Capítulo Cento e Setenta e Cinco

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— Até peço desculpas pra você de novo, irmão, de ter te arrastado pra cá... do jeito que as coisas estão, você, com toda a razão aí, deve tá mó desconfiado, mas é que... é foda, caralho. Eu não confio no Paraguai não. Nunca confiei, Café. O maluco é cheio dessas modernidade aí, vai saber... se pá, ele já deve ter até ouvido a nossa ligação lá e já tá dando os pulo dele pra ficar na nossa frente — o doidão começou a falar, olhando pros lados. — Eu ia até falar pra gente sair daqui e ir pra outro lugar que...

— Mas nem fodendo — o cortei, sem muita paciência.

Café me olhou de canto um pouco incomodado, mas não falou nada.

Pro maluco, pareceu que eu tinha falado em outra língua.

— É isso mesmo o que você ouviu, jão — ressaltei. — O que você tiver pra falar aí, vai falar aqui mesmo.

— Desculpa, parceiro, mas eu não sei quem você é.

— Ele é o... — Café tentou falar, mas eu fui mais rápido:

— Não interessa, irmão. A questão que importa aqui é o que você tem pra falar.

— E o que eu tenho pra falar é pro Café e não pra você, sem querer ser ignorante.

— Você acabou de falar que entende a situação do irmão aqui e que é normal ele se sentir desconfiado do bagulho, daí a primeira coisa que você faz depois de nos fazer rodar pela cidade inteira é dizer que, agora, o melhor é a gente ir pra outro lugar? — questionei.

— Por segurança, parceiro. O próprio Café tem o esquema dele de...

— Não tem por que a gente começar a tretar logo agora — Café entrou no meio. — Eu confio em você, irmão — disse pro tal Drico. Se virando pra mim, acrescentou: — E, de coração, Alemão, eu agradeço mesmo a preocupação. Mas dá pra gente despachar esse assunto aqui mesmo numa boa, sem enrolação.

— É o meu objetivo, Café. Na moral — o vacilão ficou balançando a cabeça feito um daqueles bonecos que tem mola no lugar do pescoço.

— Ótimo, fio. Muito bom — passando a mão pelo queixo, Café ficou um pouco mais tenso que o normal; meio ansioso. Me preocupei. Não por ele em si; que o filho-da-puta fosse pros quintos dos infernos no que dependesse de mim, mas tudo ali tava parecendo muito fora de lugar.

Do nada me surge esse maluco falando que descobriu que o Paraguai e o Baja tão por trás do rolo lá no CD, e daí o Café decide romper todo o esquema de segurança dele e me arrastar pra ali, quando o Gordo tava junto da gente lá...?

Maluco...

Já tinha ficado bem nítido pra mim que aquilo não tinha como ser algo especificamente pra me foder, mas tava começando a me parecer que era algo pensando pra me usar.

Tentar me usar de testemunha contra os dois...

Puta que pariu.

Eu tenho que sair fora dessa porra, pensei comigo. Eu já sei que o Café vai pra cima dos dois agora. Os detalhes não são importantes; eu tenho que ficar de fora e arrumar tempo pra avisar os dois... se é que eles já não sabem.

— Mas, então, de onde é que você tirou a confirmação que o Baja e o Paraguai tão envolvido nisso? — Café quis saber.

— Certeza que esse Baja só deu suporte. Quem que organizou a porra toda mesmo foi o Paraguai — ele contou. — E é por isso que eu pedi pra você vir aqui pra gente trocar essa ideia pessoalmente mesmo, porque o Paraguai é rato demais, irmão. O Lino sempre falou disso como se fosse algo bom pra gente, dele manjar dessas fita de tecnologia e sempre conseguir bolar uns esquema doido da cabeça dele, mas é bom enquanto o cara tá correndo junto com a gente, a partir do momento que o cabra se vira contra, 'cê é louco, daí é só desgraceira. E eu tô te falando. Eu tenho certeza que ele já tá ciente dessa nossa conversa aqui. Eu deixei uns parceiros meus na contenção e tô ligado que você deve ter deixado uns seus também, mas eu não confio e...

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