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[NINA]
Acordei pulando da cama, no susto. Olhei minha cara no espelho do guarda-roupas, vendo o suor brilhando na minha testa. Meu coração estava acelerado dentro do peito e na mente, a memória ainda estava viva e ardente. No meu sonho, ele estava comigo. Beijando meu pescoço, me penetrando com os dedos longos, mordendo o nódulo da minha orelha... aaaaah. Porra! Agora estava ali, suada, excitada e completamente mexida com a situação. Aquele homem era muito, muito gostoso. Ele pegava firme, de um jeito bruto que me deixou de pernas bambas. Po, eu realmente não tava esperando por aquilo... tá, eu queria dar uma lição naquele cuzão, queria mostrar que eu existia, que eu era uma mulher bonita e que ele podia me desejar. E eu provei a porra do meu ponto, eu deixei ele de pau duro por mim, fiz ele pensar em mim, olhar pra mim. Só que, sei lá, acho que não tinha esperado que eu fosse levar aquilo à sério, que fosse ficar subindo pelas paredes por ele.
Eu sei lá o que eu tinha na cabeça quando resolvi seduzir ele e deixar ele na mão, mas na boa... tinha sido foda. Tinha sim, mano. Toda a raiva que eu passei, acumulada na semana, ele tinha passado em uma só noite. Ah, a vingança é um prato que se come frio. Ele comeu gelado.
Domingo foi minha folga, então eu sai pra aproveitar o dia. Acordei 12h, desci com a Lila pra praia e fiquei o resto da tarde torrando no Sol. Consegui uma marquinha linda, fiquei de cara. Saí a noite com o Márcio pra tomar o sorvete que ele tinha me prometido no início da semana e pareceu que tudo ficou em paz. Segunda chegou voando e eu tinha que encarar a realidade, sabe como é, né?! Levantei cedo, tomei um banho, comi alguma coisa e desci pra boca. Quando cheguei, todo mundo já estava lá e tava cedo ainda.
— Acordaram cedo hoje? — Falei, indo pra perto da Shirley e cumprimentando os meninos. Dei um sorrisinho pro Barbás quando ele passou por mim como um furacão.
— Puta que pariu, eu vou dar um tiro nesses filhos da puta na horas que eles tiverem a coragem de botar a cara aqui. — William disse alto, batendo a mão na parede. Ele tava muito puto.
— O que houve? — Perguntei baixinho pra morena.
— Os caras da endola não apareceram ontem, ai a gente não tem carga embalada pra vender hoje. — Respondeu no mesmo tom. — Vai faltar mercadoria pra vender hoje, sacou?
Ai acabou que metade dos meninos que faziam a segurança e a gente teve que sentar no chão do depósito pra começar a embalar droga. Foi uma merda, tava todo mundo boladão por causa do contratempo. Eu tava mais puta ainda por ver todo mundo sujando o meu chão limpinho. As duas horas que a gente tinha antes de abrir a venda, nós gastamos botando pó e maconha em saquinho, foi foda.
— Shirley, vai lá abrir a banca. TK, tu reune os moleques todos de novo e bota na rua. Não dá pra deixar a rua sem vigilância não, que se não o patrão liga falando merda mim. — Falou, colocando tudo o que a gente tinha feito num saco e entregando para a Xica. — Eu fico aqui terminando de endolar com ela.
Sei lá, mano, eu me senti estranha de ficar ali sozinha com ele. Mano, eu não conseguia controlar direito as minhas emoções, então eu comecei a rir. De verdade, eu tive uma crise de riso, enquanto pesava e cortava o prensado de maconha. Ai ele olhou pra mim e o meu riso se perdeu no meio da carranca dele. O olhar era tão intenso que eu senti o meu rosto esquentar.
— Tá vermelha por quê? Eu falei alguma coisa com você? — Falou com um sorrisinho de canto.
— Não, é que... — Dei uma risadinha contida. — Você tá puto comigo?
— Eu? Puto? — Negou com a cabeça, jogando mais uma trouxinha com pó pro canto. — Não existe só você de mulher nessa favela.
— É, mas nenhuma delas é igual a mim. Sabe de uma coisa? Eu não sou mulher de fazer sexo num depósito, sabe? — Comecei, sabendo que aquela afirmação tinha uma pontinha de verdade. Homem era foda, se você desse mole, eles simplesmente não iam te respeitar. — Não sou as suas putinhas.
— Para de cena, porra. Tu sabe que a única coisa que você não fez comigo foi me dar.
— E não é isso o ponto decisivo?
— Sabe qual é o ponto, mina? — Ele falou, pegando no meu queixo e levantando meu rosto pra olhar pra ele. — Tu quis jogar comigo, eu entendi. Só que comigo não funciona. O que tu não entendeu ainda é que eu não sou moleque. Eu sou um homem.
— Jura? Achei que você ficou bem afetado. — Brinquei com um sorrisinho, aproveitando o bom humor.
— Você também. Ai que tá, tu só comanda a situação quando não tá envolvida. — Falou como se fosse óbvio. — Se liga, eu não sou os moleques da tua idade. — E deu um beijo no canto da minha boca, me largando em seguida e levantando.
— Eu sempre gostei mais dos mais experientes mesmo. — Sorri pra ele, que me olhou de canto antes de sair da sala.
— Termina essa porra ai. — Mandou, antes de sumir do meu campo de visão.
Então é assim que ia funcionar daqui pra frente? Muito que bem, eu gostava muito de brincar... ainda mais se tivesse alguém pra jogar comigo. Olhei pros vários tijolos que ainda tinham ali pra embalar e neguei com a cabeça, voltando à endolar aquela porra toda sozinha. Mano, eu ia levar o dia todo... Ele era um filho da puta.
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Amor na Guerra
Romansㅤㅤ ㅤ"Geral quer ser rei, conspiram pro tempo que não espera. Impérios caem com novos reis, os tempos passam a ser de guerra." MC Marechal ㅤㅤ ㅤO sonho do moleque é ser chefe, o do vapor, do gerente e do segurança também é. O sonho do chefe é sobreviv...
