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Olhei com todo o ódio do mundo pro Barbás do outro lado da sala. Que vontade de socar a cara dele com toda a minha força. Vontade de unhar ele todo. Canalha, vagabundo, otário, vacilão de merda.

— Mas ele pode, né? Ele ficar com 2, 3, 4 puta esfregando elas na minha cara e eu tenho que ficar puritana. Mas nem fodendo... Quem que ele acha que eu sou, porra? — Cheguei a ficar descabelada de tanto que eu fiquei bolada. 

— E tu vai fazer o que? O cara é o dono da favela, Nina. Se liga, caralho. — Ele me balançou de novo e eu me afastei dele, com muita, muita raiva. 

— O que que eu vou fazer? Eu vou dar umazinha hoje só pra aliviar essa frustração que eu tô sentindo agora. Nem que eu tenha que descer pro asfalto e procurar um macho corajoso de verdade que queira me comer. Foda-se... — Eu ia saindo, mas eu tava muito puta pra deixar aquilo daquele jeito. O bagulho era assim? Então beleza, eu ia cair, mas ia cair atirando a beça. 

Voltei com ódio no meu coração pra mesa e fui reto pra onde tava o Barbás as duas putas dele. Peguei os copos mais próximos que tava na mesa e joguei reto no cabelo e no rosto dela. Ouvi uns gritinhos histéricos e peguei mais um, jogando nelas igualmente. Eu não podia tacar aquele na cara do Barbás, mas nelas eu podia, foda-se. Elas iam levar por ele. 

— Ô sua piranha mal amada. — A que eu não conhecia levantou muito revoltada comigo e veio na minha direção. 

— Quer me bater, sua cachorra? Vem com disposição então, porque eu sou faixa preta, caralho. — Lá larguei metendo o dedo na cara dela. E foda-se que faixa preta era usado pra homem, eu era mesmo. Bandida como todos eles, tava cansada de fingir que não. — Chama tua amiguinha também, porque só tu não aguenta não. Jéssica, né não, meu amor? — Perguntei, dando um empurrão na amiguinha loira dela pra poder provocar ela também. 

Barbás me olhou surpreso por só 3 segundos. Depois, um sorriso vitorioso de escárnio surgiu no rosto do vagabundo do William e ele levantou pra tirar a Jéssica de cima dele antes que ela sujasse a calça ou a blusa dele. Vencedor. Era essa a mensagem que ele tava passando pra mim, ele tinha ganhado. Eu tinha surtado e ele, pelo menos nas aparências, ficou pleno. Mas eu não tava pra brincadeira...

Jéssica também quis cantar de galo pra cima de mim e eu abri até o ziper da minha bota, porque eu ia arrebentar a cara dela essa noite mermo. Bom que eu já arregaçava o rostinho dela, que o Barbás parecia gostar. Bom demais. 

— Parou, caralho. — Ouvi o Barbás gritar assim que eu peguei ela pelos cabelos. — Não quero essas galinhagens perto de mim não, hein? Se eu ver uma briga aqui na minha frente, vai apanhar as três, tranquilo? Principalmente você. — Ele disse apontando pra mim. 

Mandei um beijo pra ele e me afastei, querendo sair dali antes que eu fizesse uma merda. Acabei esbarrando na Dalila e no Gui, que me olharam meio perplexos. Olhei pro Guilherme e apertei o braço dele, esperando que ele entendesse a mensagem. Se eu ficasse sozinha aquela noite, eu ia dar um surto tão grande que a favela toda ia ficar sabendo. Passei por todos os meus amigos e família, que tinham levantado pra ver o BO que eu tinha arrumado, e desci as escadas voando. Cheguei lá no primeiro andar, na parte descoberta do lado de fora. Peguei a primeira garrafa de Whisky que eu vi e fui virando tudo. Se tivesse um MD ali eu já tinha jogado pra dentro, mas não tinha, fazer o que? 

Entornei o caneco todo, sentindo o líquido descer ardendo pela minha garganta. Depois de vazia, joguei a garrafa no piso com ódio e levei as duas mãos ao rosto. Meu Deus que raiva eu tava sentindo. 

— Não sabia que tu tava assim de saúde, Marina. — Ouvi uma voz conhecida do meu lado. Gui... Ele tinha conseguido descer. 

— É foda, ele é um filho da puta. Um vagabundo de merda, escroto, fodido da cabeça. — Apertei minhas unhas na palma da minha mão. 

— Você parece estar com ciúmes dele... — Ele deu de ombros. — Você tá sim, e ele também. Ele tava te olhando de um jeito que eu achei que ele ia surtar ali.  É o seu ex-marido? 

— É. — Cruzei os braços. — Aquele cuzão. Eu tenho que sair daquilo, Guilherme. Se eu ficar nas vistas dele, o William não vai me deixar em paz e eu vou acabar fazendo uma besteira. Eu não posso só enfiar as unhas no olho dele, não aqui pelo menos... — Bufei, me sentindo cansadona. 

— Quer dar uma fugida? Duvido que ele te ache no meio do povo ali. 

Olhei pra ele, lembrando do porquê eu gostava tanto do doutorzinho galego. Ele só parecia pomposo, na real, ele era mais hardcore que muita gente. Guilherme combinava comigo, por isso, era um dos meus amigos mais íntimos... deve ser também por isso que o sexo casual com ele era bom. 

— Bora. — Dei um risinho e ele me deu um abraço, dando um beijo na minha testa. — Eu tenho mesmo que te mostrar como é um baile de favela de verdade. Tu sempre foi um principezinho, aposto que nem tá ligado como se diverte aqui. 

Chamei ele com a mão e pedi pra abrirem o portão pra gente. Eu já tava muito fora de mim, por causa da raiva, do álcool, da maconha, de tudo... Quando chegamos lá fora, eu peguei o Gui pelo pulso e fui entrando pelo meio das pessoas até me afastar bem da casa e ficar bem colado no paredão, onde tava bem mais tumultuado que qualquer outro lugar na favela. 

Ali, o mundo parecia um lugar a parte. A música muito alta, as vibrações do grave percorrendo a gente todo, junto com toda a merda entorpecente que a gente tinha usado. Ele se arrepiou todo e eu também. Que loucura, a gente parecia que tava em Marte. Ali mesmo eu transcendi. 

Botei minha mão no pescoço dele e juntei nossas testas, começando a rebolar devagarzinho até o chão, seguindo o ritmo da música. 



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Vou dar uma pausa aqui e, provavelmente, eu volte mais com 1 ou 2 capítulos ainda nessa madrugada. Se não, amanhã a gente tem mais uma rodada que nem hoje, de mais uns 3 ou 4 posts, talvez mais. Tudo bem? OBRIGADO POR ESTAREM AQUI COMIGO, XUXUSSSSSSSS

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Coração em GuerraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora