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— Eu tenho certeza que tu tá me roubando, tu é muito 171. — Acusei o Russo, chutando a perna dele. — Pode devolver o que tu pegou pro banco, mão leve.
— Eu não, porra, isso aqui eu conquistei, beleza. Tu só tá de graça porque tu queria minha propriedade aqui. — E esfregou o conjunto de propriedades verdes que ele tinha conseguido completar.
— É mentira sua. Mostra os bolsos. — Mandei, já indo pra cima dele.
— Esse é o Banco Imobiliário mais caótico que eu já joguei. Vocês não sabem brincar não, mané... — Dalila gargalhou com a luta corporal que eu e o Wallace entramos. Eu queria de qualquer jeito meter a mão no bolso dele, porque eu tinha certeza que tinha um monte de nota ali. Nós três estávamos passando mal de rir. Larissa resolveu ficar por ali também depois de colocar o Pedro na cama, mas não quis jogar. Ficou quieta num canto, bebendo um Gin com a gente.
Já passava das 3h da manhã e todo mundo ali tava com a corda toda. Ficar lutando com o Russo deu uma canseira em nós dois e, no fim, ele mostrou os bolsos... vazios. Quando eu comecei a achar que tava errada, ele passou a mão por baixo do sofá e tirou um maço de nota de 100.
— Filho da puta, eu sabia! — Xinguei ele, ofegante pelo esforço físico. Dalila não conseguia parar de rir.
— Tu é esperta mesmo, hein? Jurei que tu não ia pegar. — Ele debochou de mim.
A gente parou com o jogo e, com o tempo, o sorriso foi morrendo. Ficamos olhando um pra cara do outro. Ninguém queria falar nada, mas o pensamento de todos nós correu pro mesmo lugar.
— Quantas pessoas são? — Eu não especifiquei sobre o que eu tava dizendo, mas eu nem precisava. Todos entenderam.
— 18. Quatro não quiseram se envolver. — Explicou o Russo. — Tu tem o meu voto e o da Larissa de liberação. O do Túlio eu acho que tem também. A gente precisa convencer pelo menos 6 pessoas a votar em teu favor também, tá ligada?
— Uhum. — Concordei com a cabeça.
— Tenta não perder a linha amanhã. Vai ter muita gente pra te tacar pedra, vai ser melhor se tu só engolir calada. — Larissa disse, por fim. — Discutir com quem vai votar no tribunal não vai te ajudar em nada.
— Eu não sou burra, é claro que eu não vou...
— Tu não tá entendendo não, Nina. Vão te botar contra a parede e questionar todos os pontos do que tu contar. Já tem gente ai de burburinho falando que a Maria Ísis não é filha do Barbás, tu vai ouvir barbaridades e um pouco mais amanhã. Se ouvir e ficar na tua, vai ser melhor pra você. Por isso eu tô falando.
Concordei com a cabeça dando mais um gole na cachaça gold com um pauzinho de canela dentro. Desceu queimando a minha garganta e me despertou pra realidade.
— Tu acha que a gente tem o voto do Barbás? — Perguntou a Larissa. — Dalila, tu que vai com ele no terreiro, disseram alguma coisa?
— Não me deixam mais ver o futuro da Nina no jogo. — Confessou, parecendo frustrada. — Eu tentei nas cartas, a mãe de santo nos búzios e nada. A única coisa que eu vejo quando tiro o jogo é que as coisas não vão terminar como nós imaginamos e muita turbulência, muito nublado. É um mistério que os guias não vão nos deixar saber.
— E sobre o Barbás? — Foi o Russo quem quis saber.
— Ele não me disse, os guias deles também não. — Ela deu de ombros.
— Nina? O que você acha? — Insistiu o meu irmão. — A gente pode contar com ele a favor de você?
— Não sei. Sinceramente... Teve tempos que eu achei que sim, mas hoje eu só não sei. — Bufei, meu sentiu mal com os rumos daquela conversa. — Ele não veio nem pra casa hoje. — Sussurrei, sentindo um aperto no meu coração.
— Não dá pra contar com ele agora. — Disse a Larissa. — Vamo focar nos outros 14.
A gente conversou, conversou e conversou sobre todas as possibilidades. De dar tudo certo, ou de dar tudo errado. Eu e Russo evitamos entrar no tal do "plano B". Depois do que tinha rolado, do Barbás descobrir que ela tinha me ajudado há uns anos, era melhor deixar ela de fora mesmo.
Só que eu e ele já tínhamos traçado um plano de fuga, que era muito, muito, arriscado. Era provável que eu fosse ser executada na mata, caso eles me decretassem. Dalila ia dar um jeito de começar uma comoção na Ápia, algo como simular uma invasão, um ataque, algo do tipo. Uma maneira de mobilizar todos os homens pra lá. Ficariam poucos pra realmente sujar as mãos comigo e, nessa fragilidade, eu e ele agiríamos.
O fato é: isso comprometeria o Russo e a Dalila pra sempre e foderia a reputação do Barbás. Além disso, eu tinha 2 opções: mandar minha mãe tirar a Ísis na encolha e perder a medula do Barbás, ou deixar ela com ele, que era um futuro mais incerto que o inferno. De qualquer forma, no fim, eu acabaria perdendo a minha filha.
Um preço muito caro por uma vida.
Por isso, até se fosse necessário botar ele em ação, eu não sabia se eu teria coragem.
Era uma situação impossível. Dentro de mim, eu estava perdida. Levantei todas as minhas armaduras, estava forte como uma rocha por fora. Por dentro, eu estava em agonia.
Eu sabia que meus irmãos teriam coragem de jogar tudo pro alto e fugir comigo, pra me salvar. Sabia que minha filha preferiria passar por anos de luta contra essa doença maldita a ficar sem mim.
Sabia.
Mas seria o melhor pra eles? É claro que não. Eu ia foder a vida de todos eles em troca da minha. Como eu podia tomar uma decisão dessas?
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
