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— Tu me trouxe pra tua casa? — Perguntou, assim que eu abri a porta dela e tirei ela do carro.

— Eu quero ver tu fugir daqui agora. Toma essa porra como um desafio, valeu? — Apontei pros seguranças do portão, os da esquina e os do final da rua. Por dentro ainda tinha mais alguns. Eles só não entravam lá dentro da casa sem ordem expressa, mas pelo quintal e o lado de fora era o dia todo.

Ela não falou nada, ficou quieta, enquanto eu levava ela pelo corredor que ia além da cozinha e dava nos fundos. Ali eu tinha mandado construir umas dependências mais confortáveis pras minas que trabalhavam ali e limpavam minha casa, me alimentavam e alimentavam os meus seguranças. Uma delas ia ficar com a Marina e tava 10. Era até bem mais do que ela merecia depois de ter ousado fugir da porra da casa onde eu tinha botado ela.

Abri com a chave e ela entrou lá dentro sozinha, me olhando com uma expressão indecifrável no rosto. Olhei de volta pra ela, parado na porta e girei a chave nos dedos. Essa mulher era o diabo, eu tinha que ser pior que ela, se quisesse vencer. Bati a porta atrás de mim, virando a chave na porta e me afastando da área. Nem quis pensar muito sobre aquilo, era bom que eu esquecesse que ela tava ali, enquanto eu não precisasse dela. Chamei todo mundo na sala e expliquei sobre a pessoa que tava ocupando uma das dependências. Eles iam alimentar ela nos horários certos, eventualmente ela ia ter que sair pra algumas coisas, mas a ordem era manter ela lá dentro, sob vigilância o tempo todo. Não quis colocar um segurança lá dentro de casa, por respeito à Madalena e a Marcela. Além do fato de que eu não permitia ninguém armado circulando dentro da minha casa ou no meu escritório. Se as coisas funcionassem direito, isso não ia ser necessário e tava tudo namoral até aí.

Eu quase não ficava em casa mesmo, agora eu ia querer menos ainda ficar ali. Felizmente, eu já ficava mais no escritório e dando rolé pela favela do que por aqui mesmo. Na boa? Eu não confiava na minha capacidade de resistir às manipulações dela. Sendo realista comigo mesmo, eu sabia que ela ainda mexia comigo e isso mesmo me deixava bolado. Seria tudo muito mais simples se só conseguisse fazer o que eu precisava e não ficasse dando voltas pra postergar aquele ponto final. Agora, eu só tinha a porra da minha droga na cabeça, mas quando aquilo acabasse? Nada me deixava mais puto do que pensar que aquilo era fraqueza minha por causa dela.

Saí de casa e fui de moto até a Rua 1. Até onde eu lembrava, hoje era dia de ver a contabilidade. Shirley já tava me esperando do lado de fora com a cara mais impaciente do mundo.

— Que demora, Barbás... — Reclamei, quando eu abri a porta e sentei na minha mesa. Ela já foi direto pegar os cadernos que tinham deixado ali mais cedo pra mim.

— Bom dia pra você também, caralho. — Respondi mal humorado. Meu celular tocou e o número não tava salvo naquele número, não sabia qual era. Atendi no automático, rodando na cadeira.

— Bom dia ai, Barbás. — Cumprimentou e eu resgatei aquela voz na minha mente. Era um irmão que eu tinha pedido pra fazer uns corres pessoais pra mim há uns dias. — Tô com umas informação que tu tava querendo... Sobre o Paraguai.

Coração em GuerraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora