— O que foi? — ela ousou perguntar, vindo se sentar na beirada da cama, acho que pra se aproximar de mim, com um sorriso meio acanhado que me dizia tudo.
Não sei se era pela minha cabeça ter perdido a devida noção de espaço, mas eu dei um passo para trás e fiquei olhando em volta, até parar minha atenção no meu próprio corpo; eu tava de bermuda, tênis, camiseta e... e eu tava de boné? Eu sei que tinha me secado e botado uma outra roupa depois de ter saído da piscina, mas coloquei outro boné? — passei a mão na cabeça e senti que sim —, e o mais importante: eu tava completamente vestido. Acho que meu pau nem tava mais duro.
Entender o que tinha acontecido ali, foi como arrancar o álcool do meu sangue na marra; eu já nem me sentia tão alto, irmão.
E a filha-da-puta continuava sentada, me olhando, à espera de uma resposta.
Eu simplesmente me virei e abri a porta do quarto com tudo...
Só que não foi tão fácil abri-la como deveria ter sido...
Foi aí que eu vi que tinham dois malucos do lado de fora, no corredor, meio que... querendo escutar o que tava acontecendo lá dentro?
E um deles... vai tomar no cu, porra. Era o desgraçado do Adriano que tava ali, com meio sorriso no rosto, me olhando em tom de camaradagem.
— Mas já acabou, Alexandre? — ele me perguntou, rindo, olhando pro colega dele que eu nunca nem tinha visto ou se já, nem me lembrava.
Nem falei nada.
Quando dei por mim, tava avançando na direção dos dois e meu braço pareceu ganhar vida própria no momento em que eu estendi aquele murro bem dado na fuça daquele verme do caralho que se dizia meu irmão.
O arrombado tinha aquilo de família, assim como eu, meu pai e o meu irmão; o rosto, especialmente as bochechas, sempre ficavam avermelhadas demais quando bebíamos muito e eu tava ligado que o cuzão nunca teve uma tolerância alta como a minha, mas eu iria me brecar por causa disso? Mas nem fodendo. Bom que alto do jeito que ele tava, o primeiro murro foi mais do que suficiente pra ele tombar pra trás feito um tronco de madeira.
Rapidamente, o riso sumiu do rosto do colega dele que ergueu as mãos pra tentar se explicar. Desci a porrada na cara dele também, mas eu nem conhecia o sujeito; podia dizer que minha raiva em relação a ele nem tinha marinado ainda.
Já o viado do Adriano...
Esse aí tava precisando de que alguém botasse ele em seu devido lugar; o maluco tava precisando aprender o que era ser homem de verdade.
Enquanto ainda tava no chão, eu já fui encaixando duas bicudas nas costas do arrombado que se contorceu, gritando.
Mas pra mim aquilo era muito pouco, cara.
Eu tive que me abaixar e virar o desgraçado pra que eu pudesse sentir minhas mãos mesmo, tá ligado, amassando a fuça do miserável.
E foi um, e foi dois, e foi três e foi quatro e foi até que eu perdesse a conta...
Pra falar a verdade, foi até eu começar a ouvir gritos ao meu redor que eu sabia que não eram nem do Adriano nem do colega dele e logo tinham várias mãos me puxando pra trás.
— Me solta, porra! — mandei, sacudindo meus braços, pra quem quer que fosse. Pro Adriano que ainda tava caído no chão, o rosto já manchado de sangue, eu gritei: — agora, faz uma porra dessas de novo, seu lixo do caralho! Me desrespeita desse jeito de novo, pra 'cê ver se eu não te mato!
— Para com isso, Alexandre. Pelo amor de Deus! — era o meu moleque.
— Fica calmo, Alemão. Respira — passando a mão pelo meu peito, Raul me levou pra parede, dando uns tapinhas de leve no meu rosto, como se quisesse me acordar. Mais acordado do que eu já tava?
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Declínio
Mystery / Thriller"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em par...
