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— É... eu tô por aqui, vendo o que vai rolar. O amigo lá de cima disse que não é gente dele, eu nunca vi essa gente na minha vida. — Falei, suspirando. — ...o que eu tô fazendo aqui? A história é longa, depois eu explico.

— Como é, dona Cláudia? — Ouvi a Dalila falar do meu lado, me olhando em pânico.

Fechei os olhos e bufei. Puta que pariu... Tampei o microfone com a mão, antes de fazer a pergunta do milhão.

— Sem rodeio. Tem gente lá? — Perguntei com pressa. — Sim ou não.

— Ela acha que sim... Tá ouvindo barulho na fechadura, mas pode ser só... — Não deixei nem ela continuar. Eu já tinha entendido que, talvez, elas fossem o foco daquilo. Eu não sabia o porquê exatamente, mas a filha do Barbás devia valer uma nota preta pra ele... Ou podia ser alguma coisa da Nina. Eu não sabia, mas talvez, fosse ela quem eles quisessem. Se estavam lá, então, era aquilo. Sem mais, nem menos.

— Não, não é. — Falei por cima dela, levando uma das mãos aos cabelos. — Manda ela pegar a menina e quem mais tiver na casa, e se trancar num cômodo longe da porta. Ela precisa ganhar tempo.

Enquanto ela repassava o recado, eu voltei a falar com o Barbás.

— Eu vou entrar dentro do prédio pra garantir a segurança da tua filha, só... manda gente. Eu vou sozinha, então, eu vou ficar espera, tá? — Falei. Eu senti que ele ia resolver vir junto, mas eu sabia o tamanho da merda que podia dar se ele se envolvesse. — Não vem, vai dar polícia aqui já já. Esses merdas tão chamando muito a atenção, não dou 2 minutos pras madames discarem 190. Deixa comigo, que eu não tenho nada pendente na minha ficha... Tá, olha, eu tô indo lá.

Desliguei sem rodeios e olhei pra Dalila, cobrando dela exatamente o andar e o número do apartamento, pra que eu não corresse o risco de esquecer e me perder.

— Eu vou com você. — Disse.

— Olha, nem começa. Tu não sabe atirar, não tem nem arma pra você. — Retruquei, testando as travas da minhas pistola. — Fica aqui, que é melhor.

— Eu posso te ajudar, poxa. Eu não sei atirar, mas tem alguma coisa que eu posso fazer. É melhor que te deixar entrar lá sozinha com aquilo tudo de homem e...

— Tá, ô, eu não vou discutir isso contigo. Fica aí e não sai até que voltar. — Não fiquei pra ouvir ela. Coloquei minha pistola numa posição que não chamasse muito a atenção e dei a volta, saindo do bar. Olhei ao redor, verificando se não tinha ninguém pra quem eu fosse abrir demais minhas guarda. Aparentemente não... atravessei como quem não queria nada, por trás do carro que tinha parado ali. Verifiquei discretamente o único motorista, que parecia estar esperando alguma coisa. Quando cheguei perto o suficiente, tirei a arma de cintura e, no mais 'xiu' que eu consegui, dei um tiro nele através do vidro de trás. Ele nem viu a bala que acertou ele, só tombou pra frente, por cima do volante.

Por causa do silenciador, só o que foi ouvido foi o estampido do vidro quebrando. Não sabia se tinha sido vista, mas corri pra dentro do prédio de qualquer maneira.

Lá dentro, já não tinha ninguém na portaria e eu aproveitei a deixa pra verificar as câmeras de segurança no porteiro. Percebi que algumas pareciam apagadas... desativadas. Vi em primeira mão a do 4° andar ser desativada com um tiro, mas não sem antes ter um vislumbre das posições daqueles fodidos. Esse andar, não por um acaso, era exatamente pra onde eu precisaria ir. Subi tranquila o primeiro lance de escadas, verificando cuidadosamente cada um dos corredores antes de avançar. Quando eu tava pra chegar no 2°, ouvi um monte de passos nas minhas costas, como se alguém viesse correndo na minha direção pra me deitar no soco. Virei minha arma pra direção do barulho e esperei. Assim que o primeiro vulto apareceu, no início da escadas, eu atirei. A pessoa se abaixou na mesma hora e deu um gritinho agudo. Na mesma hora, eu reconheci os cachos dourados. Isso me impediu de apertar o gatilho uma segunda vez.

— Que...? O que você...?! — Falei sussurrando, olhando pra todos os cantos, com medo de terem escutado ela e virem pra cima de nós. Eu tava perplexa com a ousadia e a burrice dela. Como essa imbecil fazia uma coisa dessas?! Caralho, quem era o burro que vinha desse jeito pra cima de alguém armada e acuada que nem eu tava? Tava implorando pra tomar um tiro.

Assim que eu dei o primeiro passo na direção dela, eu ouvi mais um gritinho. Porra! Eu saltei todos os degraus da escada pra chegar até ela em tempo record. Apertei ela contra a parede, colocando minha mão na boca dela.

— Infeliz desgraçada, quer tomar um tiro? Quer morrer e me levar contigo, porra?! — Eu desviava os meus olhos dela pra escada do andar de cima o tempo todo. — Eu mandei você ficar na porra do bar. — Minha voz, mesmo irada, era um sussurro infímio.

— Eu não quis que você viesse sozinha. — Falou mais baixo ainda, quando eu afastei só o mínimo pra ser capaz de ouvir ela. O seu braço esquerdo tinha o que parecia um grande corte ou um enorme ralado... um tiro de raspão.

Coração em GuerraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora