CARLA
A chegada no Brasil foi um pouco desgastante. Apesar de ninguém saber que estávamos voltando hoje, bastou uma pessoa postar no Twitter que nos viu no aeroporto do Uruguay para chegarmos em Guarulhos com milhares de paparazzi e pessoas querendo nos ver.
Não consegui falar com ninguém, sei que tinham fãs nossos dentre essas pessoas, mas minha cabeça doía, eu estava amedrontada e sensível pelos últimos dias e tinham muitas pessoas, eu não daria conta. Por isso saímos escondidos, a segurança do aeroporto se encarregou disso.
A Pocah ja pegou um voo pro Rio, nem saiu do aeroporto, enquanto, eu, minha mãe e o Arthur fomos pra minha casa. O Arthur não sabia muito bem o que fazer e quando percebi isso, pedi que ele ficasse comigo, ele sorriu e disse que ficaria.
O clima estava pesado, minha mãe não falava muito, o Arthur estava tenso e eu não sabia como agir devido a essa situação. Antes de tudo precisava falar com o Arthur e torci para que minha mãe não dissesse nada para complicar esse momento.
Quando chegamos na minha casa, minha mãe disse que iria só preparar algo para comermos e depois iria pro apê dela, assim deixando eu e o Arthur sozinhos. Apesar de tudo, ela sabia que eu precisava conversar com ele. Eu agradeci e disse que ia tomar um banho e rezei para que ficasse tudo bem na minha ausência.
ARTHUR
Desde que a Carla recuperou a memória e afirmou com todas as letras que quer lutar pela gente, e confirmou isso terminando com o Bruno, eu to me sentindo em um sonho. Mas, ao mesmo tempo estou apavorado, sei que não vai ser tão simples.
Chegamos no Brasil e até agora minha única preocupação foi deixar ela confortável, ela estava em um hospital e por mais que ja se sinta 100% bem, ainda fico preocupado. Mas, agora estamos em casa, na casa dela, e minha mente vai para outras preocupações: a mãe dela e a equipe dela. Não sei como será daqui pra frente e tenho medo de descobrir.
Ela vai tomar banho e a mãe dela fica na cozinha. Não trocamos muitas palavras durante esse tempo, só nos falamos o básico de cumprimentos e qualquer coisa que fosse necessário pra cuidar da Carla, e é por isso que fico na sala, olhando o celular, evitando qualquer tensão, ou pelo menos uma tensão maior do que a que já existe.
Estou concentrado vendo a repercussão de tudo relacionado a nós nas redes sociais e me assusto quando escuto a voz da dona Mara.
Mara: Arthur
Arthur: oii, a senhora precisa de algo? - falo levantando do sofá
Mara: não, na verdade, queria falar com você. Vamos sentar - ela fala apontando o sofá onde eu sento novamente e ela também.
Arthur: pode falar
Mara: antes de qualquer coisa, eu queria agradecer você, pelo cuidado com minha filha, pela disposição em fazer o que for preciso pra que ela fique bem. Sou muito grata por isso, de verdade
Arthur: não precisa agradecer, eu jamais faria diferente quando se trata da Carla - sorrio - não mais - completo lembrando de todas as vezes que a magoei na última vez em que estivemos juntos
Mara: eu quero que você saiba que eu não vou me meter no relacionamento de vocês, a Carla ja deixou bem claro o que ela quer e ela tem meu apoio, mas Arthur, por mais gratidão que eu sinta por estar vendo minha filha feliz por estar com você agora, eu não consigo esquecer todas as vezes que a vi chorando também por sua causa. E não pense que eu quero jogar nada na sua cara, não é isso. É mais um apelo - ela suspira - não faça minha filha sofrer, por favor.
Arthur: eu entendo você - falo olhando pro chão - entendo de verdade - elevo o olhar ate ela - eu não me perdoo por tê-la machucado, e eu sei que tenho uma imensa parcela de culpa em tudo que aconteceu da última vez, sei também que eu ainda não estou na posição de pedir que confie em mim, mas, uma coisa peço que não duvide, eu amo a sua filha, amo com todo meu coração e eu sou falho, provavelmente ainda vou errar, mas eu darei o meu melhor pra fazer a Carla feliz, é só isso que eu quero, quero que ela se sinta o mais realizada possível e quero estar com ela em todos os momentos. Esse tempo que passei longe dela foi como estar no inferno, e eu não quero passar por isso de novo, não quero fazer a Carla passar por isso de novo.
Mara: isso basta pra mim - ela sorri - vocês tem minha benção, Arthur.
