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Ele concordou com a cabeça e levantou um tempinho depois, dando a volta na mesa, se aproximando de mim. Eu abracei ele de uma vez, enterrando a minha cabeça no peito dele. Quando ele me apertou de volta, eu fiquei ali. O silêncio dele me deixava agoniada, ele não me dava nenhuma garantia certa pelas suas palavras, mas eu queria acreditar nas atitudes dele.

— Will, se tu achar que isso que eu acabei de te falar puder ajudar alguma coisa, me fala. Se eu ser filha do cara lá servir pra qualquer coisa, eu faço. Tu pode usar isso a nosso favor, po. — Disse, levantando a cabeça pra olhar pra ele. Mais uma vez ele ficou em silêncio, mas me beijou na boca, depois no queixo e na mandíbula, foi descendo pelo meu pescoço... — Fala alguma coisa.

— Não tenho o que falar. — Respondeu perto do meu ouvido.

— Qualquer coisa, porra. Eu quero saber o que tu tá pensando.

— Tô pensando muita coisa, Nina. Depois a gente fala sobre isso. — Falou, se afastando uns centímetros de mim.

— Tem mais alguma coisa pra gente fazer aqui? Eu quero ir pra casa.

— Tu tá liberada, ué. — Falou, puxando mais um cigarro e acendendo atrás da mesa dele.

— Ah, então é assim? Tu tá me mandando embora? Tranquilo, po. — Virei minhas costas e fui em direção à saída. Antes que eu abrisse a porta, ele veio atrás de mim e me puxou pela cintura contra ele.

— Por que tu não fala de uma vez o que tu quer, mina? — Falou no meu ouvido.

— Tu não fala nada também, não pode me julgar. — Ralhei.

— Tá, foda-se. — Disse, saindo de trás de mim e abrindo a porta, me puxando pra fora pelo pulso. Nós dois fechamos a casa e saímos pra parte de fora, onde a moto dele tava estacionada. Ele subiu e me esperou, mas eu não fui de uma vez.

— Antes de eu subir, tu vai ter que me falar pra onde eu vou. — E cruzei os braços.

— Não é pra minha casa que a gente tá indo? — Perguntou como se fosse óbvio.

— Depende, você quer que eu vá pra sua casa? — Insisti na pergunta, vendo ele bufar e olhar pra frente em sinal de impaciência.

— O que eu quero, Nina, é foder você o resto da noite. Dá pra subir, caralho?! — Mandou e eu sorri, batendo nele pela vergonha de ele dizer aquelas coisas em público. Aquilo sim, era muito mais a cara dele.

Ai sim, eu montei na garupa feliz e me abracei a ele, sentindo o arrancar da moto. Por um momento, eu me senti segura do lado dele.

[...]

Na manhã seguinte, o dia raiou em paz. Acordei com o Barbás foragido da cama e vozes no andar debaixo. Levantei, tomei um banho, fiz minhas higienes e desci, usando uma das camisas dele mesmo. Pra minha surpresa, ele tava jogando videogame com o filho dele. O Pedrinho tava aqui!

— Eita nós, e ai, Pedrão! — Falei com o menino, que largou o controle pra vir falar comigo. Ele me abraçou tão bonitinho que eu fiquei com o meu coração apertado.

— Oh moleque, vai perder pra mim aqui, hein?! — Falou o pai dele, rindo e continuando a apertar os botões.

— Volta lá e não deixa ele te ganhar, Pedro. Onde já se viu? — Entrei na brincadeira e dei um tapinha nas costas dele, que correu de volta pro sofá.

Fui pra cozinha e vi que ele tinha comprado pão. Aproveitei pra pegar um e comer com o requeijão que tava na geladeira dele. Depois, eu fiz uma vitamina com umas bananas que eu achei na fruteira da cozinha. Levei pra eles dois lá na sala.

— Pausa pra tomar vitamina. — Falei, entregando o copo pros dois e entrando na frente da TV. — Bora, pausem e bebam ai.

O Pedro pegou o copo e largou o controle rápido, o Barbás ficou enrolando.

— Até eu? Achei que vitamina fosse coisa de criança.

— Vitamina é coisa de gente saudável. Tá gostoso, toma ai, vai. Eu até te ajudo se você quiser. — Pedi e ele pegou o copo da minha mão, tomando de uma vez só. — Uau, tá vendo como não doeu?

Ele sorriu e deu um tapa na minha bunda, quando eu coloquei o copo na mesa de canto.

— O que que esse meninão veio fazer aqui? Ele veio ficar comigo? — Brinquei, abaixando na frente do Pedro. Eu adorava crianças e ele, especialmente, era um amor.

— O mãe da Larissa vai fazer uma cirurgia esse final de semana, então ele vai ter que ficar com a gente. Essa semana é a do pessoal da Vila cuidar do baile, então a mãe dele vai estar ocupada. Ele vai ficar comigo até início da semana que vem, se ligou? — Explicou.

— Claro que sim, o que significa que a gente vai embrasar esse final de semana todo, né Pedrão? — Falei, apertando a barriga dele. — Isso se seu pai me deixar ficar aqui.

— Como se tu dependesse de eu falar sim ou não pra ficar aqui, Nina. — Ele riu e eu bati na perna dele.

— Por isso que você me deu sua chave? — Ergui a sobrancelha e pisquei pro Pedro.

Naquela hora, a gente parecia muito uma família que só tava curtindo uma manhã de sábado em paz. Era como se tudo tivesse na mais perfeita paz... Não importava o quanto o mundo tivesse doido lá fora, ali havia amor e tranquilidade.

Amor na GuerraOnde histórias criam vida. Descubra agora