Capítulo Cento e Oitenta e Um

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Antepenúltimo capítulo da terceira parte

Tava uma bagunça.

Havia paletes quebrados, pacotes amassados e triturados por todo o chão e uma das empilhadeiras estava tombada.

Não tinham se preocupado em tentar organizar a bagunça.

E o sangue escuro que vi manchando o chão pareceu explicar um pouco o porquê disso.

Quando cheguei na Vargo, já havia três viaturas no estacionamento e alguns policiais conversavam com os funcionários.

Jonas tava parado de pé, próximo ao policial que conversava com um dos funcionários, de braços cruzados, como se quisesse se certificar do que tava sendo dito. Fui até ele e apertei brevemente sua mão, dando uma última olhada no cenário.

— Como é que isso aconteceu? — tive que perguntar.

Ele suspirou.

— Foi o Wagner — contou. — Ele tava numa empilhadeira e o rapaz que era pra tá na empilhadeira me contou que ele quis porque quis pegar o palete e colocar no caminhão e simplesmente perdeu o controle e bateu contra os outros paletes que tínhamos empilhado ali, acabou derrubando uns e tinha três meninos embaixo, validando as etiquetas na hora.

— E por que caralho ele foi inventar de pegar a empilhadeira? — questionei. — E esse porra sempre soube pilotar o negócio, por que esse ataque de burrice agora?

— Ele tá em estado de choque — Jonas falou, vazio, indicando com a cabeça pros degraus que levavam ao estoque no interior do galpão da expedição, onde Wagner estava sentado, com as duas mãos na cabeça. — Não conseguiu falar nada depois que os meninos tiraram ele da empilhadeira.

Que sensação maldita que se apossou de mim enquanto eu olhava um dos moleques que trampava com eles passando as mãos pelas costas do Wagner e ele sequer reagia. Olhava pro chão, fixo, as pernas se mexendo constantemente; subindo e descendo; subindo e descendo — eu fazia igual quando tava muito ansioso pros bagulho. — Será que ele tava se dando conta do que tinha feito ou ainda não conseguia pensar em outra coisa que não fosse seu filho encontrado morto na beira da estrada e todo mundo falando em como ele tinha merecido aquilo por ter ido até um presídio dar pra um bandido?

— O pessoal tá comentando sobre o que aconteceu com o filho dele ainda? — sei que era uma pergunta idiota, mas tive que fazer.

Jonas fez uma cara infeliz.

— Eu dei um feedback meio geralzão, mas você sabe como é, Alexandre. Piãozada é complicada... eles falam.

— Mas não vão falar mais — afirmei, dando uma olhada e vendo que praticamente todos os funcionários do turno estavam por ali. Eu teria que repetir pro da manhã e o da madrugada também, mas não seria problema, eu já não tava conseguindo dormir direito mesmo.

— E eu até tomei a liberdade de dar férias pra ele, até peço desculpas por não ter falado isso com vocês, mas é que nessa situação, eu...

— Pelo amor de Deus, Jonas, você é o diretor operacional dessa porra aqui. Se você não tiver a liberdade de dar férias pra alguém, tá foda, né?

Ele abriu um sorriso tímido que não combinava com ele e meio que concordou.

— Mas você deu férias pra ele e mesmo assim...?

— Ele não quis nem saber — explicou, infeliz. — E eu insisti, Alexandre. Afirmei que ele não tava com cabeça pra trabalhar, que ele precisaria tirar um tempo pra ficar com a família dele, lidar com a situação, mas ele falou que preferia continuar trabalhando pra ocupar a cabeça.

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