rolando ali.
— E então, Alexandre, tudo bem? — Lorena abriu um sorriso enorme, com aqueles dentes tão brancos e perfeitos... ela olhou pra mim, pra Milla e... embora tenha sido sutil pra caralho, eu percebi que ela relanceou rapidamente o meu carro atrás de mim.
Pra conferir se tem mais alguém? Pensei comigo.
— Tudo bem sim — respondi. — E com você?
— Tô ótima — e então, ela foi arqueando as sobrancelhas, enquanto juntava as mãos, quase batendo palma. — Nossa, mas eu tô curiosa, hein? Porque, pra vocês dois terem vindo juntos aqui, é porque aconteceu alguma coisa — se virando na direção do portão, ela acenou, nos chamando: — então, vamos entrar, que vocês me contam o que aconteceu lá dentro. Acho que você nunca veio na minha casa, não é, Alexandre?
— Que eu me lembre, não.
— Então, vamos entrar.
— Eu acho melhor não — falei lentamente. — Tá ficando meio tarde, tô meio cansado também e... pra falar a verdade, eu só vim fazer esse favor, trazendo a Milla aqui, que ela me pediu.
— Ah, para com isso, homem — ela riu. — Nunca veio aqui e me fazendo uma desfeita dessas? Anda, entra. A gente aproveita e toma um café, conversa um pouco.
— Não vai dar mesmo, desculpa aí — comprimi os lábios. — Eu também tenho umas coisas pra resolver e... quem sabe outro dia.
— Ah... é uma pena — mais um olhar rápido que ela trocou com a Milla.
Ficou um bagulho ruim pairando no ar, enquanto nos olhávamos.
Suspirei, tentando me desvencilhar da sensação e fui me virando, na direção do carro, falando:
— Fechou então, Milla. Vou indo lá. Boa noite aí, Lorena.
— Já vai? — Lorena perguntou e apertei os olhos sem entender.
Ela simplesmente desceu os degraus que separavam a calçada do portão, vindo na minha direção, um pouco mais rápido que o normal. O olhar dela... por um momento eu pensei que...
Mas aí, do nada, a Milla entrou no meio, falando pra ela:
— Melhor não insistir, amiga. Sabe como o Alemão é, né? Esse aí quando insiste numa coisa, não tem cristo que faça ele mudar de ideia.
— Tá tudo bem, Lorena? — questionei.
— Tá sim — ela abriu ainda mais o sorriso.
— Tava vindo pra cima de mim com tudo. Não entendi — comentei.
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Declínio
Misteri / Thriller"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em par...
