— 'Cê acha que você tá falando com quem? — dei um passo na direção dele.
— Não quero desvio de conversa aqui, Alexandre — ele retrucou, também dando mais um único passo na minha direção. — Mas se é nesse assunto que você quer tocar, porra, eu só acho que é você que parece não saber com quem tá lidando.
Rapidamente, Tatu se interpôs entre nós dois, mas não falou nada, embora continuasse nos olhando com aquela cara tensa.
— Então, me fala aí com quem eu tô lidando.
— Eu já falei que eu não quero desvio de conversa...
— Não quer desvio de conversa é o caralho, maluco! — estourei minha paciência. — Você tá achando o que, Josué? Que só porque você é associado diretamente você pode chegar aqui me falando bosta e eu vou ter que abaixar minha cabeça pra você, é isso?
— Mas você é folgado pra caralho hein, Alemão. Você vai lá afrontar a minha mulher e ainda quer se achar com razão?
— Afrontar uma porra! Que merda foi que ela falou pra você? Que eu bati nela?
— Aí eu nem tava aqui perdendo meu tempo falando com você, parceiro — ele retrucou, rindo, bastante seguro de si, o arrombado. — Num cenário desses aí, a ideia não ia vir através de palavras não. Mas nem precisava chegar a esse extremo, pra eu ter que vir aqui resolver a situação não, Alemão. Ela é a minha mulher, porra! Se tem algum homem que vai levantar a voz pra ela, esse homem sou eu, caralho! — ele bateu no peito, mas não se aproximou um só centímetro de mim. — Você afrontando a minha mulher; desrespeitando a minha mulher desse jeito, você tá é afrontando eu também!
— E eu afronto você aqui mesmo, Josué, se esse é o problema — e fui na direção dele, mas o Tatu entrou no meio com tudo, me impedindo de me aproximar mais. O Capuava também veio pra cima de mim, não pra me bater, mas mais pra me peitar mesmo, porém, também foi interceptado pelo outro maluco que tava com a tv dos meus pais. — Vai fazer o que?
— Você quer andar fora da linha desse jeito mesmo, alemão? — ele olhou bem no fundo do meu olho e eu vi ali que o filho-da-puta ia até as últimas, se fosse necessário. Aquele era o Capuava que eu conhecia. — Esse não é seu estilo.
— Quem tá andando fora da linha nessa porra aqui é você, maluco — o cigarro tava quase no fim. Dei aquela tragada nervosa e soprei a fumaça na cara dele. — Quem foi me afrontar lá na frente da minha empresa foi a tua mulher, meu bom. Você foi lá no Valdecir entender toda a história? Você ouviu o pessoal de lá?
— Eu já falei que não quero desvio de conversa, Alemão. Eu não preciso ir ouvir a história da boca de outros que não...
— Então que porra que você tá fazendo vindo aqui me encher o saco, caralho? Se você não tava lá e nem se mexeu pra ir saber direito dos detalhes, como é que você chega aqui me intimando e me apontando desse jeito, porra? Tá ficando louco?
— Não basta você ter desrespeitado minha mulher, tá chamando ela de mentirosa agora?
— Tô chamando ninguém aqui de porra nenhuma não, maluco! Você chegou me intimando e nem me contou direito qual foi a história que você ouviu dela.
— Alemão, você...
— E depois de toda essa palhaçada aqui, eu não quero nem saber a merda que ela contou pra você — o interrompi, jogando o cigarro fora. — Quer saber o que aconteceu mesmo? Vai lá perguntar pro Valdecir ou pra plateia que ficou assistindo o showzinho que a tua mulher fez. Ela e as amigas. Se tem alguém aqui pra ficar irritado com o que aconteceu, esse alguém sou eu, rapaz! Porque a culpa dessa merda toda é sua, caralho. Sua!
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Declínio
Mystery / Thriller"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em par...
