— É aquele ali descendo o Tabajaras, né?! — Perguntei, lembrando das coitas que eu tinha descoberto antes marcando em cima do DR. O apartamento da mãe deles ficava literalmente entre favelas minhas. — Me dá o endereço direito ai. — Ele hesitou, mas eu não deixei espaço pra ele falar 'não' pra mim. Ele deu o nome da rua, disse a cor do prédio, mas não sabia certo qual o apartamento, só que ficava no último andar. — Vou mandar os irmão da Ladeira ficarem na atividade por ali.
Wallace concordou com a cabeça e avisou que tinha as distribuição das cotas pra planejar ainda. Ele saiu e eu ainda fiquei um tempo com as coisas que ele falou na cabeça. Depois, liguei pro gerente-geral do Tabajaras pra passar a ordem sobre o apartamento, e como já tava ficando tarde a rodo, apaguei tudo ali e me preparei pra meter o pé pra casa.
Desci a rua andando pra pegar minha moto, que tava na oficina ali debaixo. Só deixei o TK me acompanhar, liberei o resto dos seguranças. Tava indo direto pra casa e não precisava daquele circo todo. Porra, irmão, as vezes eu sentia falta de simplesmente andar sozinho por aí, sem ninguém pra me perturbar. Eu não ia ser hipócrita de dizer que eu não gostava da posição que eu ocupava, de mandar em todo mundo e ser obedecido calado. Só que tudo nessa vida vinha com um preço pra pagar e esse era um dos mais caros que tinha.
Apertei a mão do mecânico e ele me mostrou o que tinha feito na moto, me pediu 10 minutos pra terminar de secar os adesivos da lateral antes de liberar. Atravessei a rua e fui tomar um cerveja com o Túlio no bar que tinha ali na frente pra esperar. Enquanto eu dava o primeiro gole no meu copo, eu percebi a aproximação de alguém. Túlio, já botou a mão na arma e se virou todo suspeito, só pra ver a Jéssica parada atrás ele.
— Não me liga mais? — Perguntou, fingindo irritação. Eu terminei meu copo e mandei trazer um litrão pra ela.
— Tô ocupado, sem cabeça. — Dei de ombros, não me estendendo nas justificativas. Ela não precisava saber mais que aquilo.
— É, é, já sei. — Ela rolou os olhos e encheu o próprio copo. — Vai no baile comigo no sábado pelo menos? Pra compensar você ter me esquecido.
— Vamos ver. — Eu sempre dava uma resposta evasiva. Não ia prometer um bagulho pra não fazer depois. Do jeito que as coisas andavam, e depois do que tinha acontecido nos últimos bailes, eu tava quase preferindo me abster. Ela não ia insistir e eu não ia me irritar com ela. Era por isso que eu gostava da Jéssica. Ela era neutra, sabia o lugar dela, não era uma dor de cabeça. Só isso já contava muito ponto. Nada me fazia querer meter mais a porrada numa mulher do que implicância com outra, principalmente se o motivo era eu. Não gostava de cobrança, muito menos de intriga com meu nome.
Ela me encarou, negando com a cabeça e querendo fazer birra, mas não falou nada.
— Eu tô com saudade de você. — Ela cruzou os braços. — Tu já acabou, vamo fazer alguma coisa.
— Sinceramente? Eu acho que eu também tô. — Neguei com a cabeça. Não era bem saudades dela, era transar e dormir em paz do lado de uma mulher... era de pensar em uma mina que não fosse a Marina. Eu precisava arrancar a imagem dela de quatro da minha mente. A Jéssica servia muito bem pra isso.
— Então... tu tá indo pra casa, né? Deixa eu ir com você. Eu te faço uma massagem. — Ofereceu. — Você tá estressado e sabe que eu sempre consigo te relaxar.
— Jéssica, Jéssica... — Meu tom de voz foi baixo. Eu tava cansado, mas sabia que era exatamente daquilo que eu precisava agora. Meus momentos de tranquilidade, minha vida antiga de volta. — Vamo, bora. — Terminei de virar meu copo e estendi minha mão pra ela.
— Eu nem vou então... — O Túlio riu, dando de ombros e levantando as mãos.
— Pode ficar aí, TK. Tô indo reto pra casa, vai dar nada não. — Disse, batendo minha mão na dele e indo na direção da minha moto, que já parecia pronta. Subi, deixei ela embarcar e acelerei pra sair na principal. Como eu tava sem segurança, eu acelerei um pouco mais até o Paula Brito e entrei pra minha rua, piscando em frente ao portão da garagem pra abrirem ele pra mim. Entrei, deixei minha moto lá dentro e entramos pela porta da frente.
A primeira coisa que eu fiz foi pegar uma garrafa de whisky no bar da sala e abrir, servindo o meu copo de deixando pra Jéssica pegar se quisesse. Enquanto isso, eu a via tirar a roupa toda, uma a uma, enquanto me olhava com malícia. Sorri de canto, tomando o líquido do meu copo e observando ela. Ela soltou os cabelos e jogou a blusa por cima dos ombros, vindo na minha direção pra pegar na barra da minha e fazer o mesmo. Facilitei o trabalho pra ela, terminando o meu copo e deixando ele no balcão, pra eu mesmo puxar minha camisa por cima da cabeça, jogando ela no sofá.
Uma das minhas mãos foi pra sua nuca, pressionando a região, enquanto o polegar da outra mão deslizava pelos seus lábios. Aproximei meu rosto do dela pra beijar sua boca e puxar o corpo dela pra perto do meu. Eu esperava que ali, pelo menos, eu ia poder me concentrar em outra coisa que não... Parei. Um barulho mínimo vindo do corredor da cozinha me chamou a atenção e eu virei minha cabeça pro lugar de origem do som. Jéssica parecia não ter nem prestado a atenção.
— Que foi? — Sussurrou e eu voltei minha atenção pra ela.
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
