Helena apanhou.
Apanhou e a coitada não soube como reagir. Ela estava sentada e lá ficou, enquanto que a filha-da-puta se preparava pra bater nela de novo. Eu tinha prendido minha respiração e acho que minhas pernas estava se movendo sozinhas pra entrar naquela loucura.
Mas, minha mãe que estava ao lado da minha irmã, chegou primeiro.
Antes que Mirtes pudesse bater de novo, minha mãe foi por trás dela e a puxou pelos cabelos, a tirando de perto da Helena, enquanto gritava:
— Vagabunda é você, sua desgraçada!
— Não, não — a idiota começou a falar, enquanto minha mãe puxava ela pra trás pelo cabelo. Eu sei que o mundo tinha enlouquecido bem no meio da sala da casa dos meus pais, mas a cara que a piranha velha fez, arreganhando os dentes enquanto tinha os cabelos puxados até o couro, me fez querer rir pra caralho. — Você não pode me bater porque eu acabei de... — e minha mãe puxou mais forte, quase fazendo ela tropeçar nos próprios pés. — Eu acabei de, aaaaaaaa, para, para! Você não pode, aaaaaaaaa, socorro, Nisandro. Me ajuda!
E juntando toda a força de uma só vez, minha mãe conseguiu derrubar ela no chão pelos cabelos.
O cuzão do marido dela que tinha assistido a tudo sem mexer um dedo, finalmente resolveu agir e avançou contra a minha mãe. Meu pai também "despertou" e correu pra defendê-la de antemão, mas foi aí que eu resolvi entrar na treta. Ninguém tinha me reparado até então, especialmente os dois filhos-da-puta que estavam de costas pra entrada da sala, daí foi fácil chegar com uma pezada nas costas do desgraçado que voou contra a mesa de centro; por um milagre que não quebrou a parte de vidro e ele apenas quicou, rolando pro lado do sofá. A mesa em si não tinha quebrado, mas não se podia dizer o mesmo da tigela de porcelana que estava sobre ela e se despedaçou.
No outro canto da sala, minha irmã seguia estática, focando sua atenção no vazio, enquanto a desgraçada tinha conseguido se desvencilhar da minha mãe, agora tentando revidar. Ela só não tinha reparado no meu pai que tava logo atrás dela e agarrou seus dois braços antes que ela pudesse acertar minha mãe que ainda estava se levantando — eu tinha me preocupado, pois, bem ou não, minha mãe era mais velha. — Assustada, ela tentou relancear a cabeça pra trás só a tempo de levar mais duas mãozadas da Dona Elisa na fuça.
O arrombado do Nisandro viu e numa fúria cega se levantou com tudo pra tentar ir defender a mulher; acho que nem tinha se ligado que havia sido atingido por mim. O filho-da-puta nem chegou a dar dois passos e eu agarrei sua blusa pelas costas, o puxando até mim. Talvez, eu tivesse me enganado e o cão tinha me visto sim, pois sem nem me olhar diretamente, assim que eu o puxei pra perto, ele já chegou me virando um murro que quase me acertou em cheio, pegando desajeitadamente na bochecha.
Eu tava doidão ou aquele inseto tinha mesmo me acertado na cara?
Maluco...
Meu sangue que já tava fervendo virou fumaça e eu agarrei aquele velho do caralho pelo pescoço com a mão esquerda e com a direita, afundei meu punho bem no meio. Juro, mano, que eu senti o nariz dele quebrando bem nas dobras dos meus dedos.
Ele ficou tonto na hora, os olhos pesados e as pernas cambalearam, o levando ao chão. Cuspi e acertei mais duas bicudas nas costas dele que acordou — meio que acordou, né, porque ele ainda continuou com os olhos fechados e apenas comprimiu a cara, numa expressão de dor. — Eu não tava satisfeito e me abaixei por cima dele, travando o arrombado pra que ele não pudesse escapar. O inseto ia aprender o que acontecia com o verme que encostasse um dedo na minha cara. Não sei qual barulho foi mais forte pra mim: o primeiro soco que eu acertei em cheio ou o baque da nuca dele contra o piso de madeira.
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Declínio
Misteri / Thriller"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em par...
