Confesso que ver aquilo me deu uma certa animada.
Será que vinham coisas interessantes por aí?
Bom, estávamos falando do Ademir que era bem conhecido por prometer muito e não fazer nada, no final. Então, tratei logo de ajustar minhas expectativas e fiquei apenas observando.
Ademir parecia relutante.
Cátia, no entanto, tava alterada que só a porra e gesticulava bastante, como se tivesse tentando convencê-lo de algo que, claramente, ele não queria saber.
Até uma anta é capaz de compreender que depois do "A" vem o "B", então, minha animação morreu mal tinha nascido.
Contudo, acabei descendo do carro porque sabia que havia ali a possibilidade de não acabar muito bem. E, a bem da verdade, eu não tava ligando pro arrombado do Ademir, mas ele tinha me dito que o divórcio finalmente havia saído, o que significava que era um péssimo momento pra Cátia enlouquecer de vez e apertar a situação até descobrir a manobra que fizemos pra mantê-la longe da Vargo.
Antes que eu pudesse chegar até eles, a maluca da Cátia deu um jeito de abrir o portão e entrou na casa com Ademir logo atrás.
Tem alguém lá dentro do bagulho ajudando?
Parei na frente do portão por onde eles tinham entrado e, juro que é verdade, pensei um pouco antes de decidir entrar — maldita curiosidade — e entrei.
Havia um caminho de pedras alternadas que levava até a entrada da casa e enquanto atravessava o bagulho, pude ouvir as vozes alteradas vindas lá de dentro. A porta tava aberta.
— O que essa louca tá fazendo aqui?! — Andressa gritava, enquanto ia pros fundos do corredor de entrada com o MC logo atrás dela. Ela passou correndo feito um vulto, nem consegui vê-la direito, mas o MC parecia mais de boa, de modo que pude ver que ele tava sem camisa.
— E aí, Ademir, o que você vai me falar agora? — Cátia abria os braços, fulminando o Ademir com o olhar.
O cuzão colocou as mãos na cintura e suspirou, fadigado.
Que situação de merda.
— Você não tem nada pra dizer depois disso que você viu aqui? — ela insistiu.
— O que você quer que eu fale, Cátia? Eu conheço ele...
— Você... o que? Você conhece esse tipo de gente? Como assim? E... e isso não torna tudo pior?
— Ele é tipo meu sócio, Cátia. Eu investi em uns negócios juntos com ele. Não tô entendendo aonde você quer chegar.
— Não está entendendo? — ela se ultrajou. — Não está querendo entender, isso sim! E investiu junto com ele... investiu no quê? Nela? Que ela era uma vagabunda, isso todo mundo já via de longe, agora você, que devia ter aprendido com seu pai a investir direito, tá investindo num lixo desses? O que é isso? Aqueles fundos coletivos?
— Você tá exagerando — Ademir entoou, evitando de encará-la.
— Meu Deus! Como você pode ser tão cego assim? — ela questionou.
— Essa louca ainda tá cacarejando aí? — a voz da vagabunda se ergueu, vinda dos fundos da casa. — Manda ela ir embora, Ademir!
Cátia ficou boquiaberta.
— Ademir...? O que você... — ela balbuciou, perdida.
Perdida era pouco.
Porque aquela situação ridícula já tava começando a me irritar.
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Declínio
Action"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em par...
