— Dalila. — Chamei, ofegante pelo esforço que fazia. Olhei pra mulher sentada, parecendo muito desolada no corredor. Ela devia estar machucada e parecia meio em choque pelo que tinha acabado de acontecer. — Dalila! — Gritei agora, esperando que ela acordasse. Eu precisava dela agora.
Demorou uns três segundos até ela subir seus olhos pra me observar. Eu os vi cheios de lágrimas e os lábios chegavam a estar meio arroxeados.
— Pontos vitais. — Pedi, grunhindo pra ser capaz de continuar apertando. Senti minhas forças quase no fim.
Ela demorou um pouco mais pra entender e computar o que eu queria dizer com aquelas palavras, porém, quando eu já tava dando tudo por perdido, ela levantou com o meu canivete nas mãos. Olhei diretamente pra ela, fixamente, comandando sem dizer uma só palavra que ela fizesse o que tinha que ser feito. Não era hora de moralismos, ela tinha que acabar com aquilo ali.
Dalila parou na frente dele e engoliu em seco, eu vi as lágrimas descendo pelo seu rosto, sem saber ao certo o motivo delas. Ela se ajoelhou na minha frente.
— Rápido. — Pedi, fechando os olhos pra aguentar segurar até o final. — Agora.
Eu não vi como aconteceu, mas a pressão que ele tava botando em mim pra se livrar do meu aperto cessou... e aí eu soube que tinha acabado. Um negócio molhado e quente começou a encharcar minhas pernas. Me levantei de supetão, jogando ele no chão pra notar o corte gigante na base do abdômen. Não entendi porque ela tinha cortado logo ali, entre todos os lugares, mas ela devia ter um motivo... ou não. Tentei fugir um pouco da poça de sangue que começou a se formar e puxei ela, completamente atônita, junto comigo pra fora do quarto. Fechei a porta e terminei de dar uma geral no andar, notando uma única porta trancada, onde devia estar os moradores do apartamento.
Voltei pra perto da Dalila, que ainda tava parada no mesmo lugar. Levei minhas duas mãos ao rosto dela, enganchando minhas digitais na sua nuca. Dei uma suave balançada nela, que arregalou os olhos pra mim.
— Tá tudo bem. Tá me ouvindo? Tá tudo bem. — Afirmei, buscando uma resposta no rosto dela. — Já foi.
— Eu matei um cara. — Ela sussurrou como uma confissão, totalmente atônita.
— Matou... e salvou minha vida também. — Concordei, mirando-a diretamente nos olhos. — Assim como eu salvei a tua. Agora a gente tá ligada por isso pra sempre, sacou?
Tá, eu sabia que a primeira vez era meio foda, principalmente pra gente igual ela, que tinha o sangue fervendo nas veias. Ela ficou abalada pra cacete com o que tinha acontecido ali e eu me senti meio mal por isso, sei lá. Tudo isso podia ter sido evitado se ela tivesse ficado onde eu mandei pra começar, mas, por outro lado, se ela tivesse feito como eu disse, agora eu estaria provavelmente morta. Por isso, eu sentia como se eu tivesse maculado a pureza dela naquele momento... eu tinha feito ela matar por mim, por nós, porque eu sozinha não consegui finalizar o meu inimigo.
— Não dá pra gente enrolar agora, tá? — Disse, soltando ela e indo na direção da única porta trancada, dando três batidas na madeira. — Dona Cláudia? É a Larissa aqui, pode sair. Temos que ir embora agora. — Tentei não deixar a urgência na minha voz alarmar a coitada de mulher.
Uns segundos depois, ouvi a trinca ranger e a porta abrir. Lá dentro tinha umas 5 pessoas, sem zoa. Tinha a Dona Cláudia com a Maria no colo, um menino que eu achava que era o filho dela e mais duas mocinhas, se pá as babás ou enfermeiras da menina... vai saber, né?! Todo mundo tinha uma cara absurda de morte, susto e coisa do tipo.
— Parece que o DR e a Nina vão ficar me devendo uma. — Concluí, olhando pra todos eles como se fosse a grande salvadora da pátria. — Seguinte, tinha muita pouca gente aqui em cima, pela quantidade de soldado que eu vi passando lá em baixo. Além disso, daqui a pouco a polícia tá batendo aqui e se pegarem a gente, o Barbás vai ter que abrir a carteira e ele vai me culpar por isso. — Fiz o sinal do dinheiro com o dedo. — Então, vamos sair daqui rápido, tá bom? Vão pegar só o essencial que eu vou guardar a porta e ver por onde anda os amigos da gente.
Sem dizer nada, eles todos saíram e passaram por mim. Cláudia tampou os olhos da neta e virou pro outro lado quando viu o sangue no quarto ao lado. Todos que passaram por mim, pareciam extremamente perturbados pela cena de filme de terror que tava aquele apartamento.
— Dalila. — Chamei, quando os que estavam no banheiro se dispersaram e eu me peguei só com ela de novo. — Vamo ajudar tua irmã, tu consegue entrar ai e recolher as armas? As pistolas, facas e essas coisas? Se bater polícia aqui dentro e pegarem essas coisas, vai complicar pra todo mundo. — Expliquei. — Eu podia até fazer, mas eu tenho que guardar a porta. Tu faz?
É, talvez eu tivesse pedindo um pouco demais pra ela, mas o fato é que a situação requeria firmeza.
— T-tá. — Ela engoliu e chegou a gaguejar, mas se moveu pra fazer o que eu tinha pedido. Me abaixei do lado do corpo e peguei minha pistola, reajustando ela enquanto descia as escadas pra vigiar o único meio de entrada do apartamento. Peguei meu celular pra botar o Barbás a par do que tinha acontecido ali.
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
