Capítulo 79

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Mães!
A minha mãe conseguia quebrar a onda de qualquer um, em todos os momentos. Amigos, namorada, momentos íntimos, momentos mais que íntimos...

E hoje ela quebrou a minha onda com a Sophia, nos atrapalhando com a porra de um bolo.

— O bolo estava uma delícia! — Sophia devolveu o prato à minha mãe.

— Já da pra casar, Sophia. — Minha mãe cortou outro pedaço.

— Vai com calma, mãe. Depois você fica se lamentando que tá com dor de barriga. — Escorei na parede.

— Cuida da sua vida. — Ela me fuzilou com o olhar.

Sophia começou a rir.

— Mica. — A loirinha me chamou. — Será que você pode me levar até em casa? Eu preciso buscar outra roupa.

— Como assim, buscar outra roupa? — Minha mãe fez sua inspeção final, arqueando uma sobrancelha.

Lá vem...

— A Sophia vai passar a noite aqui, mãe. Eu não vou ser louco de deixar ela dormir sozinha, naquele casarão. — Expliquei.

A maluca da minha mãe começou a estalar os dedos, como uma maníaca natureba que vende incensos e usa dreads.

— Hello. — Balançou a cabeça. — Por que vocês não se assumem de uma vez? É século vinte e um!

QUE?

Comecei a estalar os dedos também.

— Hello. — Imitei minha mãe. — Sophia acabou de sair de um relacionamento conturbado. Tudo. No. Seu. Tempo. — Debochei.

Minha mãe estalou os dedos novamente.

— Hello. — Fez uma cara de deboche que me fez querer morrer. — A gente sabe que o final dela vai ser descalça e grávida de um bebê seu.

A minha mãe exagerava as vezes.

— Então. — Sophia levantou-se, dando um suspiro cansado. — Vamos indo?

— Pode ir descendo, só vou buscar o documento do carro. — Avisei Sophia que assentiu, se despedindo da minha mãe e saindo do quarto. — Sério! As vezes você me deixa muito sem graça. — Briguei com a minha mãe.

— Micael, sério? — Fez uma careta. — A menina tá altamente na sua, vocês vão ficar nessa até quando?

— Até quando o tempo dela for razoável!

— Razoável? — Minha mãe não entendia. — Daqui uns dias ela vai estar morando aqui e eu nem vou ter tempo de ver tudo isso.

— Por acaso você vai morrer e a gente não tá sabendo? — Fui irônico.

— Morrer eu não sei mas com certeza vão me matar. — Ela exagerava pra cacete.

Revirei meus olhos e sai do quarto, descendo as escadas e saindo até à garagem. Sophia já estava dentro do carro, mandando mensagens pra alguém.

— Aconteceu alguma coisa? — Verifiquei o painel antes de ligar o motor.

— Tenho quinhentas mensagens não lidas, duzentas ligações perdidas e quarenta correios de vozes. — Uou! — Mel está... Preocupada.

— Por que não retorna as ligações pra ela? — Fiz o caminho da casa de Sophia.

— Porque eu não quero falar com ninguém. — Sophia segurou o celular com firmeza entre o peito. — Não sei nem como vou voltar ao colégio amanhã. Me sinto envergonhada!

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