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[BARBÁS]
Sei lá, irmão, eu só não sabia mais o que tava acontecendo comigo e, em algum momento, eu desisti de entender também... talvez eu só tivesse me deixado levar pelos olhinhos brilhantes da menina que eu via na TV quase todo dia agora. Ou talvez fossem pelos olhos da mãe dela... Quando eu fechava os olhos, eu ainda conseguia ver ela em cima de uma mesa, com as pernas enroscadas em mim, a boca entreaberta e gemendo. Só de lembrar o meu pau ficava duro de novo e, pra mim, não tinha coisa pior. Dei um soco na mesa, forçando a minha mente a focar em outra coisa que não fosse aquela trepada. Eu era um cara prático, porra, eu não ia ficar me remoendo por ter comido ela, mas a real é que eu preferia não ter feito pra não ter que passar pelo inferno de querer mais.
Quanto mais eu tentava correr dessa mulher, mais eu sabia que me deixava envolver por ela. A prova disso é que eu tinha feito exatamente o que ela queria quando me pediu pra sair e ir atrás de testemunhas pra si mesma há uns dias. Eu era pra ter dito não. Eu não devia dar brechas pra ela... mas eu dava e depois não sabia nem me explicar o porquê. Se pá eu realmente quisesse que ela se saísse bem naquela merda de tribunal e que eu não tivesse que matar ela. As coisas tinham mudado rápido demais e, apesar de queimar de ódio dela, não dava só pra colocar a morte dela como a solução viável pros meus problemas. Não era mais assim. Nós dois tínhamos uma filha, uma menina que precisava dela e que provavelmente nunca ia me perdoar se soubesse que a mãe tinha morrido pelas minhas mãos.
Só que isso não tava só no meu controle. Ela tinha que pagar pelas merdas que ela fez ou tinha que provar o contrário, do contrário, eu tinha que lavar minhas mãos. Essa é a lei dos irmão, judaria se paga com a vida, independente de quem for. Bufei, afundando na cadeira, pensando se eu ia ou não interferir... A Marina não merecia que eu aliviasse a barra dela, mas não era só sobre ela.
— Quer falar comigo? Tô ralando daqui já. — Perguntei pro Russo, que tinha acabado de bater na porta.
— Vim no lugar da Larica avisar sobre a carga das semanas que vem. Acabou de chegar aí. — Contou. — A gente quer saber se é pra encomendar de novo com o Homero...
— Não, deixa isso ai quieto. Eu já tenho o novo fornecedor.
Fiquei de olho nas expressões do Russo, pra tentar captar alguma coisa ali. Eu sempre tinha o pé atrás com ele desde a volta da Nina. Eu não ia deixar me passarem pra trás outra vez. Ele só concordou com a cabeça.
— Barbás e o negócio do Prazeres lá? Tu vai deixar por menos? — Perguntou, parado na porta.
— Óbvio que não, né porra? Se eu deixar, daqui a pouco vão tá aqui cagando na minha cabeça. — Respondi, dando a volta na mesa e me encostando na parte da frente dela. — Tá preocupado? — E eu me perguntei o motivo daquilo.
— Claro, cara. Fazia meses que não tinha nada nessa favela e agora isso... — Franzi as sobrancelhas e cruzei os braços. — É por causa da Nina também. — Confessou o que eu já imaginava. Fiz um sinal com a mão pra ele continuar. — A Nina e o Pirraça tem um caô antigo um com o outro já, ela tem um monte de inimigo aqui, eu fico preocupado com ela. Ele tá lá há uma pá de tempo, agora que veio mandar gente pra rondar aqui, pra que? Por que agora? Eu só pensei nela.
Tudo o que ele falou eu já tinha pensado a respeito, mas tinha descartado depois que o soldado lá não reconheceu ela. Não fazia sentido eles estarem atrás dela se não conheciam... ou eles só não tinham falado a verdade. Isso considerando que o Pirraça não tinha autoridade na favela dele pra fazer o que fez... Tudo dava um ar esquisito pra caralho naquela história. Nada batia e eu seguia sem saber o que aqueles filhos da puta queriam aqui. Agora, também, aquilo nem importava mais. Eu ia mandar um recado pra fazer aqueles ratos de merda ficarem lá na toca deles e não virem zanzar em território meu. Meus olhos tavam bem abertos pra eles.
— Fiz um agrado do comandante da gávea, ele vai ver como tá aquela merda daquela favela lá. Ver se encontra o Pirraça. Depois, eu dou uma batida lá pra ver se ele é corajoso mesmo. — Disse, olhando pro Russo, que acenou com a cabeça.
— Tu vai me deixar saber o que tá rolando? — Perguntou e eu dei de ombros. Não gostava de passar mais informação que o necessário, naquele caso especificamente... Conhecimento era poder. — Sei lá, irmão, desde que a Nina veio pra cá tá foda. Eu penso nela aqui dentro, penso na Maria lá fora desprotegida... Ela nunca tinha que ter saído da porra do lugar onde ela tava. — Era a primeira vez que ele falava abertamente da Marina, comigo pelo menos. Observei impassível.
— A garota tá doente, não tá? Duvido que ela dar a cara dela pra bater se ela não tivesse. — Falei, controlando a nota de rancor que ficou presa no meu tom. — Tu sabe onde a Maria Ísis tá agora? Ouvi falar em apartamento de Copacabana.
— E é. É o apartamento onde a mãe dela mora. — Contou.
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Coração em Guerra
Romantikㅤㅤ"Sou a morte, o diabo, o capeta, a careta que te assombra quando fecha o olho. Sou seu colete à prova de balas, seu ouvido à prova de falas... Eu vou tomar nosso mundo de volta." Djonga ㅤㅤㅤHá 5 anos ela foi acusada de trair o homem a quem ela amav...
