Não esperei nem ele terminar de falar e já me agarrei nele que nem um bicho preguiça. Passei meus braços pelos seus ombros e juntei nossos corpos tanto quanto eu pude, apertando ele contra mim como se minha vida dependesse disso. E talvez dependesse mesmo... o afeto, o amor dele era como uma droga pra mim. Era tão prazeroso quanto era dolorido.
Virei ele novamente, apertando minhas coxas contra a lateral do seu corpo. Montei ele, pressionando minha buceta contra ele, precisando urgentemente do contato, do calor, do prazer. Eu tava ardendo de desejo e de saudade, morrendo de saudade não de transar, mas de fazer amor como eu só conseguia fazer com ele. Entre o choro pela emoção do momento e o tesão que me revirava a pelve, eu me permiti me perder nos braços daquele homem mais uma vez.
[...]
O dia correu e nem eu, nem ele, vimos as horas passarem. Porra, a gente dormiu até o final da tarde, juntos, naquela cama maravilhosa que ele tinha no seu quarto. A gente só acordou quando uma vozinha fina, estridente e tremendamente doce, invadiu o quarto com toda a sua alegria.
— Mãe, mãe, mãe! — Ouvir a Ísis me chamar me despertou na hora. Levantei no pulo, me sentando na cama e envolvendo os lençóis ao redor do meu peito. Porra, não acreditei que eu tinha dado mole de ser pega pelada pela minha filha.
— Oi, neném da mamãe... — Pigarrei pra acordar o Will, que tava apagadasso do meu lado, enquanto colocava a minha menina sentada no meu colo.
Ísis veio correndo e pulou na cama, se jogando no meu colo. Cutuquei o Barbás com uma unha com mais força, aí sim, ele acordou. Afoito, ele sentou rapidão, que nem eu tinha feito antes, olhando pra Maria com a cara de quem tinha visto um fantasma.
— Oi, papai. — Ela falou com ela, querendo ir na direção do William. Agarrei ela no meu colo e não deixei ela se mover um centímetro sequer.
— Vai botar uma roupa, Will. — Mandei, dando um apertão na Ísis pra ela parar de forçar o corpo na direção do pai. — E tu sossega aí. Aliás, quem te trouxe, minha filha?
— Fala aí, meu amor. — Barbás se debruçou pra dar um beijo no topo da cabeça da Maria. Depois, ele levantou, puxando o lençol todo da cama pra amarrar na cintura e proteger a nossa filha de uma visão indecente. Acontece que o mesmo lençol que ele puxou, era o que eu tinha enrolado no meu peito. Porra, eu tive que pensar num flash por causa daquele puto. Resgatei o edredom jogado no chão num piscar de olhos e entrei inteira dentro dele, enquanto a Ísis me olhava da cama com uma expressão de ponto de interrogação no rosto.
Não que o problema fosse ela me ver pelada, eu e ela tínhamos intimidade o suficiente pra enxergarmos isso de maneira natural. Eu e minha filha éramos muito grudadas. O problema todo era, na verdade, ter que explicar pra ela porque eu tava pelada. Ainda não tava na hora de explicar de onde vinham os bebês.
E é claro que eu não ia ser poupada dos meus piores medos. Ela era inteligente demais pra isso.
— Mamãe, você tá... — Ela começou a perguntar e eu já sabia qual era.
— É que a mamãe tá com um puta de calor, filha. Hoje tá abafadão, né? — Foi a primeira desculpa que passou pela minha cabeça.
— Mas tá chovendo, mãe. — Ela tinha um tom reticente na voz. Abri a cortina discretamente, vendo que tava rolando um toró brabo pra fora. Pelo pequeno fluxo de água que tava descendo pela lateral da rua, já dava pra perceber que tava chovendo há um tempo já. Porra.
— Por isso tá abafado. — Continuei na desculpa.
— Mas...
— Que "mas" o quê, Ísis? Parou com o interrogatório, hein? — Já dei uma puxada de orelha pra pular fora da curiosidade dela. Eu ia, pelo menos, preservar a inocência dela por mais alguns muitos anos. — Eu quem faço as perguntas aqui. Quem te trouxe que você não falou ainda?
— Foi a tia Larissa, mãe. — Ela disse e eu franzi o cenho.
— A Larissa?
— Ela pegou eu e o Pedro lá na casa da vó. — Falou direitinho. Era estranho notar como ela já ia perdendo o jeito enroladinho de falar. Ela tava crescendo tanto... — Com o tio Gui...
— O Guilherme tava com você? Ele tá bem, filha? — CARALHO, O GUI. Eu não tinha conseguido falar com ele até então, por isso, eu não tinha tido notícias. Tava preocupada e agora também tava me sentindo culpada por não ter ido atrás de ver se ele tava ok. O Barbás tinha pegado meio pesado com ele... e meus problemas pessoais tinham tomado todo o meu tempo. Porra, eu era uma amiga horrível.
Da porta do banheiro, Will já tinha colocado uma bermuda de tactel e tava olhando pra mim com uma cara de cu do tamanho do mundo.
— Relaxa que o doutorzinho tá bem, caralho. Não te falei que não ia fazer nada com ele? — Disse ele, entrando no quarto e abrindo a porta do guarda-roupas dele. — Né, filha? — Perguntou pra Ísis, que concordou com a cabeça só pra agradar ele mesmo. Certeza que ela não tinha entendido metade da nossa conversa.
— Ele tá aqui, mamãe. Ele, a Larissa e o Pedrinho. — Contou. Eu e o Barbás nos entreolhamos rapidamente.
— Aqui na minha casa? — Eu vi o Barbás estreitar os olhos e uma onda de irritação estampar o seu rosto.
— Lá na sala. — Falou, puxando da cama de volta pro chão. — A tia Larissa disse que o Gui queria falar com você, mamãe, ai ela trouxe a gente e ele...
— Comigo? — Franzi o cenho de novo. Ele não ia ser ousado o suficiente pra vir na casa do Barbás depois de ontem sem um bom motivo, né? Gui era inteligente e prudente demais pra fazer uma burrice dessas. Alguma coisa tinha. — Fica ai com seu pai que eu vou me vestir, amor. — Fiz um carinho nos cabelos dela. — Will, me joga uma blusa ai que eu tenho que ir lá no quarto pegar minhas roupas.
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
