Eu chorei tanto ali... tanto mesmo, eu devia ter desidratado naqueles poucos minutos que se passaram. Ele nem tinha falado nada demais, mas eu me sentia tão culpada por não ter voltado quando ele saiu da cadeia... por não ter insistido um pouco mais em entrar em contato com ele pra explicar tudo. E daí que ele tava me odiando? Me achando uma filha da puta traíra, uma Judas da pior espécie? Eu podia ter lutado... podia, mas eu tinha uma bebê em casa. Depois, uma bebê muito doente em casa e assim, a vida foi me jogando pra longe dele em marés que iam e voltam, mas sempre me afastavam do homem que eu amava. Agora ele tinha se ido pra sempre e, no seu lugar, havia uma casca do um dia ele tinha sido. Aquilo também era minha culpa, minha responsabilidade. Decidir não fazer nada também é tomar uma decisão.
— Dorme ai, tá bom? — Falei pra ele, fazendo um carinho com a ponta das unhas na nuca dele. — Eu não vou embora. — E aquela era mais uma das minhas mentiras, porque eu simplesmente não podia ficar. Aproveitei a sonolência inicial dele pra evitar dizer algo que fosse o deixar agitado e querendo enrolar mais a língua pra falar. Eu tinha que ir embora porque logo começaria a amanhecer.
Me inclinei sobre ele, pra beijar a sua testa como a gente costumava fazer antigamente, mas não foi bem da maneira inocente e casta que eu imaginei que as coisas aconteceram... Depois de beijar a sua testa, eu e ele finalmente conseguimos nos olhar nos olhos, foi um momentinho só, mas aconteceu. Sua mão subiu pra lateral do meu rosto, brincando com o meu cabelo, enquanto a minha foi mais uma vez pra sua nuca... E eu beijei ele. É, foi eu que comecei tudo. Era ele quem tava bêbado, mas quem tava fora de controle era totalmente eu. Era um sentimento tão esquisito, eu não sabia explicar, era só... quente. O meu coração tava aquecido, quase como um bálsamo pra toda a dor que eu tava sentindo antes, quase como se tudo não tivesse passado de um contratempo simples e não um abismo de anos entre nós dois. Era uma ilusão, eu sabia, mas por aquele mísero momento, eu me agarrei à aquela maldita ilusão.
Eu o beijei, ele me beijou de volta. Nossas línguas se conversaram mais uma vez, uma após a outra, se acariciando num afago suave e íntimo como em tanto tempo eu não sentia. Quente, úmido... carinhoso. Lento, muito lento inicialmente, mas que, aos poucos, foi se acelerando e se tornando ainda mais quente. Desci uma mão pelo seu abdômen, sentindo os gominhos da sua barriga contra os meus dedos, passando a unha cuidadosamente por eles, enquanto eu o sentia me puxar pela blusa pra perto dele. Em algum momento, sua boca desceu pro pescoço, meu ponto sensível... meu ponto fraco. Arfei com a sensação molhada da sua língua contra a minha pele, sorrindo e deixando um suspiro meio gemido me escapar. Uma onda de prazer me varreu quando o senti sugar bem ali, e eu acabei percebendo tarde demais o que ele estava fazendo. Abri os olhos com força, depois de notar, num violento lampejo de realidade, que eu tava sentindo os dentes dele contra a minha pele... que ele tava sugando a porra do meu pescoço... E aquilo ia ficar marcado!
Empurrei ele com as duas mãos, com força dessa vez, me afastando de verdade. Parecia que eu tinha corrido uma maratona de tão ofegante que eu tava e a minha mente só me recriminava por aquilo que tinha acontecido ali. Burra! Inconsequente do caralho! O que eu tava fazendo, meu Deus do céu? Qual era o meu plano? Dar pra ele daquele estado e acordar na cama de um homem que me odiava? Isso era um absurdo até pra mim.
— Vai dormir, tá? — Mandei, apagando a luz do abajur e me afastando pra onde as suas mãos não podiam alcançar. Fiquei ali uns minutinhos pra garantir que ele ia ficar e dormir mesmo, antes de me virar e sair do quarto na pontinha dos pés. Dali... Dali meus amigos, eu corri mais do que a Cinderela quando estava próximo da badalada da meia noite. Eu tava pra virar gata borralheira de novo e o meu objetivo era chegar em casa o mais rápido possível, antes do amanhecer, quando a escuridão da madrugada não ia mais me proteger e o fluxo de pessoas na rua aumentaria consideravelmente.
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
