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Soltei o cabelo e fui andando com um sorrisinho no rosto pra lá. Me debrucei sobre a porta do motorista, me apoiando com o braço na parte de cima, e bati no vidro, dando um tchauzinho.

— Oi! Vim trazer teu dinheiro. — Dei um sorrisinho, mostrando a maleta. Ele abriu a porta, olhando diretamente pra mim. Cara, achei que o velho fosse me comer com o olho, de tanto que ele tava encarando o meu corpo. — Pega ai. — E coloquei a mala no colo dele, me escorando na lateria do carro, enquanto ele contava as notas.

— Meu amor, tá faltando coisa aqui. Cadê teu chefe? — Falou com uma voz doce e um devolvi um sorriso pra disfarçar a tremedeira que tava me dando nas pernas. COMO ASSIM TAVA FALTANDO DINHEIRO?

— O Misael? Ah, ele tá parado ali no carro. — E apontei para o homem do outro lado da rua. — Tem outra dessas no porta malas. Vem comigo buscar? Ele quer falar contigo. — Eu tava sorridente, jogando o cabelo e fazendo charme. Queria que ele se sentisse seguro comigo. Qual é, quem tem medo de uma mina com 1,60 de altura?

— Comigo? — Ele ficou grilado, olhando pro M7 com desconfiança.

— É, na real, eu não sei o que é, mas deve ser sobre mim. — Coloquei minha mão no ombro dele e me debrucei, sussurrando no ouvido dele. — O Caburé te mandou um presente. — E apontei discretamente pra mim. — Eu vou junto com a grana pra onde tu quiser.

Ele cruzou os braços, ainda meio indeciso. Eu não sabia de caralho nenhum, então eu só tava dando tiros no escuro.

— É o jeito dele de dizer que quer ficar de boa. — Dei de ombros. — O Misael tá te esperando. — Apontei de novo para o gerente-geral.

Ele finalmente jogou a mala no banco do carona e saiu do carro pra ir comigo. Dali, eu dei uma olhada pra achar o filho dele, que tava atrás, me olhando do mesmo jeito que o pai. Dei uma piscadinha pra ele e sai com o Siqueira para perto do nosso carro preto. Ele apertou a mão do M7 e eu abri o porta-malas, olhando para o Misael. Márcio abriu a porta e saiu nessa hora, botando a pistola na nuca do velho e agarrando ele pela blusa.

— Vai buscar o filho, bora. — Mandou em voz baixa o gerente e eu atendi na hora. Corri pro carro, abrindo a porta com força e apontando a minha pistola pra cara do filho, que tava ali recontando as notas.

— E ai? Quer sair com o papai vivo daqui? — Perguntei, pegando o cara de surpresa.

— Que isso, garota?

— Que isso é o caralho, desce da porra do carro e vem. Bora, porra. — Mandei, fechando a mala de volta e jogando ela no chão do meu lado, abrindo espaço pro playboyzinho sair. — É pra vim rápido, se tu não quiser ir pra vala mais cedo com o teu velho. — Ameaçei, segurando o cara pela gola da camiseta.

— Calma ai, calma ai.

— Vai na frente, porra. Vai andando em direção ao carro, anda. — Mandei, apontando a pistola pras costas dele. — E se olhar pra trás, eu vou te furar inteiro.

Peguei a mala do chão e chutei as portas do carro branco deles, colando no playboy de novo, que ia andando em direção ao nosso Fusion com as mãos pro alto. O pai dele já tinha tido amarrado pelos braços e amordaçado quando o Márcio fechou o porta-malas. Então, Marciano veio pra cima dele, mandando ele calar a boca, se não matava o velho dele ali na hora. Rendido, o tal de Iago entrou no carro com a gente.

— Cadê teu celular, playboy? — Perguntei, lembrando que ele podia ser rastreado por aquela porra. — Bora.

— Tá no bolso da calça.

— Abaixa a mão não. — Mandei, metendo a mão no bolso dele e tirando o iphone do ano dele. M7 arrancou com o carro e eu procurei alguma coisa pra abrir a bandeijinha e tirar o chip dele. Não consegui, então, a gente teve que dar uma mudança no caminho. O gerente dirigiu até a Autoestrada de novo, beirando o mar, de onde eu joguei o aparelho do penhasco, tendo a certeza que ele não ia sobreviver 5 segundos em contato com a água salgada da praia de São Conrado.

Ai sim, a gente retomou o rumo pra Estrada da Canoa. Do meu lado, o Márcio seguia com a arma na cara do playboy e já tinha amordaçado ele também.

— Márcio, tu tem outro pano desses ai? Amarra nos olhos dele também? — Mandei.

— Tu quer vendar o cara?

— É, venda esse playboy ai. — Falei, já pensando em como a gente ia matar ele. Minhas mãos já tavam soando pra caralho e o meu coração tava disparado no peito. Minha respiração tava acelerada pra caralho e eu sentia até falta de ar, de tanto nervoso. A pior parte era aquela, mano.

O M7 parou no acostamento depois de uns 15 minutos adentro da Canoas, numa parte que dava pra entrada de um trilha do lugar. Só tinha árvore e uma iluminação ridícula de tão fraca ao redor, o lugar estava deserto como o inferno.

Amor na GuerraOnde histórias criam vida. Descubra agora