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Depois de ter terminado, eu voltei pro meu quarto pra tomar um banho e me trocar, até porque o cheiro de sangue parecia que ficava entranhado na gente. Depois, jantei e voltei pra cama, pra tentar descansar um pouco a cabeça. Queria ligar pra saber da minha filha e já tava bolando uma maneira de falar com o Barbás no dia seguinte, apesar de eu desconfiar de que ele viria até mim sozinho pelo interesse na Maria Ísis. Ele precisava de um tempo pra assimilar tudo também, então, eu queria evitar pressionar. Já não bastava toda a paranoia dele pra cima de mim, ia ser tão pior se ele começasse a envolver minha filha nesse meio.
Não consegui dormir, rolei na cama de um lado pro outro até desistir de vez. Abri as 'janelas' de vidro da porta e sentei no chão, abraçando meus joelhos e observando a noite lá fora. Aquele tinha se tornado o meu hobbie daquele lugar, sentar na porta e tomar a fresca da noite, aproveitar a visão da Lua e pensar sobre como minha vida tinha chegado naquele ponto. Eu tinha muito tempo pra pensar e remoer as decisões que eu tinha tomado e que tinham me levado até ali. Acabei cochilando ali e acordei com um barulho em uma das portas por causa do vento. Há alguns metros de mim, achei ter visto o Barbás sentado num banco dali, fumando um cigarro. Pisquei, tentando ajustar minha visão e ter certeza de que não era uma alucinação ou um sonho. Que porras? Ele parecia meio perdido, meio melancólico, olhando a Lua como se quisesse conversar com ela, enquanto terminava um cigarro, apagava na madeira do banco e imediatamente puxava outro, acendendo.
Suspirei, me distraindo de novo pela visão que eu tinha dele. Deitei a cabeça no metal da porta e fiquei o observando. Eu não sabia o que pensar em relação a ele. Eu ficava puta, apesar de saber que tava conseguindo um progresso com ele... mesmo assim... ele já era uma pessoa difícil na nossa época, agora parecia 100x pior. Eu não sabia mais lidar plenamente com ele, mas sabia que, mesmo sem demonstrar, ele não saia ileso quando eu estava por perto. Ele não era imune a mim. Ele virou o olhar dele pra minha porta e pareceu se surpreender em me notar observando ele. Pigarreei, levantando do chão. Senti minha garganta seca e o quarto abafado, eu queria sair dali...
— Abre aqui pra mim aqui? Queria pegar um água na cozinha. — Pedi, olhando pra ele em expectativa. Achei que ele fosse me ignorar quando se passaram os primeiros segundos e eu não obtive resposta. Subitamente, ele se levantou e veio pro meu lado, colocando uma chave na porta e girando-a. Passei por ele, indo direto na cozinha que ficava ali na parte de trás, próximo da churrasqueira, torcendo pra que naquela geladeira de fora tivesse algo além de cerveja.
— Obrigada. — Agradeci, notando como ele voltava para o seu lugar inicial. Resolvi perguntar a questão que ficou rondado na minha cabeça o dia todo. — O que houve com o Túlio? Ele tá bem? — Quis saber, pressionando um copo na saída de água da geladeira. Felizmente, saiu de lá o líquido transparente que eu tava procurando. Amém!
Barbás bufou e deu mais um trago no cigarro, tentando fingir que eu não estava ali, enquanto voltava seu olhar pro chão. Naquele momento, ele parecia estranhamente vulnerável. Era assim que era, quando ele se esquecia de fingir apatia e indiferença pra tudo e todos? Uns segundos mais tarde, ele resolveu me responder.
— Ele tá bem. — Respondeu meio seco.
— Bem como? O que que aconteceu? Eu vi os tiros e depois... — Suspirei. — Poxa, eu só quero saber como ele tá. O TK ele é... ele é uma pessoa boa demais. Eu me importo com ele, porra.
— Ele é. — Concordou. — Bom até demais, chega a ser burro. — E deu mais um trago no cigarro, finalmente voltar o olhar pra mim. Parecia meio amargurado.
— Não entendi... — Pisquei. Ele não me respondeu.
— Eu sei o que ele tá fazendo pelas minhas costas por você. — Ele negou com a cabeça, jogando o cigarro longe depois de apagar ele mesmo antes de terminar. — E a Madelena... O Russo, a Dalila. — Bufou e deu um soco na banco ao lado de onde ele tava sentado. — Qual o teu talento pra enfeitiçar as pessoas? Pra deixar elas desse jeito?
Engoli a água de uma vez, quase engasgando. Eu não tava esperando por aquilo, por um declaração tão... emocional da parte dele? Ele parecia puto, meio indignado e confuso. Barbás tava mesmo bem perdido.
— Eu não faço nada... — Dei de ombros, querendo me defender. — Eu só tenho uma história com essas pessoas.
— Uma história tão fodida quanto a nossa. O Túlio tava lá, ele viu o merda do teu pai e o Parma, ouviu de você. O Russo quase se fodeu igual à mim... O que tu fez pra eles ignorarem tudo isso e seguir em frente, porra? — Eu notei como aquilo incomodava ele, como ele não conseguia compreender, como aquelas coisas não entravam na cabeça dura dele...
— O Russo acredita em mim, a Dalila também, você deve saber disso. O Túlio... eu não sei, Barbás, ele é assim. Eu lembro que ele foi a primeira pessoa a me dar uma moral quando eu entrei pra tua boca, depois, quando eu cheguei aqui, fodida e desmoralizada, foi ele foi gentil comigo primeiro também. Eu tenho muito respeito por ele. — Confessei. — Isso é por quê?! Você quer entender o motivo deles conseguirem acreditar em mim e me perdoar, e você não? — Num surto de ousadia da minha parte, eu perguntei, colocando o copo na pia e cruzando os braços.
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
