Só foi preciso chamar uma vez pra que a tia do moleque surgisse no batente da porta que eu sabia que era a da cozinha.
— Oi, Alexandre, como você tá? — toda sorridente, com um pano de prato enxugando as mãos, ela foi me recebendo.
— Cadê o Gabriel?
— Deve tá com as amigas dele, que ele...
— Mentira! — a interrompi, sentindo meu peito subir e descer. — Mentira sua que eu já sei que o moleque não tá mais aqui e você... você ficou aí, fingindo que tava tudo bem, só pra continuar recebendo meu dinheiro.
Ela empalideceu.
— Me fala. Quando é que você ia me contar que o moleque tinha sumido? Só quando eu parasse de depositar o dinheiro na sua conta, é isso?
A filha-da-puta ficou lá, abrindo a boca, fazendo que ia falar alguma coisa, mas porra nenhuma. A vagabunda não passava de uma covarde do caralho.
— E eu certo de que você era uma mulher decente — eu tinha que botar pra fora. — A única coisa nessa merda toda que me deixava um pouco mais tranquilo era saber que o meu moleque tava aqui ao invés de tá lá com o demônio do pai dele, mas no fundo, era a mesma bosta! E pior, pelo menos, eu sabia o que aquele cuzão era. Você é uma fingida, duas caras do caralho! Dissimulada! Da vez que eu vim aqui, se fez de preocupada, querendo saber o que tinha acontecido, fingindo que tava brava por eu ter feito alguma coisa contra o moleque! Eu que fui trouxa de não ter percebido isso antes! Porque tava na cara! Eu até já tinha perguntado várias vezes pro Gabriel o porquê de ele não ter vindo morar com você antes, visto que o pai era um desgraçado, e ele dizia que era porque a casa de vocês já tinha gente demais. Mas, daí, quando eu cheguei com o dinheiro aqui, rapidinho se arrumou um lugar, não foi?
Eu já tava meio loucão. Ver que aquela arrombada continuava ali, parada, só me ouvindo sem dar um sinal de que iria falar alguma coisa só tava me deixando ainda mais pilhado.
— E se pra você, eu tô irritado aqui é por causa do dinheiro, você tá muito enganada, entendeu? Eu quero é que se foda essa merda que eu te dei. Pega essa porra e enfia no seu cu, caralho! Você podia ter chegado em mim, porra! Eu continuava depositando essa desgraça, se fosse necessário. Eu só precisava saber do meu moleque! Se você tivesse me avisado antes, se eu já soubesse disso... eu podia, eu podia já ter achado ele uma hora dessas! Você não consegue enxergar isso? Você... quanto tempo tem que você percebeu que o Gabriel sumiu?
Ela abaixou a cabeça.
— Vai se fazer de arrependida na puta que pariu, caralho! Me responde, porra! Quanto tempo?! QUANTO TEMPO, CARALHO?!
— Ei, ei, ei, o quê que é isso?! — uma das primas do moleque surgiu de dentro da casa, acompanhada do pai. — Quem você pensa que é pra falar com a minha mãe assim? Você tá ficando maluco?
— Tá ficando louco, cabra?! Gritando com a minha mulher desse jeito?!
— Se eu tô ficando louco? Vocês não viram é nada nessa porra, caralho! Se eu não encontrar o Gabriel, eu vou botar tudo na conta de vocês!
— Olha, eu até entendo que você possa tá nervoso pelo sumiço do meu primo, mas isso não te dá o direito de vir atacar minha mãe aqui na nossa casa assim não, cara — a prima dele falou, puxando a mãe prá trás. — Você tá pensando o que?
— Não me dá o direito? Então, pra você tá certo o que a sua mãe fez?
— E o que foi que a minha mãe fez de tão absurdo assim? — ela botou as mãos na cintura, inclinando a cabeça pra me encarar.
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Declínio
Ação"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em par...
