Capítulo 102

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00:38 AM.

Sai tarde da casa dos Lewis, dirigindo até uma conveniência 24 horas mais próxima da casa de Sophia. Eu havia mandado centenas de mensagens mas ela não respondeu nenhuma, porém, tentei o telefone residencial da minha sogra, que me passou como foi o dia de Sophia, morrendo na cama.

Comprei um pote de sorvete e centenas de chocolates Milka, passando no caixa e indo até à casa de Sophia, mimando a minha garotinha que estava morrendo de dor.

Como eu iria entrar? Só Deus sabe!

Tentei entrar pela frente, tocando na campainha e me fodendo pra quem estivesse dormindo.
Um empregado da casa atendeu, me deixando subir, já que conhecia muito bem o meu rosto.

Fiz o mesmo esquema quando bati na sua porta do quarto, mas antes, mostrei minhas mãos primeiro. Pelo menos não perderia alguma parte do corpo em especial. Sophia poderia me matar com as próprias mãos!

— Amor? — Fechei a porta do quarto quando passei. — Amor? — Vi a porta da suíte fechada.

Deixei o sorvete em cima da cama, junto dos chocolates. Fui até à suíte, encontrando Sophia na banheira, cheia de espuma. Abriu os olhos quando me viu, se assustando um pouco.

— O que você tá fazendo aqui?

— Vim cuidar de você. — Me sentei na beirada da banheira, vendo ela tomar o seu banho de madame.

Ela ficava tão bonitinha irritada.

— Qual a parte do... Esquece. — Sophia cerrou os olhos, respirando fundo e inspirando. — O médico disse que eu preciso ficar calma. Não posso me estressar! Isso aumenta o fluxo do sangue. — Que?

— Ele é apropriado pra ajudar com isso ou ele é só mais um médico... Obstetra? — Ela me encarou, de volta, tentando não se irritar.

— Obstetra? Eu não estou grávida!

— Sabemos. — Vi a água ficar rosinha.

Aquilo era bizarro mas eu precisava me acostumar, não tinha nojo de Sophia, pelo contrário.

— Mica. — Sophia me encarou, chorando. — Eu tô tão inchada que eu pareço uma vaca leiteira de leilão. — Emitiu um som fino pelo choro. — O meu peito tá imenso! Eu não consegui entrar na minha calça e eu comi dez hambúrgueres de almoço hoje. — Chorou. — Eu me odeio!

— Amor... Você tá linda! E... Quem disse que você parece uma vaca leiteira de leilão? — Dei risada.

— A minha mente me falou. — Começou a chorar, de novo, uma dramaturgia total!

Tentei fazer ela parar de chorar.

— Eu acho melhor você sair daí, a água já tá até fria. — Mexi um pouco com as espumas se desfazendo. — Eu trouxe um presente pra você!

— Presente? — Sophia secou suas lágrimas, falando dócil comigo, parecendo gostar do gesto.

— Sim, um presente muito gostoso e não sou eu. — Brinquei.

— E cadê? — Tentou procurar dentro da suíte, observando os lados.

— Primeiro eu preciso que você saia daí. — Avisei. Sophia piscou duas vezes pra mim, querendo falar algo.

Engoli seco, apontando ao seu armário rosa que ficava dentro da suíte, ao lado da pia.

— Preciso de um absorvente. — Apontou ao armário.

— Ok. — Me levantei, indo até o lugar onde ela mostrou. — Qual você precisa? Com abas, sem abas, grande, pequeno, a puta que pariu... — Comecei a ler as embalagens. — Isso é remédio? — Mostrei à ela um pequeno negócio que parecia mais uma bala de arma, só que colorido.

— É um absorvente interno.

— Um... Nossa! — Tentei decifrar como aquilo viraria um absorvente. — E como abre isso?

— A gente desembala e depois enfia lá dentro, tem uma cordinha que vai ficar pra fora. — Disse simples, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— Uma cordinha? — Arregalei meus olhos. — E se você perder a cordinha, o que acontece?

— Aí eu já não sei. — Sophia pensou. — Preciso do absorvente roxo, na segunda repartição. — Sophia pediu, me fazendo pegar o absorvente com a embalagem roxa.

— Cadê a sua calcinha? — Procurei pela suíte.

— Na segunda gaveta do meu closet. — Avisou. Fui até lá, mexendo na sua gaveta de calcinhas.

Procurei por uma mais confortável, sabendo que garotas gostam de estar confortáveis naqueles dias. Voltei à suíte com a calcinha em mãos, Sophia me observou, enrolada em uma toalha.

— Você sabe fazer isso? — Piscou os olhinhos tristes, querendo chorar de novo.

— É... Não? — Tive o absorvente em mãos, meio confuso.

— Abre ele. — Fiz. — E depois você tira a cola de proteção do meio e dos lados. — Sophia foi me explicando, enquanto esperava. — Agora é só colar na calcinha.

— Normal?

— É!

— Mais pra cima? Mais pra baixo? — Calculei em como ficaria mais confortável. O negócio era grande!

— Mais pra cima. Se o sangue descer e sujar o risquinho da minha perereca, é seguro que não suje. — Me avisou, eu ri leve com o termo perereca e como Sophia estava perdendo a vergonha em dizer essas coisas à mim.

— Vem cá. — Segurei ela devagar pela cintura, retirando sua toalha e vestindo a sua calcinha, ajeitando perfeitamente em seu quadril. — Vamos buscar um pijama pra você.

— Aqui. — Sophia me entregou um pijama de ursos e borboletas. Segurei meu riso. — Não ri! — Fez cara pra chorar.

— Tá bom, tá bom. — Dei de ombros, abrindo os botões do pijama.

Passei os braços de Sophia pelas mangas, e quando fechei os botões, meu olhar fixou em seus seios inchadinhos e mais duros do que nunca. Eu queria tanto cair de boca ali e sair só amanhã, mesmo que doesse pra ela!

— Posso te dizer uma coisa? — Toquei o seu rosto. Sophia fechou o último botão do pijama.

— O que?

— Minha borboleta tá com um peitão. — Brinquei, sorrindo em seguida.

Sophia começou a chorar.

— Para com isso. — Mostrou os lábios, ficando mais engraçada ainda.

— Tá bom, parei! — Rendi minhas mãos. — Vamos, agora eu vou dar o seu presente.

Chamei Sophia de volta ao quarto, entregando à ela a sacola com o sorvete e os chocolates. Seu sorriso foi mais além, ela ficou... Emocionada? Por que ela estava chorando?

Que porra de TPM era aquela?

— Você trouxe sorvete pra mim? — Suas lágrimas caíram.

— Trouxe. — Sorri.

— Poxa, você é o melhor namorado do mundo! — Sentou na cama, agarrada com o pote do sorvete, que já estava derretendo. — Eu amo sorvete derretido, como você sabia?

Eu não sabia!

— Porque eu te conheço muito bem, amor. — Menti na cara de pau. O sorvete ficou ali porque eu estava mimando ela no banho. — Vou buscar uma colher...

— Não precisa. — Sophia tirou uma colher debaixo da cama, enfiando no sorvete e socando na boca. — Ai meu Deus, eu amo sorvete! — Cerrou os olhos, chorando e tomando o sorvete.

Me sentei ao seu lado, fazendo carinho em seus cabelos. Meu trabalho de super herói havia finalizado!

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