William não parecia estar conseguindo ajudar muito bem, até porque todas as vezes que eu dava as chaves na mão dele, o homem olhava tudo com um olhar de paisagem e nada saia disso. Melhor era eu correr atrás mesmo...
Depois de uns minutos, eu consegui abrir o portão e nos colocar pra dentro. Ai veio o Round 2, que era a chave da porta da frente. Enquanto eu me estressava naquele puzzle que era encontrar o segredo pra entrar na casa dele, Will tava sentado na varanda com um olhar muito melancólico no rosto, olhando pra mim, depois pro jardim e pra mim de novo.
— Por que tu... — Começou e dei uma pausa dramática na pergunta, provavelmente procurando palavras em seu cérebro adormecido pelo álcool. — ...parece com... ela?
— Ela? — Perguntei, me sentindo em dúvida sobre o que ele tava perguntando. Era sobre mim?
— Ela. — Repetiu.
— Eu não existo, então eu posso ser qualquer um. Eu tô dentro da sua cabeça, entendeu? — Respondi, conseguindo finalmente encaixar a chave certa e virar a maçaneta. — Consegui, porra. — Comemorei com empolgação, depois, me perguntei se eu devia ter xingado. Anjos não podem dizer essas palavras feias, podem?
Voltei pra perto dele, puxando pra levantá-lo de novo. Meus músculos iam começar a travar daqui a pouco por causa dos esforço que eu tava fazendo ali.
— Tem alguém em casa? — Perguntei pro Barbás, sentindo meu estômago dar um nó só com a ideia de que eu podia encontrar uma outra mulher ali. Já pensou que climão que ia ser? Eu trazendo ele e a nova esposa dele descendo as escadas? Meu Deus, que humilhante... E eu ainda ia ser pega no flagra. Pra minha sorte, ele só negou com a cabeça. Pelo silêncio absoluto, com tudo apagado, isso se provou algo verdadeiro.
Deixei ele no sofá e fechei a porta, procurando pelos interruptores pra acender tudo. Depois, fui procurar ali no primeiro andar onde diabos podia ser a cozinha. Não foi lá muito difícil de achar, já que na maioria das casas, tudo ficava num lugar meio parecido ou equivalente. Procurei por copos e depois, enchi um deles naqueles filtros que ficam na porta da geladeira. Dei pro Barbás beber, insistindo pra que tomasse tudo. Ele tinha que beber uma água e comer alguma coisa, só pra começo de história.
Achei umas bananas da fruteira e descasquei, dando pra ele comer também. Enquanto isso, eu fui explorando a casa toda, procurando pelo quarto dele, que descobri ficar no terceiro andar. Desci amaldiçoando o construtor dali, porque subir aquilo tudo com ele ia ser um cu. De qualquer jeito, quando não se tinha remédio, remediado estava.
Voltei pra perto dele bem a tempo de ver o cacete do copo escorregar da mão dele e cair no chão, cagando a porra toda com vidro e água... Bom, azar o dele. A culpa daquilo era inteiramente do Barbás por ter bebido além da conta.
— Puta que pariu, hein?! — Reclamei, puxando ele pro lado pra não pisar no vidro e tentando puxar pela mão escada acima. Graças a Deus ele resolveu colaborar comigo e, mesmo tropeçando em todos os degraus, conseguiu subir namoral os lances de escada até o último andar. Entrei no quarto com ele e joguei ele na cama, praticamente. Olhei ao redor um momentinho, enquanto descansava do exercício físico que eu tinha feito até ali. O quarto dele tinha ficado imensamente maior, aliás, aquela casa inteira nem se comparava a antiga na Dioneia. Ele tinha mudado de vida mesmo... não que antes fosse ruim, ele tinha uma vida confortável, mas não se comparava com isso aqui. Suspirei, indo até as cortinas pesadas e escuras e fechando elas. Tava frio pra porra lá fora...
— Vem cá. — Voltei pra perto dele, tirando a camisa por cima dos ombros, junto com toda as coisas que tavam por dentro da calça. A pistola, a carteira... enfim, todo o resto, e joguei no chão ao lado da cama. — Deixa eu te dar um banho logo, porque eu tenho que voltar pro além.
Puxei ele pro banheiro, achando a banheira de hidromassagem lindíssima. Tava estranhando a quietude repentina dele, já que antes tava falando mil e uma coisas sem sentido algum. Ajudei ele a desfazer a amarra da bermuda e o apoiei pra ajudar na hora de tirar a peça.
— Entra pro box aqui. — Mandei, abrindo a porta e entrando na frente pra testar a temperatura da água. Eu nem vi quando ele tirou a cueca e me obedeceu mesmo, mas eu pulei no lugar quando vi ele pelado atrás de mim mesmo. Segurei ele pelos braços e quase joguei ele na água morna, notando como apoiava as costas na parede buscando por equilíbrio. Peguei o chuveirinho, jogando água na cara dele e no corpo inteiro. Como a boa mocinha que eu era, evitei até olhar pra certas partes... não era a minha intenção e eu não queria nem me dar ao luxo de cair em tentação. Eu e ele tínhamos ficado no passado definitivamente, não era pra eu confundir as coisas. Aquilo era um gesto humano da minha parte, por todo mal que eu já tinha feito a ele, mesmo que nunca tivesse sido essa a minha intenção desde o princípio.
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Coração em Guerra
Storie d'Amoreㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
