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Ela apertou minha mão, mas dando várias olhadas pro lado, pro Barbás, pedindo arrego. Ela tava muito desconfortável, tadinha... Será que ele tinha falado algo de mim pra ela? Ou só era eu sendo muito abusada mesmo. Eu já sabia onde eu tinha visto ela, foi na primeira vez que eu vim na Rocinha com a Larissa depois de voltar pro Rio. Ele devia gostar mesmo dela... Pra estar com ela de lá pra cá. A quanto tempo eles ficavam? Ele tinha apresentado ela pra alguém como a mulher de fé dele? Era provável que não, porque se não isso já teria chegado aos meus ouvidos, né? Ou não, porque trancada dentro de uma casa eu não tinha como saber de nada. 

Eu tinha que descobrir. 

— Não tava ligado que tu tava em casa não. Achei que tinha ido com a Maria Ísis e o Pedro pra casa da sua mãe. — Falou, agora me olhando meio cauteloso. — Tá vestida assim pra que? 

— Como assim pra que? Pra onde tu tá indo? — Perguntei. 

— Tu vai pro baile?

— Mas é óbvio que sim. — Respondi na mesma hora. — Tô a meses socada dentro de um cômodo, eu preciso ver essa favela do melhor jeito dela de novo. 

— E quem deixou? — Ele provocou, sabendo que eu ia tiltar. Tinha um ar de diversão no rosto dele, tava claro que ele não tava falando sério. 

— Ninguém, eu sou uma mulher livre e dona do meu nariz. — Dei de ombros, entrando na onda. — Tu não pode me impedir.

— Eu posso te impedir de fazer qualquer, tu ainda não tá ligada em quem eu sou até agora, né não? — Ele riu, certeza que achando meio inacreditável as coisas que eu falava. — Tu é muito fora de si mesmo, mulher. — E deu uns dois passos na minha direção, erguendo a mão pra pegar o pingente do meu colar. 

— Gostou? É foda né? — Falei, toda orgulhosa do meu cordão. Esperava que os diamantes cegassem ele e a putinha dele com o brilho. 

— Índia. — Ele repetiu em voz alta, como se lembrasse de um negócio que tinha esquecido há muitos anos. — Arrumou dinheiro pra comprar um bagulho desses onde? 

— Tu arrumou dinheiro pra comprar um bagulho desse onde? — Voltei a pergunta pra ele, pegando na corrente do cordão grossíssimo dele também. O William sempre tinha combinado com umas correntes grande assim, o negócio parecia valorizar as tatuagens dele. — Tu não tá ligado em quem eu sou até agora, né? 

Ele estreitou os olhos pra mim, ficando irritado comigo também. Se a garota não tivesse aqui, capaz de que ele falasse um monte no meu ouvido. Azar o dele então, né não? Resolvi que ia deixar ele na dúvida. Tinha umas coisas que eu não tinha contado mesmo, mas, aparentemente, ele também tinha uns segredinhos. Essa menina aqui na frente era um deles. Barbás soltou meu cordão, olhando pra mim uma última vez, de cima pra baixo, o brilho de desafio estampado no seu rosto. 

— Bora, Jéssica. O bagulho lá já começou. — Chamou a outra com a mão, colocando a camisa rapidão. No fim, ele escolheu o relógio dourado e tacou no pulso. 

— E o celular? — Tentei pegar e ele pegou na frente. — Coé, eu tenho que ligar pro Russo. 

— Tu tem é que sair atrás de mim de casa, se tu não quiser ficar trancada ai dentro, tá ligada? E é o que eu tô querendo fazer, então tu vem se tu quiser ir pro baile. — Falou, saindo do quarto e apagando a luz. A menina saiu correndo atrás e eu neguei com a cabeça, incrédula que ele realmente não ia deixar eu fazer uma ligação. Bom... se ele achava que ia me deixar bolada com isso, tava errado. Eu me virava. O que importava é que ele tinha ficado afetado. 

Saí atrás deles pela escada, ele até me esperou um pouquinho na porta. Sabia que ele ia adorar me deixar trancada em casa, então não dei mole de dar oportunidade dele fazer isso. Duvidava seriamente que ele me quisesse curtindo no baile, até porque ele conhecia meu gênio e sabia que tava fodido na minha mão. Ele abriu o portão pra tirar a moto dele e eu saí andando, me adiantando pela rua. Eu tinha que descer até a principal pra pegar um moto táxi. 

Desci a rua rindo a beça, muito feliz. Eu tava me sentindo demais, a sensação de só poder sair andando por aí, revendo cada bequinho da Rocinha era muito perfeita. Eu tinha esquecido o quanto aquela favela era incrível... eu sempre tinha sido apaixonada por ele. Pequenas coisas que me matavam de saudades das nossas épocas áureas. Eu quase conseguia me ver andando por ali há muitos anos atrás, com um fuzil enorme nas costas. 

Barbás passou de moto uns minutos depois e a vagabunda que tava na garupa dele até deu um tchauzinho pra mim. Atrás dele, 4 motos dos seguranças dele vindo atrás cantando pneu. 

— Um filho de uma rampeira de puteiro barato e sua putinha. — Xinguei quando eles passaram. — Tu não perde por esperar, corno. — Deixei a raiva que eu senti dele sair. 

Ciúmes era uma palavra muito forte, talvez eu só tava puta com a audácia dele de levar outra mulher em casa comigo lá. Mas de boa, 100% de boa. O chumbo trocado ia doer mais nele que em mim. O poder de uma mulher doida pra dar o troco ele não tava ligado. 

Fiz o sinal pra um motoboy que tava passando assim que eu botei o pé na Estrada da Gávea. Eu ia botar na conta do Russo, mas na real, eu ia botar na do Barbás mesmo. Foda-se. 

— Aí, amigo, boa noite. Me leva lá no valão. — Pedi, assim que ele parou do meu lado. — Vai em cobrar quanto? 

— Sobe aí. Até lá fica cincão. — Falou. 

— Bota na conta da Rua 1 ai, por favor. — Já fui botando a perna por cima da moto e subindo nela. 




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Boas noite, xuxuzis. Vamos que vamos que hoje deve ter uns 5, 6 posts de 1000 palavrinhas, se tudo der certa. Comecei umas 20 e pouca, um pouco tarde pro que a gente tinha combinado, mas estamos aí na pista e vai dar tempo de fazer tudo, se Deus quiser. Venham que venham, mores. 

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Coração em GuerraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora