116

1.9K 118 1
                                        

Peguei o vidrinho e enchi umas três medidas do dosador que vinha no próprio vidrinho do extrato, daqueles que tinha uma borrachinha de apertar em cima e que pingava, e joguei dentro do whisky. Eu esperava, sinceramente, que a mistura não fosse me matar. Dei uma misturada e, sem gelo nem nada, mandei pra gente, sentindo o líquido descer queimando pela garganta. Cheguei a fazer até uma careta com o ardido.

Enquanto isso, Maria me olhava com suas íris de jabuticaba, bebendo seu leite como quem não quer nada. Não apressei ela, muito pelo contrário, enquanto ela continuava ali tomando o negócio, eu fui apagar a prova do meu crime. Devolvi a garrafa pro lugar onde ela tava anteriormente e joguei água no copo. Zero a zero.

— Acabou, filha? Vamos subir. — Chamei, levando ela pro corredor com a mão. Pedi pra ela esperar um pouco e dei uma corridinha de volta pra cozinha. — Desculpa, Lena. Eu sei que eu tô fazendo da sua vida um inferno, você não merece... Desculpa, tá?

Ela suspirou e se virou pra mim, parando de mexer a panela.

— Não é nada não, Nina. Se eu tivesse no seu lugar, eu nem sei o que eu faria, viu menina?

Dei um sorrisinho tenso pra ela e concordei com a cabeça, saindo de novo e pegando a Maria Ísis no colo no pé da escada. Cara, como essa bicha tava pesada. Eu não ia cansar de me dizer isso. Na boa, eu não tinha mais coluna pra carregar ela por aí.

Pedi pra ela fechar a porta quando chegamos no quarto e, aí, na privacidade de um lugarzinho só nosso, a gente pôde relaxar de verdade. Coloquei ela na cama e fechei as cortinas grossas do lugar, pra depois puxar todos os cobertores e pular pro seu lado. Deitei de barriga pra cima, vendo ela testar as molas do colchão com o corpo, como eu imaginei que fosse fazer.

— Só não pula pra não quebrar a cama, tá? — Falei, com as mãos cruzadas em cima do meu corpo.

— Mãe... — Ela chamou manhosa, vindo pro meu lado e deitando na minha barriga. — Aquele tio machuca a mamãe? — Perguntou, parecendo preocupada. Franzi a testa, tentando entender o que ela queria dizer com aquela frase. Aí eu lembrei da hora que ela chegou, como eu e o Barbás estávamos nos atracando no chão e metendo a arma um na cara do outro. Óbvio que ela ia reparar. Talvez fosse essa a restrição e a desconfiança dela em relação à ele. Era bom acabar com as dúvidas de uma vez.

— Não, filha, não machuca não. — Suspirei, passando a mão nos cabelinhos dela, massageando seu couro cabeludo com as minhas unhas. Tecnicamente era verdade, ele não me machucava fisicamente... mas o coração... e que ódio que tinha dele por isso. — Ele é um cara legal, sério.

Peguei o vidrinho e enchi umas três medidas do dosador que vinha no próprio vidrinho do extrato, daqueles que tinha uma borrachinha de apertar em cima e que pingava, e joguei dentro do whisky. Eu esperava, sinceramente, que a mistura não fosse me matar. Dei uma misturada e, sem gelo nem nada, mandei pra gente, sentindo o líquido descer queimando pela garganta. Cheguei a fazer até uma careta com o ardido.

Enquanto isso, Maria me olhava com suas íris de jabuticaba, bebendo seu leite como quem não quer nada. Não apressei ela, muito pelo contrário, enquanto ela continuava ali tomando o negócio, eu fui apagar a prova do meu crime. Devolvi a garrafa pro lugar onde ela tava anteriormente e joguei água no copo. Zero a zero.

— Acabou, filha? Vamos subir. — Chamei, levando ela pro corredor com a mão. Pedi pra ela esperar um pouco e dei uma corridinha de volta pra cozinha. — Desculpa, Lena. Eu sei que eu tô fazendo da sua vida um inferno, você não merece... Desculpa, tá?

Ela suspirou e se virou pra mim, parando de mexer a panela.

— Não é nada não, Nina. Se eu tivesse no seu lugar, eu nem sei o que eu faria, viu menina?

Dei um sorrisinho tenso pra ela e concordei com a cabeça, saindo de novo e pegando a Maria Ísis no colo no pé da escada. Cara, como essa bicha tava pesada. Eu não ia cansar de me dizer isso. Na boa, eu não tinha mais coluna pra carregar ela por aí.

Pedi pra ela fechar a porta quando chegamos no quarto e, aí, na privacidade de um lugarzinho só nosso, a gente pôde relaxar de verdade. Coloquei ela na cama e fechei as cortinas grossas do lugar, pra depois puxar todos os cobertores e pular pro seu lado. Deitei de barriga pra cima, vendo ela testar as molas do colchão com o corpo, como eu imaginei que fosse fazer.

— Só não pula pra não quebrar a cama, tá? — Falei, com as mãos cruzadas em cima do meu corpo.

— Mãe... — Ela chamou manhosa, vindo pro meu lado e deitando na minha barriga. — Aquele tio machuca a mamãe? — Perguntou, parecendo preocupada. Franzi a testa, tentando entender o que ela queria dizer com aquela frase. Aí eu lembrei da hora que ela chegou, como eu e o Barbás estávamos nos atracando no chão e metendo a arma um na cara do outro. Óbvio que ela ia reparar. Talvez fosse essa a restrição e a desconfiaça dela em relação à ele. Era bom acabar com as dúvidas de uma vez.

— Não, filha, não machuca não. — Suspirei, passando a mão nos cabelinhos dela, massageando seu couco cabeludo com as minhas unhas. Tecnicamente era verdade, ele não me machucava fisicamente... mas o coração... — Ele é um cara legal, sério.

Coração em GuerraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora