ARTHUR
Ficamos um tempo agarradinhos na cama dela, eu deito encostado nos travesseiros e ela se aconchega em meu peito. Ficamos de chamego até que a porta do quarto se abre e todos voltam ao quarto. Quando a Carla ver a mãe e o Bruno, que foram os primeiros a entrar, ela afunda ainda mais o rosto no meu peitoral e aperta os braços em volta de mim.
Pocah: ai meu Deus! - ela fala entrando no quarto e sorrindo ao nos ver
Carla: AMIGA! - ela levanta do meu peito e estende os braços pra nossa amiga - que saudade de você
Pocah: eu também - elas se abraçam - que susto você nos deu sua doida
Carla: ai amiga, eu ainda to perdida em tudo que aconteceu
Pocah: vai ficar tudo bem - ela da um beijo na testa da Cá
Carla: eu sei que vai - ela diz isso e me olha, com um sorriso que me derrete todo
Seu Carlos assiste a tudo com um sorriso bobo. Enquanto Bruno está de braços cruzados com a cara fechada e dona Mara está claramente confusa. Percebi que ela abriu a boca pra falar algo, mas não teve chance pois o médico chegou.
Médico: ora ora, esse quarto está animado - ele fala português mas o sotaque é carregado - como se sente Carla?
Carla: agora estou bem - ela sorri deitando novamente no meu peito
Médico: percebo que está sim mais tranquila. Acredito que podemos dar continuidade aos exames. - ele sorri e se volta pra mim - você deve ser o famoso Arthur - estende a mão - prazer!
Arthur: igualmente, Dr - o cumprimento
Médico: essa mocinha aqui estava quase fugindo daqui pra te encontrar. Você é o namorado, certo?
Bruno: na verdade, eu que sou - ele interrompe
Carla: é nada! - Carla o corta - sim Dr, o Arthur é o meu namorado - ela sorri pro médico que nos olha confuso e a Pocah deixa escapar uma risada.
Mara: Dr, então, o Arthur era namorado da minha filha, eles terminaram e ela estava com o Bruno, só que o período da vida dela que ela não lembra é justamente esse, desde quando ela terminou com o Arthur, ate agora.
Médico: entendi, eu não tinha essa informação, de que esse esquecimento envolvia outras pessoas, são fatos diretamente ligados com algo emocional. Vou precisar acrescentar uma avaliação com a nossa psicóloga, ok? Pra entender se esse bloqueio tem algo de origem psíquica. Mas, farei isso após concluirmos os exames físicos - ele sorri
Bruno: e Dr, quando ela recuperar a memória tudo volta ao normal, certo? - ele fala isso me fuzilando com os olhos
Médico: serei sincero. Ainda não sabemos a causa exata da amnésia da Carla, mas perda de memória não muda sentimento, o sentimento sempre esteve ai, o mais provável é que dentre as coisas que ela esqueceu estivesse o motivo pelo qual ela estava reprimindo o sentimento. - ele olha a todos para se certificar que entendemos - então, sinto muito para alguns, mas, os sentimentos dela não foram afetados. São esses mesmos que ela expressa agora.
Pocah: EU SABIA! - ela gargalha e todos olham pra ela - desculpa gente - ela tenta se conter
Carla: obrigada, Dr. Pode ser que me deixem em paz agora - ela se aconchega no meu peito e eu não posso evitar sorrir com essas novas informações.
Bruno sai bufando do quarto, Pocah deixa escapar mais uma risada e é seguida por Carla que recebe um olhar de reprovação da mãe. Em seguida, o médico diz que vai preparar a papelada para os exames que ela ainda precisa fazer.
O dia passa rápido, a Carla faz os exames pendentes e o resultado é pedido com urgência, recebemos no mesmo dia, e não tem nada de errado fisicamente. Tudo está como deveria está. O médico pede a avaliação psicológica, como disse que pediria e Carla inicia esse acompanhamento.
CARLA
Todos saíram do quarto e estou sozinha com a psicóloga do hospital. Ela inicia com perguntas básicas, como meu nome completo, idade, essas coisas. Depois a conversa é sobre quais são minhas lembranças. Quando percebo ja contei a ela sobre tudo, sobre meu relacionamento com o Arthur, desde o início e nossas inseguranças, contei sobre a insistência da minha mãe em colocar o Bruno na minha vida e minha recusa. Contei sobre os conflitos com minha acessoria pelo meu namoro com o Arthur e por fim contei o que me contaram, a parte que eu não lembro, meu término com o Arthur e o relacionamento com o Bruno, bem como minha última conversa com o Arthur, depois que ele chegou aqui.
Ela encerra o momento e me diz que tem um forte palpite de que a minha perda de memória é algo totalmente emocional, ela acha que eu estou com um bloqueio, como se fosse um mecanismo de defesa pra me proteger da sensação de estar sem o Arthur, sensação essa que eu passei nos últimos meses. E segundo ela, talvez eu estivesse muito tensa com o atual cenário em que eu estava e por não saber como reverter, minha mente apagou tudo, pra me proteger.
Ela me pergunta se faz sentido e eu confirmo, me baseando pelo meu medo de lembrar de tudo e agir de forma que possa perder o Arthur de novo, ela aproveita pra trazer a tona o que eu contei sobre o que o Arthur falou, que não vai mais desistir de mim. Ela diz que é importante que eu saiba que mesmo com a volta da minha memória eu posso sim seguir com o Arthur. Ele quer e como o médico falou meu sentimento é o mesmo, eu só esqueci o que me fazia reprimi-lo.
Fico pensativa com tudo isso. Ela chama o médico e na minha frente informa sua hipótese conclusiva. Eles chamam as pessoas que estão me acompanhando e passam um parecer final. Sem muitos detalhes, mas acusam a causa como psicológica, sendo necessário somente tempo para que eu me recupere. Passarei por mais algumas sessões com a psicóloga para tentar acelerar o processo.
Alguns dias passam e eu tive alguns flashes, mas ainda não sei se aconteceram ou se eu sonhei. O Arthur segue aqui comigo, sendo incrível, como ele sempre foi, sendo o amor da minha vida, como ele sempre foi. O Bruno eu não sei o que ainda faz aqui. Minha mãe está claramente insatisfeita, ela nunca gostou muito da minha relação com o Arthur, portanto as ações dela agora não me surpreendem.
Estamos todos no quarto e eu, a Pocah e o Arthur estamos fazendo piada com o que passamos no BBB. De repente o Bruno levanta e bufa.
Bruno: ridiculo!
Carla: o que você falou?
Bruno: isso tudo é patético, eu sempre estive certo em dizer que você era diferente com ele não é? - aponta pro Arthur
Carla: eu te falei que era, com o Arthur sempre foi muito diferente! - falo com raiva, não suporto a presença dele mais.
Estava com tanta raiva do Bruno que não percebi o que tinha acontecido, só quando vi os pares de olhos me encarando que entendi.
Arthur: você...?
Carla: lembrei, acho que sim. Eu te falei isso? - pergunto ao Bruno
Bruno: falou, na corrida
Fecho os olhos e forço a memória
Carla: você estava com raiva - faço uma pausa - disse que com ele eu não era chata - outra pausa, minha cabeça dói - e eu respondi que não, com o Arthur era tudo diferente. E me afastei. Eu cai depois disso?
Ele acena com a cabeça em concordância. Minha mãe põe as mãos no peito e se aproxima.
Mara: você ta lembrando meu amor?
Carla: acho que sim
Carlos: lembra de mais alguma coisa, filha?
Carla: eu to tentando, mas ... minha cabeça ta doendo, não vem mais nada
Pocah: relaxa amiga, não força. Aos poucos você vai lembrar - ela sorri pra mim
Olho pro Arthur, ele me encara e não sei dizer o que ele ta pensando, estendo a mão e pego a dele. Ele entrelaça nossos dedos e beija minha mão. Bruno vê a cena, revira os olhos e sai. Minha mãe decide avisar ao médico e depois de responder algumas perguntas dele, decido dormir, minha cabeça ainda dói.
Meu sono é agitado, tenho vários sonhos, alguns parecem pesadelos, estou extremamente cansada quando acordo, minha cabeça pesa uma tonelada, olho em volta e não sei onde estou de imediato. Sento na cama e percebo que estou em um hospital. Olho pro lado e quase caio da cama ao ver quem está dormindo na poltrona ao meu lado. O Arthur! Meu coração acelera só por ver ele. Mas, o que ele ta fazendo aqui? Cadê o Bruno? O que aconteceu?
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Opa, a memória da gata ta voltando. E agora gente? O que vai acontecer?
Val 🦋
