— Cheguei, família. E vocês não sabem o prazer que é estar de volta. — Imitei a menina da novela, toda trabalhada nas referências. — Sentei com o Márcio do lado do Russo e enchi nossos copos com o Label.
Dalila me olhou e arregalou o olho, rindo a beça.
— Opa, tudo bom aí, Marciano? — Ela bateu a mão com a dele. — Foi caçar longe, hein Nina?
— Fui nada, esbarrei com ele quase chegando aqui. — Passei o braço pelo ombro dele. — Fiquei sabendo que ele tava aqui com vocês até agora.
— Até agora. — Repetiu a Larissa. — O homem tava afim de ir caçar uma mulher pra dar uns pegas e tu aí entravando ele em dia de baile. — Pois ela parou de beijar a mulher só pra pegar no meu pé. Dei um golão no whisky e olhei pro Marciano. Ele parecia todo bobo comigo do lado.
— Calma aí, Lalá, eu não sou mulher não? — Olhei pra ela indignada.
— Que Lalá? Parem com esse apelido aí, hein porra? Meu vulgo é Larica. — Reclamou. — E olha... na moral, Nina, é por isso que eu gosto de tu. Bate aqui, porra. — Ela ergueu a mão pra eu bater. — Tu não deixa nada barato mermo não.
— Pois não, viu. Me vê um balãozão aí. — Pedi pro Russo e ele bolou um pra mim rapidão. Enquanto isso eu e o Márcio estavamos conversando animados entre nós e com o meu pessoal ali. Fiquei alheia quanto ao resto do pessoal da mesa, exceto uma. Barbás.
Eu sentia o olhar dele pesado sobre mim. Toda hora chegava alguém pra falar com ele e o homem nem desviava o olhar, que tava reto na gente. Um tempinho depois, a tal da Jéssica voltou trazendo umas cachaças e sentou no colo dele. E e a outra lá estavam conversando e tentando chamar a atenção do Barbás, mas tava óbvio que ele tava muito alheio também.
Fingi não ter visto ele encarando a gente descaradamente, mas o Márcio pareceu sacar, apesar dos meus melhores esforços pra entreter ele na conversa.
— Tu não tá com o Barbás mesmo não, né Nina? Porra, tu não vai me complicar...
— Claro que não, Márcio. Tô falando sério. Pode perguntar pra qualquer um aqui na mesa. Até pra ele. — Dei de ombros. Eu vi que ele tava ficando desconfortável com o olhar do Barbás e peguei mais um baseado, grosso, pra gente. Puxei horrores e dei pra ele, tentando dar uma relaxada nele.
Passei a mão no rosto dele, fazendo seus olhos focarem em mim. Cheirei sua mandíbula, me inclinando pra beijar seu pescoço bem de levinho. Subi a boca devagar, passando meus lábios nos seus, provocando todos os seus sentidos pra mim.
— Você não queria relembrar? — Sussurrei pra ele.
Ele me beijou, afoito. Apertei seus ombros com minhas unhas, retribuído a intensidade do seu beijo. Uma das minhas mãos no seu rosto, enquanto ele apertava minha cintura loucamente. A mesa toda deu uma olhadela pra gente e eu passei a ignorar solenemente o Barbás. Foda-se se ele tava olhando, o objetivo era esse mesmo.
A gente ficou se pegando horrores ali, igual metade da mesa tava fazendo. Meus irmãos até pararam um momento pra me olhar e o Gui me olhou meio chocado, mas se divertiu horrores quando percebeu o climão que ficou na mesa por minha causa. Eu e ele estávamos começando a ficar descarados e eu me perguntei quanto tempo o Barbás ia aguentar ficar olhando só sem falar nada.
— Márcio, aquilo lá no 2° andar era quarto? — Perguntei, passando as unhas de levinho na nuca dele.
— É, po. De uso dos amigos. — Falou, levantando as sobrancelhas pra mim.
— Tava afim de conhecer a decoração. Queria ver se é bonita igual ao resto da casa... — Disse, olhando no fundo dos olhos dele.
— Coé, Nina. — A Larissa se encangalhou de rir do outro lado da mesa. Ela chegou até largar o copo dela e eu achei que ia passar mal de tanto que gargalhou.
— Pra ontem, bora. — Ele levantou, já me oferecendo a mão. Levantei com ele como se a gente fosse um casalzinho apaixonado e assim que demos a costas, ouvi o assovio alto. Russo levantou atrás da gente e eu vi ele com a mão levantada pra galera que tava na porta. Uma movimentação parecia que ia começar, mas meu irmão chegou antes pra dar uma segurada.
— Marciano, vai pra casa aí, falando serinho. — Wallace enfiou o braço no meio da gente e me puxou pra perto dele, nos separando fisicamente. — Numa boa mesmo, vai pra casa, papo de irmão mesmo. Sem pedir explicação só vai, vai. — Ele falou num tom de urgência e, talvez por ser bem maior que o Márcio na cadeia alimentar daquela favela, ele só trocou uns olhares comigo e saiu. Assim que eu vi ele descendo as escadas, eu dei um socão no peito do Russo e tentei ir atrás, mas ele agarrou meu braço e me fez voltar, me puxando pra um canto.
— Qual é, porra? Por que tu fez isso? — Eu tava extremamente bolada e querendo voar no pescoço dele.
— Tu tá muito louca se tu acha que o Barbás vai deixar tu ficar se agarrando com homem debaixo no nariz dele, porra. — Ele me chacoalhou. — Ainda bem que eu levantei pra segurar a barra de vocês, porque ele já tava mandando os seguranças dele irem atrás de tu e do Márcio e eles não iam falar na moral como eu falei não. Para de doideira que tu vai foder o cara de graça, porra.
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
