Capítulo Cento e Trinta e Três

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Num piscar de olhos, o Paiol se jogou pra dentro do caminhão e numa rapidez que eu nem achei possível, irmão, ele tinha conseguido ligar o bagulho e já saiu, doido, acelerando na direção do maluco que corria que só a porra, na direção da estradinha de terra.

E da mesma forma que não parecia fácil pro maluco correr através das saliências do terreno, foi ainda pior pro Paiol, porque o caminhão mais parecia um boi bandido pulando sobre o mato.

— Ele vai capotar essa porra — comentei, levando as duas mãos à cabeça.

Mas aí deu ruim pro maluco porque os dois se viram num trecho plano do bagulho e o Paiol não perdeu a oportunidade, sentando o pé no acelerador. E não deu outra. Ele passou por cima do cara com tudo.

Eu sentia como se meu coração fosse saltar pela boca, tamanha a tensão, mas não deixei de achar engraçado quando todo mundo disparou junto pra chegar até eles assim que o Paiol atropelou o cara, igual a equipe técnica que espera o juiz terminar a partida pra correr pro campo e comemorar a vitória.

E como era de se esperar, por mais violento que tenha sido, o atropelamento não foi o suficiente pra matar o cara e ele ainda gemia no chão, a cara amarrada. Devia ter quebrado alguma coisa.

O Paiol desceu do caminhão, já com a peça em punho. Também tava usando supressor na ponta.

— Eu não vou falar nada pro... — o cara estendeu a mão, como que pra se defender do Paiol, mas foi calado por três tiros na cara.

— Vê aí no celular que tava com ele se deu tempo de ele falar com alguém — Paiol disse e como eu que tava mais perto do celular jogado sobre o mato, eu o peguei.

Tava na agenda de contatos.

Por garantia, voltei até o aplicativo de ligações e vi que a mais recente havia sido feita antes da meia-noite.

— Não — falei, deslizando a barra de notificações pra baixo e botando o bagulho no modo avião. — Vou ver se ele conseguiu mandar alguma mensagem pra alguém.

Pouco provável, mas tínhamos que nos certificar.

E realmente não tinha mandado nada. Nem por aplicativo, nem via SMS.

Fiz que não com a cabeça e entreguei o bagulho na mão do Paiol.

— Botar ele aqui dentro já — o G comentou e ele e o Van Damme trataram de abrir o baú e jogar o corpo lá dentro.

— Deu algum outro problema antes disso aqui? — eu quis saber.

Paiol ergueu os ombros, fazendo pouco caso.

— Não. Foi tudo direitinho — garantiu. — Eles pararam lá no lugar que você falou que teu parceiro taria esperando eles, não encontraram ninguém, como devia ser e aí a gente saiu do baú e deitou os dois na porrada, nem foi preciso usar a peça.

— Vai saber se o outro lá não comentou alguma coisa com alguém e vocês não viram — sugeri.

— Comentou nada não. A gente checou o celular dos dois antes de trazer eles pra cá.

Confirmei com a cabeça.

Parecia que tava tudo certo.

— Mas a gente tem que finalizar isso aqui logo, porque é questão de tempo pro Café chegar aqui — Paiol avisou, já entrando no caminhão de novo. Gostei de ver que todos eles tavam usando luvas. — A essa altura, ele já sabe que deu alguma merda, porque eles tinham combinado com os funcionários lá do estoque que o caminhão ia chegar às cinco e meia e já é seis e sete.

DeclínioOnde histórias criam vida. Descubra agora