POV Luna
Deixo-os no quarto e entro na porta a minha frente. Ivete parecia dormir e Gabi estava sentada ao seu lado com a cabeça deitada próxima ao seu braço. Os soluços dela transmitiam medo. Temer perder o amor da sua vida, um sentimento que bem conhecia. Charlie a abraçava e mal conseguia ouvir os seus sussurros de calma para ela.
— Desculpa atrapalhar. — Digo ao aproximar deles que se viram para mim.
— Não atrapalha. — Gabi diz ao secar o seu rosto vermelho pelo choro.
Posiciono-me ao lado dela e sorrio ao perceber que o único machucado visível da Ivete era um galo na testa.
— A doutora disse que ela está fora de perigo, mas precisa de uma cirurgia para remover abala alojada no corpo dela. Pelo menos rosto está intacto ou quase. — Digo e Gabi sorri pelo comentário.
— Que bom que já pediu ela em namoro, se não teria que ser um relacionamento a três. — Charlie diz e solta um riso bobo e um pouco envergonhado.
— Como sabe que a pedi em namoro, garoto? — Gabi pergunta e cessa o choro.
— Ela contou toda boiolinha há alguns dias, disse que você cansou de enrolar ela e pegou na mão ou algo assim. — Ele explica com um sorriso encantador muito parecido com o da Cristal.
— Vocês conversavam bastante, então? — Pergunto pelo carinho que ele tinha com ela.
— Sim, as piadas idiotas dela faziam-me esquecer do medo daqueles caras. — Ele diz com o seu olhar sobre ela.
— Quantos anos têm, Charlie? — Pergunto e Gabi responde antes dele.
— Treze aninhos que esse bebê grande tem. — Ela diz enquanto apertava as bochechas dele.
— O conhece bem também, Gabi? — Digo com um sorriso para a cena dos dois.
— Claro, Ivete só falava dele nas últimas semanas. — Ela explica e ele fica vermelho de vergonha.
— Como se envolveu nessa confusão, garoto? — Pergunto curiosa com a sua história.
— O meu pai e tio não eram os homens mais honestos, eles envolveram-se e tive que os acompanhar nessa bagunça. — Ele diz com o semblante baixo.
— Qual é o nome deles? — Pergunto e vejo Gabi olhar-me um pouco preocupada.
— Não eram minha família de sangue, mas era o que tinha mais próximo a uma. Eles salvaram-me das ruas de São Paulo quando não passava de um molequinho abatedor de carteiras. Ryan adotou-me e o Rodrigo ensinou como esse mundo funciona. — Assim que ele diz os nomes dos irmãos da Cristal não consigo conter a minha expressão de surpresa. — O meu pai não queria machuca-la, ele só queria ter a irmã dele de volta. Foi isso que o Cold o prometeu. Ele desejava a perdão dela por tudo que havia feito. Quando as torturas começaram, ele confrontou aqueles monstros que lhe deram a opção de aceitar aquilo e continuar próximo à irmã ou fugir. Desaparecer no mundo como havia feito antes. Sabíamos que se não tirássemos ela dali, acabaria morta, então traçamos um plano e contamos para o nosso tio nos ajudar. Rodrigo, e-ele... ele delatou o próprio irmão para o Scofield que obrigou ele a provar a sua lealdade e matar o meu pai. Só sobrevivi àquela noite por que não fui denunciado. Não tivemos nem chance de tentar.
Os seus olhos estavam cheios de água, algumas lágrimas escapavam e escorriam por suas bochechas. Gabi o abraça para o consolar e demorou alguns minutos até o acalmar.
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Nem a distância nos separa
FanfictionDentro de uma família, se criam laços, uns mais fortes que outros e o que elas criaram se tornou tão indestrutível que mesmo distantes, uma consegue sentir as emoções da outra. Mesmo que o mundo pareça estar contra, esse laço as uni, as prende. Essa...