ARTHUR
A última pessoa que eu pensei que veria naquela resenha era ela. Ela nunca vai pra essas coisas, por isso quando o Gil interrompeu nossa conversa gritando o nome dela eu só associei quem podia ser quando ele em seguida chamou pela Pocah.
No primeiro momento eu não tive reação, e em seguida senti tudo ao mesmo tempo, raiva, mágoa, dor, saudade e o que mais pulsou: amor. Eu ainda sou louco por ela e me odeio por isso.
Quando nossos olhares se encontraram me afastei o mais rápido que pude e tentei ignora-la, mas parece que eu tenho um radar, sentia a presença dela antes mesmo de vê-la, e estava sendo consumido por todo sentimento que ainda é latente em mim.
Antes que pudesse me render a ela novamente comecei a investir nas outras mulheres, beijei mesmo, eu tava solteiro afinal, não devo nada a ninguém. Mas, quando vi o olhar dela sobre mim quando encerrei um beijo, me odiei por fazer aquilo com ela, eu pude ver estampado no seu rosto o tanto que isso a machucou.
Eu me odiei por fazer isso com ela e me odiei mais ainda por me importar, ela destroçou meu coração, porque eu ainda me importo com ela? Depois disso eu soube que ela tinha ido embora e eu sabia que foi por causa de mim. Decidi ir pra casa também, eu ja estava bêbado o suficiente e tava na hora de encerrar a noite antes que eu fizesse mais besteira.
Quando cheguei em casa, os pensamentos ferviam minha mente, eu não conseguia parar de lembrar e de pensar. Vinha tudo ao mesmo tempo, os momentos bons e os ruins. A cara dela de mágoa hoje a noite, a cara dela de mágoa nas nossas inúmeras brigas, as palavras que ela usou na nossa última briga. Veio tudo com uma força gigante e eu me senti sufocado, as lágrimas encheram os meus olhos e transbordaram banhando o meu rosto.
Eu estava em desespero com tanta confusão dentro de mim, claro que a bebida intensificou tudo, não me contive e comecei a derrubar as coisas, eu precisava extravasar, eu precisava botar pra fora esse desespero. Eu acabei quebrando um vaso imenso que tinha de decoração na minha casa e cortei meu pé no processo, um corte feio, foi sangue pra todo lado. Fiz o melhor que pude pra limpar e fazer um curativo, desabei no sofá mesmo e apaguei.
Quando acordei no dia seguinte, com uma ressaca infernal e uma dor gigantesca no meu pé, lembrei tudo que aconteceu na noite anterior. Como aquela mulher tem o poder de me desestabilizar desse jeito? Porque eu ainda permito isso?
Tentei me levantar mas não conseguia pisar no chão, tentei verificar o curativo que fiz bêbado e até que não ficou ruim, mas eu precisava limpar melhor aquele corte. A pergunta era como? Se eu não conseguia nem andar.
Decidi ligar pra única pessoa a quem eu me sentia seguro pra contar a verdade sobre o que aconteceu e que eu sabia que ia me ajudar sem me julgar: Pocah.
CARLA
Pocah: não sei ainda, amiga. Ele só me ligou pedindo pra ir lá que ele precisava de mim.
Carla: pocaaaah - choramingo
Pocah: eu não to mentindo! Se controla!
Carla: me da notícias por favor! - imploro
Pocah: Carla, nós já conversamos sobre isso, você disse que ama ele, mas sabe que não vão voltar, o que eu discordo mas tudo bem, não vou me meter. O ponto é que: em que ter notícias dele vai te ajudar?
Carla: não sei, não faço ideia, so me da notícias, por favor!
Pocah: ta, tudo bem. Mas eu não me responsabilizo por nada! - ela é firme
Carla: ta, obrigada. Te amo
Pocah: te amo
~ Ligação off ~
Depois que falei com a Pocah não consegui fazer nada que não fosse me preocupar, eu queria saber o que tinha acontecido, como ele estava e se eu podia fazer algo. Enchi o celular da Pocah de mensagens, e depois de um tempo ela me respondeu avisando que estava tudo sob controle e que logo estaria na minha casa.
O tempo parecia se arrastar e quando ela finalmente chegou não deixei nem ela entrar direito e ja estava perguntando o que tinha acontecido.
Pocah: calma, garota. Ele ta bem. - ela fala se sentando no sofá
Carla: o que aconteceu?
Pocah: eu não sei se cabe a mim te contar.
Carla: ah mas você vai me contar sim!
Pocah: isso vai contra minha religião de não me meter mais na confusão de vocês dois.
Carla: agora você me deixou mais preocupada ainda. CONTA VIVIANE!
Pocah: iiih você vai apelar pro Viviane? - ela ri
Carla: amiga, por favoooor - choramingo
Pocah: ai ta bom! O Arthur vai me matar, mas vamos lá... - e então ela me conta, tudo que ele contou a ela.
Conta como ele se sentiu quando me viu, conta o que aconteceu e do pequeno acidente doméstico que ele teve. Meu coração aperta a medida que ela vai contando. Ao final eu ja estou tremendo e chorando.
Carla: meu Deus, Pocah! E ele ta em casa sozinho?
Pocah: ta, mas ta bem. Eu vou passar la mais tarde de novo. Ajudei ele com o pé, quando saí de la ele tava deitado na cama dele com um curativo e pronto pra dormir porque tava morrendo de ressaca também.
Carla: ai senhor - tenho conter as lágrimas que caem descontroladamente
Pocah: vem aqui - ela me abraça
Carla: porque tem que ser assim? - ela não diz nada, só me abraça mais forte.
Me deixo chorar no colo da minha amiga e depois de um tempo percebo que não, não precisa ser assim.
Carla: eu vou fazer uma loucura - anuncio
Pocah: o que? - ela me encara
Carla: vou ver o Arthur
Pocah: O QUE?
Carla: não precisa ser assim, ta na hora de fazer o que eu ja devia ter feito a muito tempo
Pocah: que seria?
Carla: lutar por ele
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Oieeee. E ai? O que tao achando? O que esperar, gente?
Val 🦋🥁
