— Então é ciúme. Que porra, mulher... — Eu ri da cara dela, que chegou a ficar vermelha se debatendo contra mim. Por um tempo eu esqueci que ela tinha fodido a mão e, enquanto ela ia me empurrando, ia sujando minha camisa toda de sangue. Tava um bagulho muito escroto, parecia que eu tinha matado alguém. Me afastei uns centímetros pra ver a cagada.
— E tu mandando bater no Márcio é o quê? Proteção? Eu tô ligada qual é a sua. — Ela respondeu com um tom agressivo, apertando os dentes um contra o outro. — Ficou a noite toda olhando pro cacete da minha cara como se...
— Cala a boca aí. — Falei, agarrando o punho da mão machucada dela. Puxei pra perto dos meus olhos, virando a palma pra cima. — Deixa eu ver como tá isso aqui.
— A gente não tava falando verdades aqui? — Falou por cima de mim. Ignorei ela pra ver o corte feio que ela tinha feito na mão. Aquilo tava fundo, devia estar doendo pra caralho. — Tu corre quando o barulho chega em você.
Puxei a Nina pela braço rua abaixo até onde tava minha moto, ela foi se debatendo e falando a porra do caminho todo. Era a porra de um saco, mas eu simplesmente fingi que não tava mais ouvindo. Eu já tinha entendido bem o que tinha rolado aquela noite. Pra ela e pra mim. A real é que ela ia morrer sem admitir, eu ia matar pra não ter que falar aquilo abertamente, mas eu e ela tínhamos botado pra foder por causa de ciúmes mesmo. Aquela porra era quase um obsessão. Porra, era foda. Tantos anos esperando o tempo apagar ela de mim e agora estávamos ali, olhando pra beira do abismo de novo.
— Caralho, para de falar um minuto, porra. Tu quer que eu fale o que? Que eu achei gostosão tu com o animal do Marciano lá? Não fode, Nina. Sobe no caralho da moto. — Perdi a paciência com ela, largando o braço dela e subindo na moto. Ela ficou parada olhando pra mim. — Anda, vou passar na farmácia 24h ali da Dioneia. Tem que fazer um curativo nessa merda aí. Bora, para de ser criança.
Ela fechou a cara e subiu garupa da minha moto. Não se segurou em mim, só cruzou os braços e ficou com cara de cu. Morri de vontade de empinar só pra ela aprender a andar direito na garupa, mas eu não tinha mais 15 anos. Se ela queria agir assim, era com ela mesmo. Desci a Laborieux, peguei a Gávea até a Dioneia, com o Túlio me seguindo de perto com a moto dele, junto com o outro segurança na garupa dele.
Aquela parte da favela, a parte alta, tava vazia por causa do horário e do dia. Domingo, 5h da manhã era difícil ver uma só alma viva por ali. Por isso, eu consegui acelerar pra caralho e chegar rápido onde eu queria. Por não ter transito, nem gente na rua, a favela parecia bem menor do que realmente, tanto em tamanho, quanto na quantidade de morador. Aquela porra era gigante, lotada, viva em quase todos os seus dias. Hoje não. Hoje a Rocinha dormia.
Parei em frente a farmácia e mandei a Nina ficar lá fora com o TK. Entrei rapidão pra comprar um rolo de gaze, esparadrapo, pra fazer um curativo, e um negócio pra desinfetar.
Voltei pra onde ela tava parada e já fui com ódio no meu coração tacando a água oxigenada no corte. Sabia que aquilo ardia que nem o inferno, tive que segurar a vontade de rir da cara que a Nina fez. Ela enfiou a unha no meu braço com uma força que eu achei que ela fosse arrancar a pele.
— Ô, minha tatuagem, caralho. — Tirei uma parte da gaze e enrolei na mão dela. — Vai arrancar pedaço desse jeito ai.
Ela não respondeu, fechando os olhos com força. Arranquei um pedaço do esparadrapo e colei a gaze do outro lado, fechando o curativo. Tinha ficado bem merda, eu não levava jeito pra essas porras não, mas era pelo menos não deixar infeccionar aquilo.
— Bora pra casa, sobe na moto de novo. — Mandei, quando eu terminei. Ela se afastou rápido, com uma mão estendida na minha direção. Olhei pra ela em sinal de advertência, implorando por paciência, porque a minha já tava no fim com ela.
— Não vou pra casa contigo não. — Respondeu, se afastando em passos lentos de costas. — Tô puta. Tô bebada. Tô triste. Me deixa em paz, na moral.
Ela virou de costas e entrou no primeiro beco que viu, subindo uma ladeira totalmente sem rumo.
Bufei, passando a mão na cara, sentindo a raiva borbulhando dentro de mim. Pior que criança, maluco... Nina já era difícil sem beber, quando ela perdia a linha era o inferno. Tirei a camisa cheia de sangue, joguei em cima da minha moto, sentindo os primeiros raios de sol baterem na minha cara.
— Vai dar um rolé por aí, Túlio. Dá uma volta no quarteirão que eu vou atrás dessa puta. — Arrumei a bandoleira da minha arma, jogando o fuzil pra trás e pegando as minhas pistolas da parte de trás da minha moto. Saí subindo atrás dela, respirando muito fundo.
TK me olhou meio torto, ele não gostava de me deixar andar sozinho por aí não. A real é que eu nem devia, a gente sabia que vagabundo que dava mole acordava com a boca cheia de formiga. Não devia faltar gente com vontade de me matar, um deles tava bem na minha frente andando em zigue-zague. As coisas que eu não fazia por essa canalha do caralho...
Porque não bastava só que ter corrido atrás de cobrar os favores, ou comprar, metade dos votos que ela teve em favor dela no julgamento... Não bastava eu ter me exposto pra caralho pra manter aquela ingrata de merda viva. Ela ainda tinha que me fazer ficar indo atrás dela pela favela pra me punir.
Acelerei o passo pra alcançar ela, segurando ela pelo braço e puxando ela pro canto.
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Mamacita chegou e hoje temos bastante post graças a Deus. Uns 4, se a minha criatividade ajudar. Ontem a chuva que deu aqui no Rio derrubou a luz de metade da Vila e como a Light faz questão de fingir que a gente não existe, só voltou hoje meio dia. Ainda tá chovendo pra caralho, espero que dessa vez o gato de ninguém pegue fogo. E VAMOS QUE VAMOSSSSS
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
