Porque eu sei que você está com medo, mas, amor, não se esconda
Pilot Speed - Alright
Ainda de longe, eu vi o meu moleque sentado em um dos bancos espalhados pelo parque, assistindo o namorado da Maira, aquele maluco que eu tinha visto na faculdade e mais outro cara, disputando a posse de uma bola — eu não podia dizer que estavam jogando, porque aquilo nem chegava perto.
Me aproximei numa boa e o moleque só se deu conta da minha presença quando me sentei ao lado dele no banco de pedra.
Ele meio que se assustou por meio segundo, mas trocou a expressão de surpresa por um riso curto, meio debochado.
— Você ainda tá me seguindo, Alexandre? — perguntou, ainda rindo. — Mas você não tem jeito mesmo.
— Tava te seguindo não, moleque — garanti. — É que eu sempre tô vindo nesse parque aqui.
Ele pareceu achar ainda mais engraçado. Foi gostoso ver aquela expressão de deboche no rosto dele.
— Ah, tá sempre vindo por aqui, é? — fez bico. — Pra fazer caminhada, respirar um ar puro...
Eu ri também.
— É sério, moleque. Eu... lembra não da última vez que a gente veio aqui?
Aí, a graça morreu no rosto dele, e ele fechou a expressão.
— Você tinha pedido pra conversar comigo aqui, falando que gostava desse parque, mas na verdade, você quis vir pra cá porque tava com medo que eu fosse fazer alguma coisa pra você quando me contasse que ficou meio assustado por eu ter batido no meu irmão, e aí quis me falar isso num lugar público — relembrei. — E aí desde que você foi embora, eu comecei a... a frequentar os lugares que a gente sempre tava indo. A padaria que a gente tomava café, o shopping, o autódromo, onde eu tava te ensinando a dirigir...
Ele fingiu não ter ouvido e focou sua atenção nos vacilões brincando com a bola.
Dei uma olhada rápida em volta e não vi sinal nenhum da Maira ou da prima dele.
— E olha como são as coisas — decidi falar, já que o moleque seguiu em silêncio. — A gente tá aqui agora... não como da última vez, e eu não bato mais no meu irmão. Na verdade, ele tá morando comigo agora.
— O Rodrigo? — ele ficou surpreso.
— É... eu... na verdade, você foi o grande responsável por isso.
— Eu? Como assim?
— Ele apareceu umas semanas atrás em casa pedindo minha ajuda e... e o Alexandre de sempre teria mandado ele ir se foder e teria batido a porta na cara dele — falei, enfiando as mãos no bolso da jaqueta que eu vesti antes de entrar no parque, porque tava um ar gelado da porra, e fiquei mexendo minha perna de lá pra cá, pra me ajudar a me manter tranquilo. Eu me sentia nervoso que só a porra só de tá perto do moleque, em choque de falar alguma besteira. — Só que aí eu lembrei de você e fiquei pensando que conselho você me daria, que nem daquela outra vez lá que ele apareceu em casa, lembra? E aí... aí, eu... aí me veio a certeza que você jamais deixaria ele na mão. Se fosse seu pai ou seu irmão ali te pedindo um prato de comida, mesmo depois de tudo que eles te fizeram, eu tô ligado que você jamais se recusaria a estender a mão pra eles.
— Que bom, Alexandre — ele abriu um sorriso meio triste. — De coração, eu não tô querendo debochar de você, eu realmente fico muito feliz que você esteja ajudando o seu irmão e que vocês estão bem agora. Eu... apesar de tudo que ele te disse e que você me contou, eu sempre senti que, no fundo, seu irmão sempre gostou muito de você.
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Declínio
Misterio / Suspenso"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em par...
