Capítulo Cento e Setenta e Nove

255 30 76
                                        

Confesso que ver aquilo me deu uma certa animada.

Será que vinham coisas interessantes por aí?

Bom, estávamos falando do Ademir que era bem conhecido por prometer muito e não fazer nada, no final. Então, tratei logo de ajustar minhas expectativas e fiquei apenas observando.

Ademir parecia relutante.

Cátia, no entanto, tava alterada que só a porra e gesticulava bastante, como se tivesse tentando convencê-lo de algo que, claramente, ele não queria saber.

Até uma anta é capaz de compreender que depois do "A" vem o "B", então, minha animação morreu mal tinha nascido.

Contudo, acabei descendo do carro porque sabia que havia ali a possibilidade de não acabar muito bem. E, a bem da verdade, eu não tava ligando pro arrombado do Ademir, mas ele tinha me dito que o divórcio finalmente havia saído, o que significava que era um péssimo momento pra Cátia enlouquecer de vez e apertar a situação até descobrir a manobra que fizemos pra mantê-la longe da Vargo.

Antes que eu pudesse chegar até eles, a maluca da Cátia deu um jeito de abrir o portão e entrou na casa com Ademir logo atrás.

Tem alguém lá dentro do bagulho ajudando?

Parei na frente do portão por onde eles tinham entrado e, juro que é verdade, pensei um pouco antes de decidir entrar — maldita curiosidade — e entrei.

Havia um caminho de pedras alternadas que levava até a entrada da casa e enquanto atravessava o bagulho, pude ouvir as vozes alteradas vindas lá de dentro. A porta tava aberta.

— O que essa louca tá fazendo aqui?! — Andressa gritava, enquanto ia pros fundos do corredor de entrada com o MC logo atrás dela. Ela passou correndo feito um vulto, nem consegui vê-la direito, mas o MC parecia mais de boa, de modo que pude ver que ele tava sem camisa.

— E aí, Ademir, o que você vai me falar agora? — Cátia abria os braços, fulminando o Ademir com o olhar.

O cuzão colocou as mãos na cintura e suspirou, fadigado.

Que situação de merda.

— Você não tem nada pra dizer depois disso que você viu aqui? — ela insistiu.

— O que você quer que eu fale, Cátia? Eu conheço ele...

— Você... o que? Você conhece esse tipo de gente? Como assim? E... e isso não torna tudo pior?

— Ele é tipo meu sócio, Cátia. Eu investi em uns negócios juntos com ele. Não tô entendendo aonde você quer chegar.

— Não está entendendo? — ela se ultrajou. — Não está querendo entender, isso sim! E investiu junto com ele... investiu no quê? Nela? Que ela era uma vagabunda, isso todo mundo já via de longe, agora você, que devia ter aprendido com seu pai a investir direito, tá investindo num lixo desses? O que é isso? Aqueles fundos coletivos?

— Você tá exagerando — Ademir entoou, evitando de encará-la.

— Meu Deus! Como você pode ser tão cego assim? — ela questionou.

— Essa louca ainda tá cacarejando aí? — a voz da vagabunda se ergueu, vinda dos fundos da casa. — Manda ela ir embora, Ademir!

Cátia ficou boquiaberta.

— Ademir...? O que você... — ela balbuciou, perdida.

Perdida era pouco.

Porque aquela situação ridícula já tava começando a me irritar.

DeclínioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora