— Acabamo? — O TK perguntou, se aproximando de mim.
— Cabamo, pode terminar com ele ai, vai te dar trabalho mais não. — Dei a taco na mão do Túlio. — Esse aqui eu vou levar comigo pra tirar uma dúvida aqui.
Fiz um sinal pra pegar o único sobrevivente do grupo e subir comigo pra fora dali. Entrei num carro com os irmão, que colocaram o cuzão no porta malas. Dali, eu desci pro Paula pelas ruas de trás. Parei de frente pra minha casa e desci, puxando o cara pra dentro de casa pelo lado de fora, pra não sujar meu chão de sangue. No gramado da parte de trás, joguei ele no chão de joelhos e mandei abrirem a porta da primeira das dependências que ficavam ali atrás. Marina surgiu, olhando com cautela pro lado de fora. Mandei ela se aproximar com a mão.
— Que isso?! — Ela me olhou meio em choque quando notou a figura fodida na minha frente. Abaixei atrás dele e movi a cabeça dele pra que olhasse pra ela.
— Tu conhece ela? — Perguntei, focando nela. Marina piscou, suspirando profundamente. Ela olhou pra ele em expectativa, depois pra todas as pessoas em volta e depois pra mim. Suspirou, apertando as mãos em punhos, enquanto a expectativa pela resposta do homem crescia. — Vou perguntar de novo não, filho da puta. Conhece? — Insisti, puxando a cabeça dele pra trás pelos cabelos.
— N-não. — Ele disse por fim, depois de grudar os olhos nela por um bom tempo. — Eu nunca vi ela não.
— Nunca? Ela nunca teve lá na tua favela? — Eu me sentia quase decepcionado por aquela ter sido a resposta dele. Eu esperava que ele me dissesse que sim.
— Não, não. — Manteve sua resposta. — Não sei quem é não, po.
Larguei ele, o empurrando para o chão de novo. Com raiva, peguei a glock que ficava na cintura e mirei nas costas dele, atirando duas vezes pra acabar com essa porra de uma vez. O tiro teria sido na cabeça, se não fosse espalhar o cérebro do corno pela parte dos fundos inteira. Era quase imoral eu botar as meninas pra limpar aquilo depois.
— Tira esse merda daqui, dá um fim nisso e no outro bosta que tá lá na 1. Quando acabar me passa um rádio. — Mandei pros soldados que estavam à minha volta ali. Ele passaram por mim rapidamente, pegando o corpo e levando pra fora. Olhei o rastro de sangue com desgosto.
— Você tá ficando maluco. — Nina acusou e eu voltei meu olhar pra ela, olhando-a de cima. — Que porra foi essa, cara... — Ela tinha a voz embargada e parecia muito chocada. — Isso aqui... — Apontou pro chão. — ... é a prova da porra da sua obsessão por mim. Que caralho? Que que é, tu achou que eu tivesse mandado eles aqui? Eu tô há duas semanas presa nessa porra, mano.
Eu não respondi nada, deixei ela surtando sozinha. Na real, eu não tinha pelo que punir ela, não sobre o que tinha acabado de acontecer, mas eu queria, queria muito. Me decepcionava ver que ela não tinha nada a ver e que, talvez, minha mente realmente tivesse me sabotando em relação à ela. Porra, eu realmente culpava a filha da puta por todos os problemas que apareciam na minha vida, e nem sempre eles eram relacionados à ela.
Porra, talvez aquilo realmente tivesse virando uma obsessão da minha parte. Me senti como se eu tivesse abrindo mão da minha racionalidade só pra perseguir ela e aquilo fez eu me sentir um merda pela primeira vez. Dessa vez eu me controlei, engoli em seco e não me deixei esboçar nenhuma reação perto dela. Não ia dar pra aquela filha da puta o prazer de me ver afetado por ela. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, meu celular tocou e eu atendi.
— Coé, patrão. Tivemos três irmão baleado aqui, daquela fita lá na parte alta.
— Três? — Me virei de costas, passando a mão no rosto. — Quem? — Um deles eu sabia, era o Túlio, os outros dois eram soldados, um da 99 e outro que tinha saído da Rua 1 pra ir lá reforçar. — Como eles tão? Como que tá o TK?
— O TK tá com o Russo, a Lila disse que consegue tirar a bala dele, tá ligado? — Esperei ele continuar a falar. — Os outros dois tão mais grave. Um tomou um tiro no peito e nós teve que levar pra UPA, porque se não ele ia morrer na nossa frente. O outro tomou na cabeça e já foi, chefe. — Contou. Bufei, me sentindo cansado. Aquelas eram notícias péssimas. Um momento só de baixa guarda e eu já tinha perdido um parceiro, pode ser que eu perdesse mais um ao longo do dia. Ainda tinha o Túlio... era uma merda tirar uma bala sem ir pra hospital, porque era doído pra caralho. Nem bebendo pra caralho fazia a dor infernal passar, enquanto enfiavam um troço no buraco da bala pra tentar tirar ela pra fora.
— Tô indo pro escritório. Já vai puxando ai pra ver onde que morava o que morreu, pra gente falar com a família e dar uma moral pro irmão que caiu. Vê o que tá no hospital pra mim também, pra gente oferecer um suporte pra ele. — Dei as instruções, enquanto já ia passando na mente tudo o que eu tinha que fazer. — Depois eu vou lá no TK ver qual é e levar uma cachaça forte pra ajudar ele nessa porra ai... Valeu, irmão.
Desliguei o celular, colocando de volta no bolso. Olhei de volta pra Nina e, agora, ela parecia meio triste e preocupada também.
— O Túlio tá bem? — Perguntou num volume baixo.
— Vai ficar. — Respondi rapidamente. — Tu não queria ficar fora do quarto? Então. Limpa essa porra aqui, Madalena não tem estômago pra isso não. — Não foi num tom ríspido nem nada, eu dei uma colher de chá pra ela depois do que tinha acontecido. — Por favor.
Dei as costas, ajeitando a pistola e chamando os seguranças com a mão. Eu tinha que ir dar um apoio pras famílias e pro meu amigo, que tava fodido com uma bala socada no corpo dele.
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
