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Coloquei o pente no fuzil e ajustei a bandoleira. Separei mais dois cartuchos e prendi um negócio que eu tinha comprado na perna. Verifiquei a pistola, que coloquei por dentro da minha calça. Depois, desci as escadas e fui pra sala, onde meu irmão tava me esperando com um treco na mão, ao qual ele jogou pra mim.
— Que isso? — Perguntei, pegando o treco pesado. — Colete?
— É. Colete, bota ai. — Era uma placa pesadassa dos dois lados, que fazia um peso enorme no meu corpo. Vesti com um pouco de dificuldade, depois ajeitei minhas armas por cima. — Tu consegue falar com seus irmãos?
— Consigo se for rapidinho.
— Então liga ai e pega informação pra gente. Se a gente não ficar dando tiro no escuro é mais difícil da gente virar saudade. — Disse.
Fiz o que ele pediu e liguei pro telefone que tava com o Drei. Dessa vez, chamou e ele não atendeu. Mandei um SMS e fiquei esperando resposta, enquanto isso, eu e o Wallace pegamos a moto dele e descemos pra encontrar a tropa que ele tinha reunido, dos soldados da Cachopa. Abracei meu irmão com força no caminho até lá em baixo. Depois, o próximo encontro foi na nossa parte do Largo. Nos posicionamos lá e ficamos esperando o Barbás com o pessoal dele.
Naquele tempo de espera, eu me sentia cada vez menor. O Russo percebeu e veio pro meu lado.
— Vai dar tudo certo, Ninão. Os justos prevalecem, tá ligado? — Disse, passando a mão nos meus cabelos.
— É, mais se a gente morrer ou muitos dos nossos parceiros morrerem, a gente tá na mão do palhaço, né? Como que a gente vai segurar as fronteira com pouca gente? — Confrontei.
— É, mas se a gente conseguir resgatar eles, você vai ter sua família de volta e a gente vai ter sua mãe. — Falou. — Viver ou morrer é uma divisão muito complicada, Nina. A gente na vida errada nunca sabe quando o amanhã não vai chegar pra nós, a única coisa que a gente sabe é que quando acontecer, vai ter mais um pra ficar no nosso lugar.
— Tô sabendo, mas nesse caso, não vai ter gente pra substituir a gente.
— Então não vamos morrer.
— Não vamos. — Concordei com a cabeça, destravando minha arma e apertando ela na mão, depois de lançar um olhar cúmplice pro meu irmão. Nessa hora, o Barbás veio subindo com os seus homens e nos encontrou.
Ao todo pelo que eu contei, eram um pouco mais de 30 homens, tirando a gente. Uma tropa legal, com armamento bom, dava pra fazer o que a gente pretendia.
William apertou a mão no Wallace e cumprimentou os homens dele, depois, veio pra minha direção e parou na minha frente. A gente se olhou por alguns segundos, sabendo exatamente o que passava na mente um do outro. Não havia medo naquele olhar, era determinação e vontade de vencer o que eu via. Era só daquele sentimento que eu deveria me alimentar.
— Vamo? — Perguntou, querendo saber se eu tava pronta.
— Um minuto. — Pedi, verificando meu celular uma última vez pra ver se eu tinha sido respondida. Drei tinha me escrito uma mensagem apressada há alguns minutos que dizia: "Tão entrando aqui, falaram que é pra gente pegar nossas coisas que em meia hora a gente ia sair daqui." Mostrei ela pro Barbás, que leu rapidamente. — Meia hora, a gente tem que chegar antes disso pra eles não ficarem no meio do tiroteio.
— Nosso tempo tá curto então. — Concordou com a cabeça. — Tu lidera hoje. — Disse, fazendo um gesto amplo com a mão e me dando passagem.
Dei um sorrisinho curto de canto e comecei uma caminhada apressada, sendo seguida por todos os outros homens reunidos ali. Naquele momento, eu me senti poderosa. De vez em quando, eu até dava umas espiadinhas pra ver aquela gente me acompanhando no meu ritmo. De vez em quando eu até esbarrava com o rosto fechado o Barbás, que me dedicava um sorriso muito discreto sempre que eu me percebia olhando pra ele. Ali eu entendi que aquilo era a minha vida inteira. Eu sempre arranjava empreitadas e me colocava em situações perigosas. Apesar disso, eu sempre tinha aqueles dois homens no meu encalço, se envolvendo comigo em qualquer merda que a vida jogasse na minha direção. Até ali, eles tinham sido a minha fortaleza e eu era puta grata por isso...
Andamos até o limite da nossa parte do largo e cumprimentamos os caras que estavam ali protegendo ela. Eles iam dar apoio dali onde eles estavam e, caso desse tudo errado, impedir que os caras do M7 avançassem pra dentro do nosso território.
Ali paramos e o Barbás explicou a ideia dele.
— É o seguinte, é um beco fechado, mas as casas da lateral dele tem entrada do outro lado, nas ruas de trás. 5 de vocês vão por lá e pedir licença da moradora pra entrar e usar a janela ou a laje dela. Um grupo de cada lado. O restante, vai se dividir em dois grupos. Um vai forçar a entrada pela parte de trás da casa. Deve ter nego lá, então, vocês tem que segurar os caras lá trás pra não virem perturbar na frente. A gente aqui vai pela única entrada do beco e vai forçar os caras lá. Enquanto eles tiverem distraidos dando tiro na gente, o pessoal de cima vai matar todo mundo por cima. Simples. — Explicou. — Vocês cinco ai vai pela esquerda, vocês outros cinco da ponto de cá, pra rua da direita. Mandem um OK pra mim quando vocês chegarem lá e tiverem consigo posição.
Ai a gente esperou... esperou e esperou. Os 10 homens correram pra conseguir entrar dentro das casas dos moradores e conseguir posição que desse pra dar uma rajada limpa de tiro em cima dos inimigos. Poucos minutos depois, os nossos 'oks' chegaram e o 2° grupo de 10 homens foi pela rua de trás. Mais alguns minutos e o nosso 3° 'ok' chegou. Restou eu, Barbás, meu irmão e o restante dos nossos homens. Usamos o rádio pra avisar pros outros que ia começar e que era pra ir pra cima assim que desligassem.
Em um segundo, o silêncio era macabro e tão presente que era. No segundo seguinte, o estrondo de um tiro de fuzil rasgou o ar acima da nossa cabeça e nós corremos pra responder do lado de cá. A merda é que meter a cara no único beco de entrada e saída daquela viela era suicídio, tamanha a quantidade de bala que veio voando na nossa direção. Barbás me agarrou pelo braço com força, me impedindo de avançar.
— Pera, Nina. Eles lá de cima tem que tirar um pouco o foco de cima da gente. Se não, não tem como entrar. — Mandou, mandando o Russo passar um rádio.
Colados nas casas dos dois lados, a gente avançou com cuidado, aproveitando os momentos de distração deles. Centímetro à centímetro a gente ia dominando aquelas viela. O meu dedo começou a dar cãibra de tanto que eu apertava o gatilho. Com o ajuda o do pessoal dos lados, depois de um tempo foi fácil entrar mais pra dentro, já que eles acabaram entocados ali. Se focasse na frente, tomava de cima e se focasse em cima, tomava da frente. Foi uma estratégia muito bem bolada, então, em menos tempo do eu esperava, a gente conseguiu abater todos os alemão que tavam dispostos perto da minha casa e dominar a viela de frente pra minha casa.
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Amor na Guerra
Romanceㅤㅤ ㅤ"Geral quer ser rei, conspiram pro tempo que não espera. Impérios caem com novos reis, os tempos passam a ser de guerra." MC Marechal ㅤㅤ ㅤO sonho do moleque é ser chefe, o do vapor, do gerente e do segurança também é. O sonho do chefe é sobreviv...
