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— Colfoi, Nina. Como é isso ai? — O TK ficou sério primeiro.

— É o que tu escutou, eu preciso de um DIAD e é urgente. — Falei, cruzando os braços pra manter a postura firme.

— Mas isso é pra...? — Ele perguntou debilmente, parecendo muito confuso. Descrente?

— Tu sabe pra que funciona uma pílula dessa, Túlio. — Larissa rebateu, cruzando os braços também com uma expressão de acusação e divertimento no rosto. — Temos um novo irmão à caminho? — Sacaneou.

— Mas de quem? — Rolei os olhos pra pergunta do TK. Não era óbvio?

— Do Pai Celestial, Túlio. Eu sou santa e virgem. — Rebati e ele pareceu cair na real. Não tinha outra opção, né?! Até porque as chaves da minha porta andavam com o Barbás 100% do tempo.

— Caralho, mané. O que tu fez? — Ele riu também e eu fiquei em choque como todo mundo tava se divertindo às minhas custas aqui. Fui ficando bolada de verdade. Nem respondi, só neguei com a cabeça. — Tá, tá, tranquilo, eu vou ligar pra ele aqui e ir lá comprar pra tu, beleza? — Parou de rir e fez um sinal pra Larissa, antes de sair pela porta. Ela me deu as costas com uma risadinha e foi falar com o povo lá do lado de fora. Como eu tava me sentindo exposta ali, sob os olhares dos seguranças, eu fui pra parte de trás curtir o dia inusitado de liberdade.

Entrei e usei o telefone da cozinha pra falar com a Maria. Sua voz tava mais vigorosa e a da minha mãe cansada, o que só indicava que ela tava a toda de novo. Isso acalentou meu coração e me tranquilizou de certa forma. Sabia que as coisas tavam sob controle. Evitei de perguntar pra minha mãe do que tinha rolado pra mandarem gente de lá pra ser pego pelos homens do Barbás aqui, afinal a casa tava meio cheia e eu não queria que confundissem nada. Não dar munição ao inimigo era a regra n°1 de sobrevivência. No restante de casa tava um falatório só e eu não entendi o motivo, mas fiquei ali reclusa na minha, esperando meu remédio. Uns 20 minutos se passaram, eu desliguei o telefone e a Larissa veio falar comigo.

— Túlio foi fabricar o remédio. — Reclami, batendo os dedos no balcão de mármore da cozinha.

— Sem estresse agora, só relaxa que tá vindo. — Ela disse, se debruçando do outro lado. — Tu contou da Maria do Barbás?

— Contei.

— Imaginei, é... Então... Essa gente aí é pra reformar os quartos de cima. Um deles é o do Pedro, o outro o Barbás não especificou, mas eu tava pensando se não era pra sua menina. — Contou, com a mão no queixo. — De qualquer jeito, o Pedro vem aí semana que vem. Por que tu não trás a Maria pra eles se conhecerem? E ela ver o Barbás, né?!

— Eu tava pensando em como fazer isso, mas com o tratamento da Maria fica difícil. — Suspirei. — Eu fico com medo pela saúde dela, sabe? É um momento meio delicado do tratamento, tem que ter todo um planejamento e eu não tô lá pra conversar com os médicos. — Dei de ombros. — Fica mais difícil quando eu tô socada aqui sem correr atrás das coisas.

— Engraçado como a gente sempre pensa nos nossos filhos primeiro, né não? — Ela deu de um ombros e eu concordei com a cabeça. — Eu posso ver isso pra tu. Tô ligada que a sua irmã tá dando uns rolés em Copacabana... É lá que ela tá, né?!

— É lá, tenho um apartamento lá.

— Então, eu peço pra ela me levar lá e eu desenrolo. O que eu preciso fazer? — Perguntou.

— Seguinte, eu preciso que tu fale com o médico dela. O Dr. Guilherme. Ele vai te passar a situação geral e te falar se ela pode ou não vir pra cá nesse estágio. — Expliquei. — Geralmente a gente evita ambiente que não dê pra controlar a higiene, não sei se vai dar pra botar a Maria pra brincar na rua, mas aqui dentro me parece bem limpo...

— As meninas daqui limpam a casa direito, tu vê com elas se não dá pra limpar a casa mais vezes por semana enquanto ela tiver aqui. — Sugeriu.

— É, eu tava pensando nisso, fala com o Guilherme tudo isso pra ele avaliar melhor a situação e me dá uma ideia de como a gente pode fazer. — Disse. — Mas fala namoral e não ameaça ele, hein?! Se ele falar que não dá, desiste e deixa pra próxima. — Mandei.

— Ih, pode deixar comigo. Se depender de mim vai dar tudo certo. — Concordou com a cabeça, sorrindo de canto. — Até o resto da semana eu colo na sua irmã pra ver como chegar nesse doutor Guilherme ai. Vai ser um encontro familiar foda. — Bateu uma mão na outra.

— Você é mesmo uma mulher de família. — Brinquei. Eu não sabia bem quando nós tínhamos nos tornado tão simpáticas uma à outra.

— E você duvidou disso? — Ergueu uma sobrancelha. — Me respeita.

Neguei com a cabeça. Eu teria rido se não tivesse com a cabeça latejando à espera do meu remédio. A ansiedade tava me corroendo total.

— Vai ser a primeira vez que ela e o Barbás vão se ver, sabe? — Comentei. — Vai ser especial pra eles... Espero que tudo acabe bem no final, porque se não, eu tenho medo das memórias que minha filha vai carregar do pai e desse lugar.

Coração em GuerraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora