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Eu era uma churrasqueiro de primeira, foda-se. Naquele calor do caralho, eu tava na churrasqueira de trás virando as peças de picanha que eu tinha comprado pra fazer um almoço maneiro pros meus filhos. Ali perto do fogo parecia que eu tava queimando vivo. 40 graus nesse cu de cidade, vou te contar... Parecia que eu tava no inferno.
Virei tudo e larguei as carnes lá. Fui pra perto da beira da piscina querendo dar um mergulho bem dado pra me refrescar.
— Coé, cadê o churrasco? — Nina, que tava dentro da piscina com a Maria Ísis numa boiazinha, falou assim que viu.
— Tá lá na grelha. Vai lá cuidar um pouco, vai. — Mandei, apontando pra churrasqueira.
— Eu não, mó calor. — Ela tirou o corpo fora, obviamente.
— Vai lá sim que tu disse que queria fazer o almoço. — Respondi, olhando feio pra ela. Sentei na borda e a Maria Ísis veio na hora pra perto de mim. Passei a mão no rostinho dela com o que tinha de delicadeza dentro de mim. Ela era tão linda... tão delicadinha. Puxei mais a cobertura da piscina pra não bater sol nela, já que a Nina tinha dito que ela não podia.
Pra mim era imoral pensar que ela, tão novinha, tava há anos lutando contra um câncer. Era uma doença muito maldita, puta que pariu. Olhando pra ela ali, naquele momento, eu não conseguia entender aquilo numa boa.
Entrei na piscina com ela, dando um mergulho e subindo do lado da boia dela. Marina saiu e, a contra gosta, foi lá ver como tava o churrasco.
— Papai, papai. — Ela me chamou e eu senti um negócio se apertar dentro de mim. Sorri pra ela, sentindo que podia ouvir ela me chamar de papai a vida toda.
— Fala comigo, meu amor.
— Papai, queria nadar. — Ela bateu na boia com a mão. — Mas a minha mão não deixa eu ficar sem a boia. — Maria falou baixinho, colocando uma mãozinha na frente da boca.
— Ah, não deixa não? — Olhei de canto, vendo a mãe dela ainda caminhando de costas pra área da churrasqueira. — Beleza, mas o pai deixa. Vem cá. — Puxei ela por cima da boia, segurando ela na água.
— Sabe nadar? — Perguntei, pegando ela no colo. Só pelo jeito que ela grudou em mim e travou as pernas na minha cintura, eu já entendi que não.
— Não. — Falou baixinho, olhando pra água com desconfiança. Tadinha... eu tive que rir.
— Nem cachorrinho?
— Não. — Ela negou com a cabeça.
— Mas a sua mãe também, hein? — Reclamei, achando meio absurdo a Nina nunca ter ensinado a Maria Ísis a nadar nem que fosse cachorrinho. Nem que fosse só pra ela não se afogar... era questão de segurança, tá ligado? — Chega ai que eu vou te ensinar agora.
Fui com ela pra parte mais funda, onde a água batia no meu peito.
— Pode soltar, filha. — Falei, sentindo com muito gosto aquelas palavras na minha boca. Puta que pariu, até agora eu não tava acreditando que eu tinha uma filha, irmão. Era muito surreal esse bagulho.
Tentei soltar as mãos da Maria do meu pescoço e ela apertou mais ainda, me agarrando que nem um bicho preguiça.
— Solta, amor, não vou te deixar afundar. Juro. — Tentei convencer ela e ouvi um choramingozinho no meu ouvido.
— Eu vou cair. — Ela disse e eu fiquei com meu coração apertado porque ela tava com medo.
— Não vai não, não vou deixar. Pode confiar. — Apertei as perninhas dela. — Te prometo que se você afundar, eu mergulho pra te pegar.
Ela aos pouquinhos que foi soltando a perna, mas continuou agarrada no meu pescoço. Senti ela batendo as pernas na água e incentivei ela a continuar até que ela tivesse confiança pra ir largando aos poucos as mãos de mim. Virei ela na água, deixando de barriga pra baixo, comigo segurando ela pela cintura.
— Bate o pé, filha. E a mão também. — Fui guiando ela, mostrando como fazer, andando com ela pela piscina pra ela relaxar.
Depois de 3 voltas pela piscina com ela, eu estranhei que a Nina não tinha voltado ainda. Desconfiei que ela estivesse colocando fogo na minha casa toda. Procurei ao redor com o olhar e nada dela.
— Vamos procurar sua mãe? — Perguntei, quando ela parecia cansada para continuar batendo as pernas com força como antes.
Puxei ela pro meu colo de novo e fui saindo com ela da piscina. Maria me abraçou e deitou a cabeça no meu ombro, o que eu achei o bagulho mais fofo que alguém podia fazer. Apertei ela, cheirando os cabelos dela.
— Marina? — Chamei, já pensando na dor de cabeça que aquela mulher ia me dar quando não vi ela logo de cara.
Fui andando pela garagem, coberta, seguindo a trilha dos passos molhados que ela deixou pra trás.
Já chegando no jardim da frente, eu vi ela agachada, abraçada com meu filho. Meu Pedro. Sorri, passando a mão nos olhos de nervoso. Caralho, que saudades que eu tava daquele menino. Eu me sentia um merda sem poder ver meu filho com frequência, sem poder ensinar tudo o que eu queria... sem poder criar ele. Sabia que era pro bem dele, mas era doído pra porra pra mim como pai. Olhar ele ali e sentir o aperto da Maria Ísis ao redor de mim, fez eu me sentir completo.
Dei um beijo na testa da Ísis e me abaixei pra colocar ela no chão. Pedro me viu ali e veio pulando pro meu lado. Peguei ele no colo e o impulso fez eu e ele rodar no ar.
— Porra, moleque, tu tá ficando pesado, hein? — Falei, vendo como ele tinha crescido desde a última vez que eu vi ele. Botei o Pedro no chão e medi ele pela minha própria altura. Tava maior... certeza. — Cresceu pra caralho.
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
