— Não é. Ela vai crescer, algum filho da puta vai chegar pra ela e vai dizer "teu pai julgou e matou tua mãe". Ela vai me odiar pra sempre... — Concluí, parando no balcão do bar, de costas pra Marina. — E eu vou me odiar pra sempre.
Ela não disse nada. A verdade, quando era crua desse jeito, doía. Arrancava pedaço, roubava as palavras da gente. Olhei pra ela pelo canto dos olhos e eu vi que tinha a baqueado. Ninguém falou nada por um tempo bem considerável, a ponto do silêncio ser desconfortável pra porra.
— E... — Comecei, sentindo a garganta arranhar de novo... dessa vez não de um jeito bom. — Se pá, eu sinta sua falta pra sempre, por causa disso. Você é o encosto que eu não consigo descarregar nem com mil banhos e ebós. — Olhei pra estátua de São Jorge, negando com a cabeça, antes de desviar o olhar pra ela de novo.
— Eu... — Ela se aproximou, levantando a mão e esticando os dedos pra me encostar, mas parando no caminho sem nenhuma razão aparente. — Eu não pretendo morrer. Tenho muita coisa pra fazer nessa vida ainda... Não é só questão de deixar minha filha amparada, isso eu vou deixar com certeza, mas meu caminho ainda não tá no fim. Eu sei.
— Então é bom tu dar teus pulos. — Disse, percebendo a figura dela perto o suficiente pra me perturbar o juízo.
— Eu sempre dou... eu sempre sei como fazer. — Respondeu com uma confiança, mas eu consegui pegar uma oscilação mínima no final da sua frase. Ela tava com medo também... mas não era o tipo de gente que se deixava dominar por isso. Eu sabia. Eu conhecia.
Senti os dedos dela pararem nos meus ombros, apertando minha pele com as digitais. Estranhei a proximidade. Aquilo chegou a me incomodar, porque eu sabia que meu controle perto dela era bem questionável. Irmão...
— Eu não sei porque eu tenho tesão em você, eu não devia ter. — Disse com a voz rouca, baixa, como a de quem conta um segredo. — Você queria me matar até ontem, eu devia odiar você.
Eu ri, porque não era possível, irmão. Ela era uma puta de uma cara de pau... Eu é quem devia odiar ela pra um caralho, por toda a porra da eternidade. Além da minha vida, eu tinha que carregar aquele ódio do túmulo... Aquele ódio, aquela raiva por ela eram confortáveis pra mim, eu já tinha me acostumado com eles. Eu me sentia nervoso só de não ter mais eles pra me resguardar quando eu tava perto dela.
— O que tu tá fazendo aqui a essa hora? — Perguntei, ligando os pontos na minha cabeça. — Tava me esperando, capeta?
— Não sei... mas acho que tava. — Deu de ombros, passando seus dedos pela minha pele, pelas minhas tatuagens. Não sei se era isso, mas eu tava entendendo aquilo como um convite silencioso.
Bati meu pulso no braço dela, afastando a mão do meu ombro. No mesmo movimento, eu voltei minha mão pra mandíbula dela, segurando com a maior suavidade que eu conseguia. Deslizei meu polegar pela pele suave do rosto dela, passando com maior pressão pelo lábio cheio e me enfiando entre eles pra encontrar sua língua úmida. Ela chupou meu dedo, eu senti o calor daquela boca envolver minha pele, minha cabeça deu um nó e tacou o foda-se. Era sempre assim.
Voltei meus dedos pro seu pescoço, empurrando ela com meu corpo pra parede mais próxima, me pressionando contra ela... apertando ela entre eu e o concreto maciço. Meu joelho separou as pernas dela, se colocando entre elas. Senti o quente da sua buceta contra a roupa, contra minha perna. Sarrei minha pele contra a dela, olhando nos seus olhos e prestando a atenção na sua reação. O arfar delicioso que eu consegui dela com aquilo, já me deixou de pau duro. Caralho, irmão... Minha mão foi direto por baixo do vestido de tecido leve que ela usava, por dentro da sua calcinha, deixando meus dedos encontrarem a região úmida que eu tava procurando.
Molhada. Puxei o ar com força, tornando minha respiração bem audível por qualquer um que tivesse próximo, em resposta ao entender que ela tava excitada. Aquela mulher ainda ia me matar. Cada dia que passava, eu tinha mais certeza disso. Ia me matar de culpa, de raiva ou de tesão... eu só não sabia qual ia vir primeiro.
Passei meu dedo médio entre os seus lábios, sentindo sua carne, seu calor contra mim. Me demorei no ponto que eu sabia que ela gostava mais, esfregando o indicador contra o clitóris dele com força, pra cima e pra baixo, lentamente.
Ela soltou o ar que prendia, puxando novamente pela boca, deixando um rasto sôfrego de tesão registrado na respiração, o que pareceu um suspiro ansioso. Desci a ponta dos dedos para a entrada dela, sentindo quase como se tivesse sendo puxado pra dentro dela. Enfiei três dedos de uma vez só e ela soluçou de surpresa. Tudo que ela fazia deixava meu pau 2x mais duro, todas as pequenas reações daquele corpo me faziam morrer de desejo de me enfiar nela e ficar por ali.
Ela era minha perdição. Minha fraqueza.
Ninguém me fazia vacilar como ela.
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Coração em Guerra
Romantikㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
