— Não precisa nem dizer, a gente sabe que não devia ter acontecido. — Sentei de volta na minha cadeira. — Não adianta chorar o leite derramado, mas dá pra secar, né?! Eu só não quero correr o risco de ter outro filho.
— Achei que tu usava remédio. Apesar de da última vez não ter prestado pra porra nenhuma. — Havia acusação nos seus olhos semicerrados pra mim.
— Uau, sim, por que não lavar roupa suja agora, né?! — Ri, achando aquilo muito inacreditável. — Se tu quer saber, eu não uso mais remédio porque eu tive um desequilíbrio hormonal na gravidez. Fiquei com medo de voltar depois e tava de boa, porque existe camisinha.
— Que você não lembrou de usar. — Disse ele.
— E nem você. — Acusei. — E perceba que a responsabilidade era sua, até porque eu tô trancada ali dentro e você quem sai, e provavelmente tem algumas delas em algum lugar dessa casa. Aliás... espero que você tenha mesmo, por que se não, eu quero um PEP também.
— Namoral, cala a boca. — Ele virou de costas pra sair e eu fui atrás, segurando o braço dele. Barbás me olhou como se eu fosse a mais ousada e burra das mulheres. Não tinha nenhum traço de agressividade nele, como normalmente. Ele só parecia bem cansado e provavelmente irritado consigo mesmo.
— Pera ai, pera ai. — Pedi. — Sobre o lance do tribunal lá, me dá uma luz.
— Achei que a Larica já tivesse te explicado o óbvio. — Ele disse, meio rabugento, então dava um tranco pra soltar seu braço do meu aperto. Bom, já dava pra saber que ele tinha escutado uma parte da minha conversa com a Larissa. — Mas não se preocupa que tá tudo encaminhado. Os irmão que tava com a gente lá atrás já tão ciente de que vai acontecer, semana que vem essa merda vai estar toda decidida.
— Tá, mas eu tenho que correr atrás de gente pra comprovar o que eu tô dizendo, né?! Como eu vou fazer isso se tô aqui dentro? — Perguntei.
— Isso é problema teu, Marina, e eu tenho mais o que fazer, eu tô ocupado pra caralho pra ficar perdendo tempo aqui. — Ele quis sair de novo e eu insisti indo atrás dele, que se irritou, pegando com força no meu braço pra me arrastar o caminho de volta pra parte de trás quase todo. — Me escuta, só me escuta, tá? — Empurrei ele pra parar em frente ao meu quarto. — Pela Maria, porra, como que eu vou pensar num jeito de trazer ela aqui se eu tô nessas porras de condição? — Perguntei e ele parou. Sabia que eu ia acabar sensibilizando ele daquele jeito.
— Eu... — Limpei a garganta. — Bom, eu tava falando com a Larica sobre os quartos lá...
— É pro meu filho que eu tô mandando reformar. — Contou. — Pros meus filhos.
— Então, você levou mesmo a sério a Maria... — Concordei com a cabeça, dando um sorrisinho de canto.
— É claro, porra. É minha filha, não é? — Perguntei, parecendo irritado com a minha fala. — Tá achando que eu sou moleque pra dar perdido? Sou homem, porra. Eu assumo as coisas que eu faço. Não é porque eu não tô te pressionando pra trazer ela, pelo único motivo da garota estar doente, que eu não tô interessado nela.
— Eu sei, eu nunca duvidei que esse fosse ser seu jeito de lidar com isso. Tu tem postura, é um bom pai. — Dei de ombros. — Não me arrependo de ter tido uma filha contigo, apesar de não querer de outra nem amarrada... A questão é que, o Pedro vem semana que vem e eu acho que pode ser uma boa ideia trazer a Maria Ísis pra te conhecer e conhecer o irmão dela. — Comecei a falar. — Vocês são uma família, eu quero dar isso pra ela, porque às vezes eu sei que eu não sou o suficiente pra ela.
Ele me soltou e sentou no banco do lado de fora, com um dos pés sobre o estofado, com o braço apoiado sobre o joelho erguido. Um posição muito mais relaxada... Barbás tirou um maço de cigarros no bolso e levou um deles à boca, acendendo com o isqueiro.
— Ela é esperta, não demorou nada pra notar que não tava certo ela só ter eu na vida. Ela já me fez um desenho com um buraco branco e disse que era porque ela não tinha pai. — Dei de ombros, me sentindo meio frustrada por aquele fato. Maria tinha puxado toda a perspicácia do pai.
— Você disse pra ela que eu não existia? — E ele não parecia nem surpreso com isso. É... eu tava sendo nivelada bem por baixo mesmo.
— Não, po. Eu disse que ela tinha pai, mas disse que ele tava longe demais pra ela conhecer. Eu tenho enrolado a bichinha desde então. — Ele não falou nada, continuou em silêncio me escutando. — Vou dar um jeito de contatar o Dr. Guilherme, a gente pode pedir isso pra Dalila, pra ele analisar a situação e ver se tem como ela vir, sem oferecer riscos pra saúde dela nesse meio tempo. Se ele liberar... — Expliquei tudo pra ele, o que eu já tinha pensado antes com a Larissa.
— Eu tava pensando em alguma coisa desse jeito aê quando mandei reformar um dos quartos, só me antecipando. — Ele disse, tragando o cigarro e me observando.
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
