[WILLIAM]
— Vamo, vai... — Jéssica continuou a pedir e passei a mão no rosto, me controlando pra não ser grosso com ela. — Por favor.
— Não tenho tempo, eu já te disse isso. — Falei, chamando o dono da padaria com a mão pra pedir pra colocar na conta da Rua 1.
— Poxa, Barbás... — Ela fez birra, mas aquilo não me comoveu. — Tu nunca me leva pra fazer nada.
— Quer ir no cinema arruma algum moleque desses ai na Gávea pra namorar, porra. — Rebati, me sentindo estressado. Ela cruzou os braços e fez bico, enquanto eu levantei pra falar com o Marcão lá dentro. Eu ficava mal de tratar ela assim, mas tinha horas que não dava, irmão... tem mulher que tem dom pra irritar quando quer. — Eu tô estressado, vai. — Me justifiquei quando voltei.
— Eu sei. — Deu de ombros, com um sorrisinho de maldade no rosto. Era por isso que eu gostava dela...
Nessa hora, eu ouvi uns gritos na rua de trás. Mandei um dos meus seguranças irem lá ver, enquanto eu dava a mão pra ajudar a Jéssica a levantar também. Troquei uma ideia com o Túlio ali rapidinho sobre o carregamento que tinha acabado de chegar. Eu tinha que ir lá conferir ainda, só ia deixar a mina em casa primeiro. Tava a caminho da moto com ela, quando o barulho do outro lado da rua me chamaram a atenção.
— Que porra é essa, irmão? — Perguntei pro TK.
— Sei não, os cara não voltaram ainda de lá. — Disse, tentando ver alguma coisa do lugar onde tava. — Quer que eu vá lá ver?
— Eu vou lá. Aproveita e deixa ela em casa pra mim, é lá no Portão do Vermelho. Tu sabe onde? — Ele negou com a cabeça. — Guia ele ai, tranquilo? — Dei um beijo no canto da boca dela e ajeitei o cordão da bandoleira, arrumando a posição da arma nas minhas costas e fui na frente. O restante dos meus seguranças vieram atrás de mim. Cheguei lá e me deparei com o DR todo sujo de terra e com uns arranhões foda no rosto. Larissa tava por perto discutindo com ele.
— O que que tá havendo aqui, irmão? Que baderna da porra. — Reclamei e a Larissa levantou pra me olhar.
— Esse imbecil acabou de brigar com a mulher dele aqui no meio da rua. De porrada... esses dois... — Ela negou com a cabeça, com as duas mãos na cintura.
Os caras que estavam ao redor riram da situação e eu estranhei o fato da Larica estar ali e não no depósito contando a minha droga, que tinha acabado de chegar. Tava foda dessa gente fazer o trabalho deles.
— Isso é coisa pra tu resolver dentro da tua casa, DR. — Me aproximei do outro, que ainda tava no chão, parecendo meio chocado com o que tinha acontecido. Não parecia alguém que tinha batido numa mina em público ali, parecia só ter apanhado dela. Apostava 100 conto que tinha chifrado a mulher dele. Estendi a mão pra ele se apoiar e levantar. — Tu é moleque novo, então já vai aprendendo. — Levei aquilo por menos pra não causar ali. Eu era tolerante com ele por motivo óbvios, ele me era útil.
— Eu sei... desculpa, patrão. — Ele respondeu, segurando minha mão e se colocando de pé. Nessa hora eu senti um cheiro nele... um cheiro que captou minha atenção na hora. Perfume de mulher, amadeirado, um que eu conhecia bem e que há muito tempo eu não sentia. Franzi a testa, me virando pra olhar pra ele.
— Que perfume é esse, irmão? — Perguntei, me aproximando pra sentir melhor. O cheiro era forte quando chegava perto, mas ficava mais distante, quando misturado com a terra que tava grudada nele. Era um daqueles perfumes muito marcantes, que dava pra sentir no lugar todo quando alguém chegava com ele. Não podia ser o que eu achava que era, né? Mas era. Era ele sim...
— Tu usa perfume de mulher tu? — Um dos meus seguranças perguntou, rindo.
— Eu não... — Ele negou com a cabeça. — É da mina.
— E que perfume ela tava usando? — Quis saber, procurando o cheiro de novo depois que ele cessou. Tava ficando mais fraco... ou talvez fosse só o meu nariz se acostumando com ele.
— Não sei. — Respondeu sem dar detalhes e eu fiquei meio bolado com aquilo.
— Isso é o Lights. Parece muito ele. — Falei mais pra mim do que pros outros.
— Aí, DR, vai lá na loja e compra pra ela agora que tu já sabe. Aproveita pra deixar ela de boa contigo de novo. — Continuou os caras a zoarem ele. Minha mente entrou em parafuso. Eu tava confundindo, não tinha como... Passei a mão no rosto com força. Porra, eu tava ficando paranoico, só pode.
— Essa porra não vende mais faz mais de 10 anos. — Olhei pro segurança que tava falando com o DR.
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
