[...]
O sexo foi foda. Tipo... foda mesmo. Eu senti como se a gente encaixasse, os nossos corpos se davam bem pra caramba, era uma loucura do cacete. Por isso, naquela madrugada, a gente dormiu muito pouco. Tiravamos uns 20 minutos de descanso e voltavamos pra testar uma posição nova. Ele deve ter me comido de todos os jeitos que a gente conseguia imaginar e ainda sim não era suficiente. Acho que nunca ia ser o suficiente.
Já era mais de 3h da manhã e a gente tava deitado naquela cama de casal, completamente exaustos. Minhas pernas estavam moles eu não tinha mais força pra nada. A gente ficou conversando sobre coisas banais, como fazíamos sempre nos intervalos.
— Posso perguntar uma coisa? — Virei meus olhos pra ele, meio cautelosa. Tinha uma coisa que martelou na minha cabeça durante o dia todo, eu precisava perguntar pra ele.
— Manda.
— Quem era aquela mina loira? Aquela que meio que pegou a gente no flagra. — Perguntou com medo da resposta. Ele abriu os olhos e me olhou com uma expressão estranha.
— Pra que tu quer saber? — Rebateu com uma pergunta. O tom da voz dele era bastante suave, então, não soou grosseiro como poderia ter soado.
— Ela é irmã da Sandra, né?! Acho que lembro dela indo buscar aquela puta na escola, a gente estudou juntas, sabe? — Contei sobre a memória que eu resgatei do fundo do baú. Tinha passado o dia todo pensando nisso, queria saber de onde eu conhecia aquela mulher.
— É. É irmã da Sandra. — Confirmou.
— E o que ela é pra você? — Fui direto no assunto pra não deixar ele se esquivar.
— Pra mim? — Ele deu de ombros, parecendo confuso com a minha insistência. — Hoje não é mais nada não.
— Mas foi, né?!
— É, foi, mina. — Ele começava a se irritar. Quietinha na minha, eu ia estudando as reações dele e do resto do pessoal da boca em relação àquela mulher. Eu era uma boa observadora, então, por mais que o Barbás negasse, eu ainda via que ela mexia com ele de alguma forma, nem que fosse só na base do ódio, como ele deixava transparecer.
— Dá pra você completar? Não joga as informações, explica direito. — Pedi, correndo o risco de irritar ele mais ainda.
— Quer me rastrar, porra? Que eu te conte a história da minha vida toda? — Rugiu do modo grosseiro de sempre. Eu sentei na cama, virando de frente pra ele e cruzando os braços.
— Para de ser grosso. — Briguei, fazendo a cara mais ofendida que eu consegui. — Eu só quero entender onde eu tô me metendo, beleza?
Ele ia fizer algo, mas parou, respirou fundo e se sentou também, olhando pra mim.
— Eu era casado com ela. — Falou de uma vez.
— No papel?
— Sim, po. Eu procurado pela justiça posso sim ir lá no cartório me casar. — Debochou, claramente irritado. Pelo menos ele estava engolindo o estresse dele pra fazer algo que eu tinha pedido e, por algum motivo, aquilo me deixou meio derretida. — A gente morou junto por uma porrada de tempo. Separamos faz mais de um ano já por um monte de coisa que, na boa mermo, eu não quero ficar falando não.
— E ai você começou a comer a irmã dela por esporte? — Voltei à um ponto chave da coisa toda. A frase do TK "ela era filha da puta e ele mais ainda" fez todo o sentido pra mim.
Ele negou com a cabeça, virando o rosto pro outro lado. Eu vi que ele escondia um sorrisinho de canto. É, eu realmente sabia fazer um juízo de valor pica, ele era um filho da puta legítimo. Eu só não queria nem imaginar o que a outra lá tinha feito pra merecer ser traída daquele jeito pela própria irmã e pelo homem que ela devia amar. Foda... Coração dos outros é terra onde ninguém pisa.
Levantei da cama e fui na direção da janela, em apoiando nela pra olhar a favela lá fora. Dava pra ter uma visão muito boa dali, o mar de casa lá embaixo, banhadas pela luz da lua, era tão bonito. Eu amava aquela favela... por mais que às vezes odiasse as pessoas que moravam lá. Não vi quando o Barbás também se levantou e veio pra trás de mim, me abraçando pela cintura.
— Por quê? Tu sentiu ciúmes, mina? — Quis saber, daquele jeito sacana dele.
— Tá maluco, certeza. — Neguei com a cabeça, me virando pra ele. — Se eu tivesse, tu ia, por um acaso, ser fiel? Cê não me engana, William. — Apontei o dedo pra ele.
— Não fui fiel nem à minha mãe. — Riu meio amargo, recuperando logo o bom humor. Fiquei até abismada como ele estava tão tranquilo — Fui fiel muito tempo e me serviu de que? Tenho cara de otário não.
— Credo, que pessimista do caralho. Ainda bem que eu não tenho irmã, seu otário. — Zoei, empurrando ele. Barbás voltou rindo, beijando o meu pescoço e roçando a barba contra a minha pele. Ele ficou vendo a vista da favela ali comigo por um momento. Eu odiava o pensamento dele, sabia que eu teria um trabalho do caralho pra dobrar ele, isso se eu conseguisse esse feito. Era óbvio que o lance com a mina meio loira, meio morena lá tinha acabado mal, bem mal, por isso ele ia querer se esquivar de qualquer coisa que se parecesse com um negócio sério.
No meu coração, eu me sentia cada vez mais apegada à ele, era uma merda. Eu sabia que se as coisas fossem naquele ritmo, ele ia acabar entrando no meu coração e ai já era. Eu não queria me apaixonar pelo William de jeito nenhum, de verdade. Morria de medo de onde aquilo ia me levar. A merda é que eu sabia que não ia conseguir controlar nada ali, talvez o nosso coração também fosse terra onde os nossos olhos conseguiam enxergar, mas era inacessível pra nós mesmo. Caralho, eu estava fodidassa. Só podia esperar que ele se fodesse junto comigo nessa.
Do nada, um tiro subiu no céu e a gente ouviu o barulho. Ele endureceu na hora, todos os músculos ficaram tensos e ele me soltou, indo mais pra próximo da janela pra olhar direito. Dele, seguiram muitos outros. Eu fiquei olhando os pontos luminosos subirem o céu, enquanto o Barbás procurava o celular e o rádio perto da calça dele. Fiquei ali ouvindo os barulhos de tiros, um atrás do outro, por cima do outro, um tiroteio começando na parte baixa da favela. Atrás de mim, William tava se comunicando com a Rua 1, de onde vinha todas as ordens pra agir. Mandaram ele ficar onde estava, já que o pessoal da noite já tava descendo pra ver o que tava rolando.
Ficamos a próxima hora ali, acordados, olhando pela janela pra ver o que tava acontecendo. Barbás tava agitado, mas acabei convencendo ele a sentar na cama comigo e conversar sobre qualquer coisa. O celular e o rádio dele estavam ali do nosso lado, pra caso chamassem a gente pra ir proteger a favela, o que, felizmente, não aconteceu. Era quase 5h quando descobrimos o que rolou.
— Tá de boa, foi um carro preto que entrou atirando contra os moleques que vigiam de madrugada. Acertaram 2 falcão e meteram o pé. — Explicou, jogando os aparelhos no chão e voltando a deitar na cama, visivelmente relaxado agora que tinha certeza que não ia precisar sair às pressas.
— Ué e por quê? Foi alemão?
— Deve ter sido, querem cobrar alguma parada do Caburé. — Concluiu. — Só vou saber direito amanhã.
Não falei mais nada, até porque tava morrendo de sono que nem ele. Me abracei ao Barbás, puxando o cobertor sobre a gente. A noite tava fria pra caralho e um amontoado de nuvens vinha chegando do mar. Ia chover...
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Amor na Guerra
Romanceㅤㅤ ㅤ"Geral quer ser rei, conspiram pro tempo que não espera. Impérios caem com novos reis, os tempos passam a ser de guerra." MC Marechal ㅤㅤ ㅤO sonho do moleque é ser chefe, o do vapor, do gerente e do segurança também é. O sonho do chefe é sobreviv...
