[NINA]
— 3 MESES DEPOIS —
A gente tava quase lá, eu já tava alucinando naquela altura do campeonato. Sem qualquer cuidado ou vergonha, eu rebolava em cima dele com força e pressa. Quase lá... quase. Gemi, me inclinando sobre ele, que deu um tapa na minha bunda e juntou meus cabelos com a mão, puxando minha cabeça pra trás. Eu perdi tudo quando aquele homem beijou o meu pescoço e mordeu meu ombro. Eu desmontei inteira, apertando todos os meus músculos ao redor dele e sentindo o orgasmo balançar até a minha alma. Fiquei as minhas unhas nas laterais da barriga do Barbás, enquanto ele bombava uma última vez dentro de mim, também gozando uns segundos depois.
A gente caiu de volta na cama completamente esgotados. Aquela devia ser a 3° vez da noite, nosso pique já tava no final. Principalmente porque o dia tinha sido cheio pra caralho... As coisas na favela estavam ficando estranhas a cada dia que passava. O clima tinha mudado pra caralho desde que o Misael tinha virado o nosso frente, o jeito dele de fazer as coisas deixava uma parte do pessoal puto. Isso levava uns e outros a contrariar ele e ai já viu... ele era tão brutal punindo essa gente que todo o resto ficava de alerta. Teve um que tomou um tiro na mão, porque o M7 desconfiou que ele tivesse perdido uma parte da carga. Na real, ela nunca tinha chegado na boca do cara, o próprio gerente do branco dele tinha mandado a quantidade errada. A gente nunca esteve tão acuado e perdido antes. O Caburé podia ter seus mil defeitos, inclusive ser um mau caráter do caralho, mas ele sabia como fazer pra não jogar a favela num barril de pólvora. Eu já tava vendo a hora que alguém ia revidar e a merda tava feita. Era o que todo mundo tava esperando...
Nesse meio, tava eu, confusa até o último fio de cabelo. Eu sempre lembrava da questão X da coisa. Na minha cabeça martelava um nome, o nome do homem que alimentava o poder daquele merdinha que tava fodendo a nossa vida. As vezes eu queria sair dali, ir até lá na favela onde ele se escondia e socar a cara dele. Por que a porra do Misael, filho da puta?
Eu sabia que aquilo, porém, era maior do que eu. Aquilo era política de favela, jogo de quem domina o que, e naquele tabuleiro, eu não era nada além de mais uma das peças. Eu não era ninguém. Carlos devia ter os motivos dele, só um deles era a minha segurança. Os outros eu não fazia a menor ideia, mas por causa daquele único que me envolvia, a culpa parecia querer me engolir. Era uma situação desesperadora da porra. Eu queria muito dividir aquilo com alguém, contar pros meus irmãos, pro Barbás, pros meus amigos... Mas eu não tinha certeza. Porra, eu não fazia a menor ideia do que ia fazer.
— Russo tá ligando. — Barbás falou um tempinho depois. Eu tava noiando nos meus pensamentos ali, não tinha nem me ligado no toque irritante do meu celular. Rolei na cama e peguei ele no chão, junto com as minhas roupas. — Tá viajando ai.
Atendi o meu irmão e ele queria saber onde eu tava. Rolei os olhos e passei o mão no rosto. Agora que ele soube que eu saia com o Barbás, ele tava marcando em cima de mim pra caralho. Eu sabia que ele ainda gostava do William, mas andava meio de cara virada pra ele também. Acho que por causa do nosso histórico, ele andava preocupado comigo... ainda mais naquela situação que a gente tava.
— Tô no Barbás aqui. Vou amanhã cedo só. — Avisei, olhando pro William de canto de olho.
— De novo isso, Nina? Puta que pariu. Abre o teu olho, hein?! — Falou e eu senti a irritação em cada palavra dele. — Depois quero choro no meu ouvido não. Tudo sobra pra eu resolver. — E desligou.
Eu suspirei, jogando o celular em cima do meu shorts de novo. Eu tava começando a cansar daquela situação. Com tudo o que eu tinha na cabeça, ainda tinha que lidar essa merda. Se no meu trampo, as pessoas tavam começando a me levar a sério como Índia, conforme eu ia conquistando o meu espaço naquele mundo, na vida do Barbás, eu não passava de mais uma na visão da maioria. De canto dele, eu senti ele me olhando de canto.
— Barbás, não tá na hora da gente assumir esse rolo nosso, não? — Mandei de uma vez na lata, antes que eu perdesse a coragem. Fazia um tempo que eu queria conversar com ele sobre aquilo, mas eu sempre me segurava com medo do que pudesse sair disso.
— Tu quer falar disso à essa hora? — Falou, olhando no próprio relógio no pulso. — Porra, Marina, são quase 4h da manhã. Tô cansadão.
— Tô falando sério, William. Por que a gente, sei lá, só não namora direito? Tu não me quer como tua mulher de fé? — Me virei na cama pro lado dele.
— Ah, Nina. — Ele esfregou os olhos com força e se sentou direito na cama, olhando pra mim com uma expressão óbvia de cansaço. — Na boa? Eu achei que eu nunca mais fosse me sentir desse jeito ai por ninguém, depois que eu me separei. Tu tá ligada nisso, eu já te falei. Eu gosto de tu pra caralho, moreninha. — Ele falou, tocando o meu rosto com a ponta dos dedos. Lentamente, eu me aproximei até colar nele.
— Mas? — Tinha um mas, óbvio.
— Mas olha como a gente tá agora, Marina. Irmão, tu sabe porque eu não contava do meu filho, não sabe? Tem nego que não tem caráter nenhum, que usa as pessoas que a gente ama pra chegar na gente. — Falou, escorregando a mão pelo meu pescoço, até minha nuca. — Eu não vou te botar nisso, nem eu quero ficar exposto pra filho da puta vir e me fazer refém porque tá fazendo mal pra você. Eu não posso fraquejar desse jeito agora não, Nina. Tu sabe bem o porquê.
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Amor na Guerra
Romansaㅤㅤ ㅤ"Geral quer ser rei, conspiram pro tempo que não espera. Impérios caem com novos reis, os tempos passam a ser de guerra." MC Marechal ㅤㅤ ㅤO sonho do moleque é ser chefe, o do vapor, do gerente e do segurança também é. O sonho do chefe é sobreviv...
