Dulce não saiu de sua sala durante o resto do dia, não queria nem pensar na possibilidade de ver Christopher, ainda que de longe. Parecia que sempre que era só começar a querer ficar bem, que algo aparecia e lhe derrubava outra vez.
Foi embora um pouco mais cedo que o normal, chegou ao apartamento por volta de nove horas, e ao pegar o elevador, escolher subir um andar mais.
Respirou fundo e tocou a campainha.
Maite= Dulce... – sorriu surpresa ao vê-la.
Dulce= Oi. Meu irmão está? – direta.
Maite= Está, sim. Você quer entrar? – deu passagem pra ela.
Dulce= Não, obrigada. – séria. – Você poderia chamá-lo, por favor?
Maite= Claro que sim. – afastou-se. – Eu já volto. Tem certeza que não quer entrar?
Dulce= Tenho. Obrigada. – assentiu.
Maite= Eu já volto. – deixou a porta aberta e foi para dentro do apartamento. – Amor? Meu amor?
Dulce esperou cerca de um minuto, até que visse o irmão se aproximar.
Christian= Hey, Dul. – sorriu ao vê-la. – Como está?
Dulce= Você pode descer comigo até o meu apê? – disse em português, pois sabia que a cunhada havia ficado na sala. – Estou precisando muito de você. Mesmo.
Christian= Você sabe que eu sempre posso. – sorriu e virou o rosto para a esposa. – Amor, vou dar uma saída e volto logo.
Maite= Uhum. – acenou para os dois.
Dulce desceu o elevador quieta, abriu a porta do apartamento para o irmão e deixou que o mesmo sentasse no sofá.
Christian= Então, o que tá rolando contigo? – vendo-a tirar o sapato.
Dulce= Eu não sei. – deitou-se no colo dele, apoiando a cabeça em suas pernas. – Só sei que tá tudo errado, e me sinto pior que nunca. Quero ir embora, hoje doeu mais. Doeu muito mais.
Pela primeira vez, depois de quase um mês, os irmãos conversaram sobre tudo o que andava acontecendo. Ele se abriu com ela, e ela se abriu com ele. Contou sobre seus medos, sobre o que sentia, o que havia feito, como pensava sobreviver a tudo e como cada dia lhe tirava um pouco mais de força.
A conversa com Christian fizera um bem enorme para a morena; ela já nem se lembrava mais como era bom ter o irmão por perto, como era confortante e seguro ter os braços dele ao redor de seu corpo e ouvir palavras de que tudo terminaria bem.
Christian ficou a noite inteira com a irmã, ajudou-a a arrumar a mala e depois comeram brigadeiro na cama, até que caíssem no sono.
No dia seguinte, Dulce acordou cedo, banhou-se, tomou um rápido café da manhã com o irmão e foram para o aeroporto. A morena preferiu não se despedir de ninguém, e apenas enviou uma mensagem para Paty, avisando que estaria uns dias fora, mas as duas poderiam se comunicar por e-mail ou telefone.
Christopher, por sua vez, acordou mais tarde que o normal, não sentia-se animado para nada. Já começava a se acostumar a não ter a morena como namorada, mas não tê-la nem mesmo por perto, era pior.
Durante todos os dias em que Dulce esteve longe, Christopher não fez nada além de ir trabalhar. Os amigos saíram dançar e beber, mas o diretor ficou em casa. Nos finais de semana, pensava em pautas e dedicava a tarde a pintar as lembranças da ex-namorada. Senti uma saudade imensa da diretora. Sim, saudade. Ele havia chegado a conclusão de que não era sentir, era mais que isso, e como ela mesmo lhe explicara, era saudade, tão forte que o peito chegava a doer.
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A Sósia - Volume I
RomanceDulce deixou o Brasil e aventurou-se no México com apenas um objetivo: a carreira na Televisa. O que encontrou: um diretor estagnado em uma emissora minúscula e inexpressiva, um trabalho que não era - nem de longe - parecido ao currículo prestigioso...