Capítulo Cento e Setenta e Um

247 35 74
                                        

Quis nem saber, caralho.

O filho-da-puta tava com a mina em cima de uma mesa ou sei lá que porra que era; nem prestei muita atenção, só puxei o arrombado pra trás pela camiseta com tudo e ele deu uma meia-volta, quase capotando pra cima de mim e foi o suficiente pra que eu tivesse espaço de encaixar um murro certeiro no meio da fuça do desgraçado.

E no exato momento em que senti meu punho vibrando contra o nariz dele, a menina gritou assustada.

— Que porra...? — ele tentou falar, mas nem dei tempo, mano. Encaixei uma sequência de uns três murrão no pote do verme e só vi o brilho vermelho bagunçando a cara do desgraçado pouco antes de ele perder a força nas pernas e tombar pra trás.

Só que minha sorte tava escassa naquela porra e minha euforia não durou muito.

Mal me abaixei sobre o vacilão pra tentar afundar o crânio dele na porrada e já tavam me puxando com tudo pra trás.

— Calmô, calmô! — um deles repetia, enquanto eu me debatia pra tentar me livrar.

Sei nem bem como, mas assim que eles afrouxaram o aperto sobre meus braços, eu dei um jeito de me levantar. Mas eles reagiram rápido e já se botaram na minha frente, me impedindo de chegar perto do arrombado do Josué que, ainda meio atordoado, tentava se levantar.

— Tá loucão, caralho? — um dos parasitas que viviam orbitando o Josué ergueu os ombros, querendo meter banca de malandro pra cima de mim, vê se pode; um inseto daqueles. — Chega no comércio do parceiro aí na errada, metendo a mão nele? Tá cheiradão, é?

— Vai tomar no seu cu, largato do caralho — sequei minha boca com a mão e dei uma olhada em volta, notando que a menina ainda tava ali, encolhida no canto, nos olhando como se fosse um filhote cercada de leões.

— Quem que é largato aqui, seu comédia? — o cuzão pareceu perder a linha e veio na minha direção, tentando me intimidar, quando o outro doidão que tava junto com ele foi mais rápido e o conteve, o forçando a recuar com a mão no peito. — Você não é o crime não, jão! Você pode encostar com os caras aí, ter a consideração do Café e a porra toda, mas tu não é o crime não, tiozinho! Nós que é, porra!

Dei risada, erguendo a cabeça pro alto.

— Você que é o crime, rapaz? — perguntei, numa vã tentativa de conter o sorriso que parecia ter vida própria vendo uma papagaiada daquelas.

— Pode rir aí, ô Alemão — ele estendeu rapidamente a mão na minha direção, enquanto segurava um celular, meio inquieto, ciscando de lá pra cá, com o parceiro dele na bota, pra qualquer ímpeto de suicida que viesse a cabeça do coitado, ele pudesse impedir. Eu só podia rir mesmo. — Ri enquanto 'cê pode, que agora você se fodeu! Que você entrou aqui na errada, tiozão, e com nós dois de prova aqui, que você tá ligado que vocês dois têm histórico e numa dessas que você entra assim, agredindo o cara aí, de graça, não vai ter massagem pra você não, caralho.

— Cala a sua boca, rola bosta do caralho — pra mim já tinha ouvido o suficiente. — Você acha que um inseto que nem você tem alguma moral no bagulho? Quem é você aqui, tio? Porra nenhuma! E é tão inseto que não deu nem trinta segundos que eu entrei nessa porra aqui pra descer a porrada nesse filho-da-puta aí que você tá tentando proteger, tu já chegou me bigodando, caralho. Qual foi a fita? — e me permiti rir mais um pouco. — O bandidão aí rebaixou vocês pra guarda-foda, é?

— Você é folgadão hein, xará... — ele balançava a cabeça feito aqueles boneco de cabeça de mola. — Vamo' só ver até quando vai durar essa tua folga aí.

Ri mais um pouco.

— Me respeita, caralho — exclamei. — Você acha que eu vou ficar ouvindo a opinião de um largato do caralho que tá aqui pra garantir que a mulher desse outro parasita aí não pegue ele com a novinha? Se enxerga, truta.

DeclínioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora