Capítulo Cento e Sessenta e Cinco

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— Ou, calma aí, caralho — Café exclamou, apertando os olhos. — Olha a porra que você tá me falando. Eu tô sem nada, caralho. Muitos dos irmãos que tavam lá na contenção do galpão, eu que botei eles lá e você me falando aqui na minha cara que eu mandei os cara pra morte?

— Tá sem nada é o caralho — Paraguai retrucou. — Não dou uma semana pras lojas dos teus fechamento tá tudo cheia de produto de novo.

— Lógico, né? A maior parte do meu estoque tava lá, mas não era tudo, porra. Você queria o que? Que com essa confusão toda, eu deixasse todo o meu estoque num lugar só?

— Ah, muito conveniente, né?

— Eu... — Café balbuciou, confuso, olhando pra mim em busca de apoio, mas decidi ficar na minha. — Na moral, Paraguai... eu nem vou pesar na tua por conta dessas acusações aí, porque melhor do que ninguém, eu entendo a gente ficar a milhão, pensando besteira, depois de uma desgraça que nem essa, mas... dá uma segurada.

Paraguai apenas riu alto.

— Mas você é engraçado, hein?

— Você tá falando com essa certeza toda assim por que? — e aos poucos, o velho Café ia emergindo. — Que porra foi que você viu que tá te dando tanta certeza que o culpado dessa merda sou eu?

— Tudo que eu vi, jão, foi uma pá de corpo estirado pelo galpão e tanto sangue que dava até pra sentir o gosto, caralho — Paraguai exclamou, apontando pra janela. — O que eu vi, foi a minha conta indo pelo ralo de eu ter tirado quase tudo pra pagar o batalhão inteiro da Trinta e Quatro pra eles me garantirem que não ia ter investigação em cima do que aconteceu lá. E cadê o bonitão aqui, pra pelo menos ir lá ver como os irmãos ficaram? O mínimo de respeito, mas porra nenhuma. Tá aqui, numa boa, sossegado.

— E você, que é o cara das ideias, o inteligentão, não se tocou que é exatamente isso que o Kalil tava esperando: eu aparecer por lá de bico sujo e o pessoal dele me pegar na miúda?

Paraguai foi passando a língua pelos dentes, sem deixar de encarar o Café.

O bicho era bom, mano.

Se depois dessa treta acabar, não desse certo a vida dele com a facção, o Paraguai tinha o que era preciso pra embarcar na carreira de ator, porque até a bola do olho do arrombado dizia com todas as letras que ele não sabia de nada do que tinha acontecido.

— Tá certo... se não foi você que armou isso tudo, você deixou o bagulho vazar pra alguém do lado do Kalil — Paraguai falou, batendo com o dedo no peito do Café. — Porque não é possível eles terem chegado lá do jeito que chegaram.

— Você tava lá? — Café estranhou.

— Não, caralho, mas não foram todos que morreram. Um parceiro meu que tava lá me ligou na hora que o bagulho estourou e eu já fui dando a ordem pra eles tentarem salvar alguma coisa do estoque e levar lá pro segundo nível, que fica mais escondido.

E um brilho de esperança surgiu nos olhos do Café.

— E conseguiram?

Paraguai confirmou com a cabeça.

— Mas pouca coisa.

— Então, a gente tem que tirar isso que sobrou o quanto antes — Café disse, já tirando o celular do bolso. Enquanto ele aguardava a ligação ser atendida, com o celular no ouvido, foi me falando: — Alemão, a gente vai precisar de um caminhão seu, urgente, pra pegar o que tiver lá. Vou dar um salve aqui no Marlinhos, chamar o Baja, o Gordo, vamo' montar uma operação de emergência, tá ligado, pra tirar tudo de lá e...

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