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— Sei lá... Não é gente do Tabajaras? — Perguntou.

— Provavelmente não. Barbás mata um por um deles, se derem mole de serem pegos aqui em baixo assim. — Disquei o número do amigo e no terceiro toque ele resolveu me atender. — Li sua mensagem, que que tá pegando?

— Alemão zanzando que nem mosquito aqui perto. Eles querem alguma coisa, os irmão já tão ir buscar os bicos pra eles aqui. — Disse. Eu passei a mão na testa, vendo a cagada acontecendo. Agora que eu sabia que não era gente nossa, levantei e peguei a Dalila pela mão, puxando pra parte interna do Pub, onde a gente ia estar melhor escondidas. Ela veio sem reclamar e eu senti os seus dedos ficarem gelados contra os meus. — Eu ia descer pra trocar de turno com o irmão que fica ai em baixo, olhando esse lugar ai, mas ele não tá atendendo.

— Acho que eu tô vendo aqui debaixo. Eles tão passando aqui na rua onde eu tô. Sabe de onde essas putinhas ai são? — Questionei. Dalila me olhou cheia de perguntas não ditas, eu falei a palavra 'alemão' sem emitir som pra ela, que colocou a mão livre na boca. — Não precisa falar, eu tô na atividade. Liga pra base lá e fala isso com o Barbás... — Eu não consegui nem terminar de falar, porque meus olhos não acreditaram no que viram. Daqueles que passavam nas motos, alguns deles estacionaram em frente ao prédio onde morava a Cláudia e a Maria, e desceram, se dirigindo para a escada que nós duas tínhamos descido há poucos minutos atrás. Logo em seguida, parou um carro bem na porta.

— Puta que pariu. — Murmurei. Dalila pareceu notar o que tava acontecendo também.

— Meu Deus... Meu Deus, Larica. — Ela começou, claramente em pânico.

— Calma, porra, a gente não sabe se é lá. — Falei, passando a mão no seu braço, pra tentar acalmar o nervosismo dela. Se afobar agora só ia levar a mais merda ainda. — Faz o seguinte, pega teu celular e manda a Cláudia trancar a porta, não abrir pra absolutamente ninguém e ficar em contato com a gente, caso batam lá. — Mandei. — Eu vou ligar pro Barbás e contar o que tá acontecendo aqui, ele vai mandar reforço.

Mesmo nervosa e com as mãos tremendo, ela pegou o celular e começou a discar o número da mãe da Nina. Enquanto isso, eu a puxei pela braço pra um canto mais discreto do restaurante, pra poder falar livremente com o Barbás. Enquanto eu esperava ele me atender, prendi o celular entre meu ouvido o ombro e puxei a pistola, que ficava na cintura, pra fora. Peguei também o silenciador que ficava no bolso de trás da minha calça e que era muito grande pra simplesmente deixar acoplado na arma. Coloquei ele no final do cano, girando pra firmá-lo no lugar, enquanto torcia pro barulho metálico, que o atrito entre a arma e a peça produzia, não chamasse muito a atenção de quem tava ali. Se chamasse... bem... Eu ia ter que lidar com as madames e dondocas de um jeito não muito agradável.

— Alô, Barbás?! Não sei se já te ligaram pra falar isso, mas pode estar dando zebra aqui em Copacabana. Preciso de gente aqui agora.

— É... eu tô por aqui, vendo o que vai rolar. O amigo lá de cima disse que não é gente dele, eu nunca vi essa gente na minha vida. — Falei, suspirando. — ...o que eu tô fazendo aqui? A história é longa, depois eu explico.

— Como é, dona Cláudia? — Ouvi a Dalila falar do meu lado, me olhando em pânico.

Fechei os olhos e bufei. Puta que pariu... Tampei o microfone com a mão, antes de fazer a pergunta do milhão.

— Sem rodeio. Tem gente lá? — Perguntei com pressa. — Sim ou não.

— Ela acha que sim... Tá ouvindo barulho na fechadura, mas pode ser só... — Não deixei nem ela continuar. Eu já tinha entendido que, talvez, elas fossem o foco daquilo. Eu não sabia o porquê exatamente, mas a filha do Barbás devia valer uma nota preta pra ele... Ou podia ser alguma coisa da Nina. Eu não sabia, mas talvez, fosse ela quem eles quisessem. Se estavam lá, então, era aquilo. Sem mais, nem menos.

— Não, não é. — Falei por cima dela, levando uma das mãos aos cabelos. — Manda ela pegar a menina e quem mais tiver na casa, e se trancar num cômodo longe da porta. Ela precisa ganhar tempo.

Enquanto ela repassava o recado, eu voltei a falar com o Barbás.

— Eu vou entrar dentro do prédio pra garantir a segurança da tua filha, só... manda gente. Eu vou sozinha, então, eu vou ficar espera, tá? — Falei. Eu senti que ele ia resolver vir junto, mas eu sabia o tamanho da merda que podia dar se ele se envolvesse. — Não vem, vai dar polícia aqui já já. Esses merdas tão chamando muito a atenção, não dou 2 minutos pras madames discarem 190. Deixa comigo, que eu não tenho nada pendente na minha ficha... Tá, olha, eu tô indo lá.

Desliguei sem rodeios e olhei pra Dalila, cobrando dela exatamente o andar e o número do apartamento, pra que eu não corresse o risco de esquecer e me perder.

— Eu vou com você. — Disse.

— Olha, nem começa. Tu não sabe atirar, não tem nem arma pra você. — Retruquei, testando as travas da minhas pistola. — Fica aqui, que é melhor.

Coração em GuerraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora