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Ele levantou e me olhou como se quisesse me matar por estar tendo a coragem de falar uma coisa assim na cara dele. Estremeci no lugar, determinada a não fraquejar agora, mesmo sabendo que, talvez, eu tivesse passado um pouco dos limites.

— Não tem nenhum segredo. Meus irmãos me amam, o Túlio é um anjo... — Dei de ombros. — Eu não fiz nada com eles, assim como eu não faço nada com você. É tudo coisa da sua cabeça.

Ele me encarou com advertência no olhar, lentamente veio caminhando até mim e eu discretamente me afastei para a parede mais próxima do meu quarto. Ele tava ali, sem suas armaduras, eu não ia deixar de aproveitar a oportunidade de dizer as coisas pra ele, enquanto ele ainda estava escutando.

— Eu não sou culpada pelo dia nascer nublado, sabe? Isso é culpa da chuva. Nem tudo sou eu... — Dei de ombros. — Você quem fica doido pensando em mim por aí. Eu tô tão dentro da sua cabeça assim, pra tu associar uns bagulho doido assim à mim?

Barbás veio na minha direção tão rapidamente que eu me pulei no lugar, assustada pela aproximação repentina. Agora que ele tava ali, bem na minha frente, eu ainda ia ter coragem de dizer aquelas coisas pra ele?

— Por que você é diferente deles? — Falei baixo, olhando nos olhos dele, esperando ele me dizer qualquer outra coisa mais. — Por qu... — Ele grudou em mim, me pressionando contra a parede e colocando a mão na minha boca.

— Cala a porra da boca. — Esbravejou contra mim e eu me calei, engolindo em seco. Ele simplesmente me pressionou no lugar, tão junto que eu senti sua respiração descompassada. Inconscientemente, um arrepio absolutamente sensual percorreu o meu corpo, por culpa da proximidade. O meu corpo ainda reconhecia o dele, mesmo depois de todo aquele tempo... mesmo que não tivéssemos mais na posição de marido e mulher. Não, aquilo não era nada racional, era sobre carne e impulsos. Não tinha nada a ver com a cabeça... Notar isso me roubou o fôlego e a respiração, fiquei sem rumo com a constatação.

Tentei me desvencilhar dele, que me empurrou de volta pra parede. Eu não entendi se ele ia me dar um soco ou me beijar, mas alguma coisa era...

— Sua filha da puta traiçoeira. — Xingou, me imprensando contra a parede. Eu soquei o peito dele com raiva. Eu odiava quando ele começava a me acusar e me xingar por coisas aleatórias. Me debati contra ele, sustentando o seu olhar com a mesma ferocidade. — Eu odeio você. — Tinha raiva marcando cada uma das suas palavras, com a mandíbula trancada. Ele tava puto? Agora eu tava também. Ele tinha o dom de zerar minha paciência bem rápido. Tinha uma chama ardendo dentro de mim, agora eu queria queimar ele junto.

Na hora, uma luz acendeu na minha cabeça. Barbás não era honesto comigo, eu sabia disso. Sabia o quanto ele gostava de me deixar no escuro e jogar comigo quando eu não sabia onde eu tava pisando, nem com o que estava lidando. Aquilo, porém, ele não podia mentir. Ele não ia conseguir dissimular aquela única parte... Eu ia tirar uma prova dos 9.

Me aproveitei da proximidade e o surpreendi com uma coisa que ele provavelmente não tava esperando de mim. Me inclinei e devolvi a porra do chupão que me deixou. Como a cobra que ele achava que eu era, dei o bote levando as duas mãos a lateral da cabeça dele e dando uma mordida pouco delicada no pescoço dele, pra depois sugar a área sensível do pescoço a ponto de deixar uma marca no lugar. Aproveitei o momento atônito dele pra friccionar muito suavemente uma das minhas pernas no seu pau, quase instigando o que eu esperava que viesse a seguir.

Quando ele voltou a si, suas mãos agarraram as minhas com violência e ele me empurrou contra a parede novamente, me imobilizado com seu corpo, enquanto tentava se manter o mais longe de mim quanto possível, por mais contraditório que isso parecesse. O olhar no seu rosto era mais que surpresa e raiva agora. Ele tava literalmente incrédulo com o que eu tinha feito, mais que chocado. Eu o vi perder mais ainda o controle que tinha sobre a própria respiração... e por todas as respostas fisiológicas do seu corpo.

— Odeia mesmo? — Debochei com a voz sussurrada, subindo meu joelho devagar até sarrar lentamente na pélvis dele. A proximidade me permitia isso... não, ali ele não ia me intimidar. O pau dele tava duro por dentro da bermuda. Algumas coisas não se podia negar, nem mentir, muito menos esconder, por mais que se quisesse muito. Olhei pra ele com um sorriso de escárnio e com a respiração ofegante. Barbás não se moveu, mas eu vi algo cintilar nos seus olhos. Desafio. Em resposta, ele levou um das mãos ao meu pescoço. Grunhi de raiva, socando o seu peito de novo, ele se aproximou ainda mais só pra mostrar como eu não tinha força nenhuma pra afastar ele.

Cuspi nele. Eu nem pensei sobre isso, foi quase instintivo. Ele engoliu em seco, fechando os olhos e mentalizando alguma coisa. Depois, me segurou com o corpo, enquanto a mão livre limpou o rosto. Seus olhos se abriram de novo, me encarando... Estavam diferentes. Sua expressão mudou e eu não consegui acompanhar, porque ele deu um jeito de devolver a afronta, lambendo a lateral da minha mandíbula. Eu pisquei, fechando minhas mãos contra a sua camisa. Não tava esperando por aquilo... Olhei pra ele com os olhos arregalados. Se a intenção foi me fazer sentir nojo, ele tinha falhado e isso era o mais assustador. Tesão. Eu ainda conseguia sentir a porra do beijo e do chupão que ele me deu, e mesmo que ele não se lembrasse, aquilo ainda tava vivo na minha cabeça.

Parei de lutar e fiquei olhando pros olhos dele, sentindo alguma coisa alastrar o incêndio dentro de mim. Eu sei que ele sentiu também, porque eu vi conflito nos seus olhos... Eu não tinha restrição nenhuma contra ele, muito pelo contrário, eu não tava nem ai. Tá, o jeito que ele tava agindo comigo nas últimas semanas me magoava, mas eu já sabia que ia ser assim. Eu procurava não tirar a razão dele, até porque eu podia imaginar as coisas que ele tinha sofrido, parte delas por minha causa. Eu não odiava ele e, bem, se ele achava que tinha motivos pra me odiar, o problema era dele. Eu não ia segurar os meus impulsos, ele que segurasse os dele.

Afinal, esse era o meu poder contra ele, sabia. Se ele ainda tinha desejo por mim, se ele sentia aquilo que eu tava sentindo naquele momento, então era ali que ele ia perder pra mim. Suspirei, sentindo o ar ficar rarefeito.

— Me solta. — Sussurrei com a respiração ofegante, girando meus pulsos no lugar pra conseguir me desvencilhar do aperto dele. Consegui livrar as mãos. Eu desci ela entre os nossos corpos com dificuldade e segurei o pau dele por cima da bermuda, voltando meu olhar pra ele com um sorriso vitorioso nos lábios. — Tu não tem como mentir. 

Coração em GuerraOnde histórias criam vida. Descubra agora