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Era foda não ter como estar em dois lugares ao mesmo tempo. Se por um lado eu tinha a Rocinha, que realmente era o objetivo que tinha me trago até o Rio novamente, agora eu tinha as favelas pras quais eu vendia a maior parte da droga do Paraguai pra cuidar também. Eu não podia abrir mão de nenhum dos dois... Na primeira, eu precisava de uma coisa que só o Barbás podia dar, uma medula que fosse minimamente compatível com a Maria, além disso, se eu queria conseguir viver em paz nessa cidade, eu não podia ter inimigos tão grandes quanto ele. Do contrário, o mesmo motivo pelo qual eu tinha ido embora há tantos anos ainda continuaria valendo: não ia ser um ambiente seguro pra criar minha filha. Por outro lado, as favelas do Rio Comprido eram o polo de favelas era fundamental pra que o negócios da fronteira continuassem fortes e prosperando. Perder o controle delas estava fora de cogitação.

Fiquei o restante do dia ali com os meus irmãos, mas minha cabeça tava em outro canto da Zona Sul. Puta que pariu, viu?! Nada era fácil nessa vida. Meu humor foi pra puta que pariu e claramente eu não tava mais conseguindo me conectar nos assuntos deles. Ligamos todos juntos pra Maria, pra ela ver os tios e padrinhos dela, depois disso, eu voltei a viajar na minha mente. Quando a minha sombra saiu um segundo pra ir no banheiro, eu puxei o Russo de canto.

— Preciso de uma ajuda sua, mas tem que ser no 'xiu'. — Falei, encarando-o com firmeza pra que não pudesse negar. — Tu tem que descobrir o que tá rolando no Fallet-Fogueiteiro e no Prazeres pra mim, tá? Sei lá, tu pode convencer o Barbás, ou fazer no ilegal, mas não deixa ninguém descobrir. — Olhei pra ele em súplica. — É urgente. É de lá que vem meu dinheiro.

— Nina... — Ele bufou. — Não vai ser difícil convencer o Barbás a retaliar, pode ser que dê... O que especificamente tu quer de lá?

— Quero saber como tá o chefe de lá, o Barnabé, e principalmente como tá o Prazeres. Foca no Pirraça. — Instruí. — Vou ver com o Rogier quando ele pode voltar pra cá e eu tenho que saber onde ele vai entrar. Não vou meter ele num lugar pro cara tomar um tiro nas costas no primeiro passo.

— Vou ver o que eu posso fazer aí pra tu. — Encerrou o assunto me dando as costas. Nessa hora, o Piloto saiu do banheiro.

— É... Vai anoitecer daqui há pouco, vamo se adiantar, Piloto? — Perguntei pro homem quando ele passou por mim. Ele olhou no próprio relógio. Ainda era umas 16h30 e pouca, faltava mais de uma hora até o momento que eu tinha que estar voltando, mas mesmo assim, eu me sentia mal humorada demais pra ficar orbitando os meus irmãos.

Me despedi deles, pedindo pra Dalila continuar indo dar um suporte pra minha mãe com a Maria, antes de sair da casa e subir de volta na garupa da minha 'escolta'.

Coração em GuerraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora