— Nina? Caralho, quanto tempo, mina. — Ele me deu um abração quando meu reconheceu. — Que cheirosa. — Marciano enfiou o nariz no meu pescoço e depois se afastou um pouco pra me olhar. — Tu tá lindona, Ninão.
— E tu aí? Todo cheio de ouro, trajado. — Brinquei, vendo como ele tinha subido na vida desde a última vez que a gente tinha se esbarrado por aí. — Tá indo pra onde?
— Dando um rolé por aí. — Ele disse. — Meu turno acabou lá agora.
— Tava lá com o Barbás? — Perguntei, querendo saber qual era.
— Tava. — Confirmou minhas suspeitas. — Tu casou com ele, né? — Perguntou.
— Casei, mas... sabe como que é, né? Faz tempo. — Dei de ombros. — Você tem medo dele? — Perguntei, já meio fora de mim. Queria saber só se o Marciano ia ter peito pra aparecer lá onde eu queria comigo.
— Tu tá junto com ele ainda? — Quis saber, segurando na minha cintura.
— Não.
— Então não tenho medo não, tá de boa, ué. — Respondeu. — Quer ir beber um negócio pra relembrar os velhos tempos, nega?
— Mas é claro que sim. — Respondi, passando a mão no cavanhaque dele. — Só que vamo beber onde nesse formigueiro aqui? Não tem como nem levantar o braço direito.
— Na minha casa, ué. — Ele disse e eu já peguei ele no pulo, galudão pra cima de mim. Não ia ser hoje que ele ia ganhar comigo, infelizmente, mas ele ia servir pra um propósito. — Bora?
— Não, eu quero ficar no baile, poxa. — Fiz uma manha. — Não tem um lugar mais calmo por aqui não? Aquele camarote lá dos faixa ainda existe? — E me fiz de pão.
— Tem, tem, po. Mandaram reformar uma casa toda só pra nós, po. Tá sabendo não, Ninão? Chega ai que eu vou te levar lá. — E pegou na minha mão, me levando pela multidão. Com ele a coisa era diferente, se pá porque ele tava com um cano longo preso nas costas, mas as pessoas davam pelo menos um espacinho pra ele passar, o que já era o suficiente pra acelerar o processo até a tal da área que o Russo tinha me dito.
Chegamos até um portão prata que ficava bem atrás do palco e tinha um monte de segurança na porta. Márcio apertou a mão de uns deles e me deu as chaves do castelo. Botei o pé no chão de piso de porcelanato de dentro sentindo que eu tinha vencido a maré de gente e chegado viva ali. O negócio ali dentro tava chique mesmo, viu? Olha... Tudo em tons de creme e madeira, com várias plantinhas e uns sofás bonitos no primeiro andar ali. Tinha uma galera sentada ali já, fumando um balão já, com umas mulher.
Entramos e lá dentro tinha mais gente. O bonde todo parecia estar ali. Passamos na cozinha, que era cheio de freezers, onde ele pegou um Label pra gente e dois copos. Ali mesmo ele colocou e a gente fez um brinde.
— Tenho que achar meu irmão, acho que ele tá me esperando desde 23h. — Disse, dando um risadinha.
— Ele tá lá em cima, eu acho, mas não tô ligado se a gente vai poder subir não, Ninão. Lá em cima só grandão. — Ele se sentiu meio desconfortável. — Eu fico lá só quando tô a trabalho mermo.
— Fica suave que ele não vai expulsar a gente não, tranquilo, beleza? — Puxei ele pela mão, caçando as escadas. Subi pro segundo e ali tinha um corredor com vários quartos. Imaginava o quanto eram disputados pra dar umazinha pelos homens dali. Hm... Subi mais um lance de escadas e ali, já tinha um homem na porta.
— Aí, Leandro, chama lá o Russo pra liberar pra ela aqui. — Pediu o Márcio. — É irmã dele.
Ele foi e voltou muito rápido, com meu irmão nas costas dele. Foi assim que eu liberei a minha entrada e a do Marcinho na laje dos faixa. Dali dava pra ter uma visão panorâmica da favela, em especial, do palco e da concentração. Toda hora quem tava cantando ou tocando virava pra trás pra cumprimentar quem tava ali. Tava bem classudo o lugar mesmo, viu?
— Olha a hora, Nina. 00h30. Tava caçando tatu no chão do baile, porra? — Ele tava bolado comigo.
— Tava dando uma embrasada e lembrando dos velhos tempos, não posso não? — Perguntei, dando de ombros. — Tu lembra do Marcinho, né, Wallace?
— Eu conheço o Marcinho, né, Marina? Ele tava aqui até quase agora. E aí, irmão. — Ele cumprimentou o Marciano.
— Ele foi meu namoradinho, tu lembra? Tu morria de ciúmes dele. — Eu ri, agarrando o braço do Russo. Eu já tava meio fora de órbita.
— Aí, Márcio, cuidado com ela aí, hein? Tô te dando um papo na moral mesmo. — Ele falou pro outro e eu dei um tapão no braço dele.
— Dá licença, porra. Para de cortar o meu barato. — Dei mais um soco no braço. — Vai curtir uma mulher lá, vai. Fui empurrando ele e puxando o Márcio pela mão. Percebi que ali tava todo mundo sentadinho numa mesa. Dalila tava agarrada no braço do Gui, com a Larissa do outro lado, dando uns pegas numa mulher ali. Russo aparentemente tava com uma preta gatona do lado. Que lindo, todos em casal. Bom, tinha mais um cado de gente na mesa que eu não consegui reconhecer imediatamente. Na ponta da mesa, com uma outra mulher praticamente debruçada no colo dele, Barbás virou o olhar pra mim. Jéssica já tinha ficado com Deus? Mas que cachorro.
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Coração em Guerra
Romanceㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
